O impacto da estimulação psicomotora no desenvolvimento motor em crianças com Transtorno do Espectro Autista – TEA: um estudo bibliográfico
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.
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RESUMO

Introdução: O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição que afeta o desenvolvimento motor, social e cognitivo de crianças. A estimulação psicomotora, por meio de atividades lúdicas e estruturadas, tem se mostrado uma ferramenta eficaz para promover o desenvolvimento integral desses indivíduos, favorecendo a coordenação motora, equilíbrio, lateralidade, consciência corporal, habilidades sociais e cognitivas. Objetivo: Analisar o impacto da estimulação psicomotora no desenvolvimento motor em crianças com transtorno do espectro autista – TEA. Metodologia: A pesquisa foi feita por meio de uma revisão integrativa com artigos publicados no Brasil com recorte temporal 2015 e 2026, com foco em estudos com práticas de atividade física aplicadas. As buscas ocorreram nas bases Scientifc Electronic Library Online (SciELO), Pubmed, LILACS e MEDLINE, com descritores voltados para Autismo e Psicomotricidade; Transtorno do Espectro Autismo e Psicomotricidade; Autismo e Desenvolvimento Psicomotor; Transtorno do Espectro do Autismo e Desenvolvimento psicomotor; Transtorno do Espectro Autista e Estimulação Psicomotora. Resultados: A estimulação psicomotora impacta consideravelmente o desenvolvimento psicomotor e funcional de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Considerações: A estimulação psicomotora direcionada às crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) ultrapassa a as atividades psicomotoras se consolidam como um fator determinante para o desenvolvimento neutro funcional, cognitivo e social dessa população.

Palavras-chave: Desenvolvimento infantil. Desenvolvimento Psicomotor. Psicomotricidade. Transtorno do Espectro Autista.

ABSTRACT

Introduction: Autism Spectrum Disorder (ASD) is a condition that affects the motor, social, and cognitive development of children. Psychomotor stimulation, through playful and structured activities, has proven to be an effective tool to promote the integral development of these individuals, favoring motor coordination, balance, laterality, body awareness, and social and cognitive skills. Objective: To analyze the impact of psychomotor stimulation on motor development in children with Autism Spectrum Disorder (ASD). Methodology: This research was conducted through an integrative review with articles published in Brazil between 2015 and 2026, focusing on studies with applied physical activity practices. Searches were performed in the Scientific Electronic Library Online (SciELO), PubMed, LILACS, and MEDLINE databases, using descriptors geared toward Autism and Psychomotricity; Autism Spectrum Disorder and Psychomotricity; Autism and Psychomotor Development; Autism Spectrum Disorder and Psychomotor Development; Autism Spectrum Disorder and Psychomotor Stimulation. Results: Psychomotor stimulation significantly impacts the psychomotor and functional development of children and adolescents with Autism Spectrum Disorder (ASD). Conclusion: Psychomotor stimulation directed at children with Autism Spectrum Disorder (ASD) goes beyond the barrier of mere exercise execution, establishing itself as a determining factor for the neurofunctional, cognitive, and social development of this population.

Keywords: Child development. Psychomotor development. Psychomotricity. Autism Spectrum Disorder.

RESUMEN

Introducción: El Trastorno del Espectro Autista (TEA) es una condición que afecta el desarrollo motor, social y cognitivo de los niños. La estimulación psicomotriz, mediante actividades lúdicas y estructuradas, ha demostrado ser una herramienta eficaz para promover el desarrollo integral de estos individuos, favoreciendo la coordinación motora, el equilibrio, la lateralidad, la conciencia corporal y las habilidades sociales y cognitivas. Objetivo: Analizar el impacto de la estimulación psicomotriz en el desarrollo motor de niños con Trastorno del Espectro Autista (TEA). Metodología: La investigación se realizó mediante una revisión integradora de artículos publicados en Brasil, con un período de análisis comprendido entre 2015 y 2026, centrándose en estudios que aplicaron prácticas de actividad física. Las búsquedas se llevaron a cabo en las bases de datos Scientific Electronic Library Online (SciELO), PubMed, LILACS y MEDLINE, utilizando descriptores relacionados con Autismo y Psicomotricidad; Trastorno del Espectro Autista y Psicomotricidad; Autismo y Desarrollo Psicomotor; Trastorno del Espectro Autista y Desarrollo Psicomotor; y Trastorno del Espectro Autista y Estimulación Psicomotriz. Resultados: La estimulación psicomotriz tiene un impacto considerable en el desarrollo psicomotor y funcional de los niños con Trastorno del Espectro Autista (TEA). Consideraciones finales: La estimulación psicomotriz dirigida a niños con Trastorno del Espectro Autista (TEA) va más allá de las intervenciones convencionales, ya que las actividades psicomotrices se consolidan como un factor determinante para el desarrollo neurofuncional, cognitivo y social de esta población.

Palabras clave: Desarrollo infantil. Desarrollo psicomotor. Psicomotricidad. Trastorno del Espectro Autista.

INTRODUÇÃO

Segundo a World Health Organization (WHO, 2020) uma em cada 160 crianças possui Transtorno do Espectro Autista – TEA, a estimativa é de 70 milhões de pessoas em todo o mundo ocorrendo em diferentes culturas e contextos sociais. Dados do Sistema de Informações Ambulatoriais (SIA) mostram que o Brasil realizou, em 2021, 9,6 milhões de atendimentos ambulatoriais de pessoas com autismo, sendo 4,1 milhões do público infantil com até 09 anos de idade (BRASIL, 2022).

O transtorno do Espectro Autista – TEA é uma síndrome comportamental que compromete o desenvolvimento motor e psiconeurológico dificultando a cognição, a linguagem e a interação social da criança (Pinto et al, 2016), manifestando dificuldades na comunicação verbal e não verbal, comportamentos repetitivos e interesses restritos são comuns comprometendo as interações sociais (Ramalhais, 2024; Soares, 2024).

As reais causas do transtorno ainda são desconhecidas, entretanto, acredita-se que sejam associadas a fatores genéticos e neurobiológicos, isto é, anomalias fisiológicas ou anatômicas do sistema nervoso central (Lavor et al., 2021). Os principais sintomas do TEA manifestam-se nas fases precoces do desenvolvimento, caracterizado pelas dificuldades na interação social e comunicação, bem como, a presença de um padrão limitado e comportamentos repetitivos e ou estereotipados (Wessler et al., 2025). Apesar dos consideráveis avanços, a multidimensionalidade do TEA segundo Bezerra et al (2023) ainda é desafiador posto que, essa pluralidade que envolvem essas manifestações clínicas dificultam o diagnóstico e a intervenção, sejam nas alterações neurológicas e ou nos sintomas comportamentais essa variabilidade de sintomas ainda requer investigações mais aprofundadas, especialmente considerando as variações individuais

As limitações enfrentadas por crianças com Transtorno do Espectro Autista, frequentemente são associadas a dificuldades emocionais e motoras que resultam em comportamentos repetitivos, neste contexto, destaca-se a importância da estimulação psicomotora que atua diretamente nos aspectos motores, emocionais e cognitivos, promovendo melhorias na coordenação, na atenção e na socialização (Santo et al., 2025). O trabalho psicomotor visa uma interação, tanto com o ambiente social quanto às questões afetivas e cognitivas do indivíduo, ou seja, a Psicomotricidade está vinculada aos aspectos comunicativos do corpo (Silva; Sousa, 2020).

Dessa forma, as atividades com estimulação psicomotora (EP) e ou psicomotricidade trazem diversos benefícios para crianças com esse transtorno, por meio de jogos e brincadeiras lúdicas essas atividades quando bem direcionadas estimulam a criatividade, favorecendo a interação social promovendo o desenvolvimento motor (SILVA et al., 2023), tendo em vista que, nessas atividades a criança ao se sentir instigada e desafiada favorece vários aspectos da aprendizagem e do desenvolvimento (Ribeiro; Fernandes; Marques, 2017).

As atividades psicomotoras atuam de forma significante no desenvolvimento das habilidades motoras, posto que, nos jogos e nas brincadeiras a criança é estimulada a mover-se e a pensar de maneira satisfatória e não obrigatória, desta forma, o lúdico contribui na formação do real sentido de mundo da criança auxiliando no seu crescimento social, motor e cognitivo (Venturini et al., 2010), portanto, é uma ferramenta de inclusão que trabalha a consciência corporal, auxilia na socialização, ajuste emocional e afetivo, favorecendo uma sintonia entre os aspectos cognitivos e psicomotores servindo como alicerces para o desenvolvimento integral da pessoa com TEA, permitindo à criança com esse transtorno aquisição e apropriação de sua imagem e esquema corporal dentro de um ambiente ou de um contexto (Bezerra et al., 2020).

Em relação aos aspectos motores a Psicomotricidade proporciona estímulos adequados e adaptados para o desenvolvimento das habilidades das crianças autistas, por meio de estimulações lúdicas e desafiadoras, contribui para o aprimoramento da coordenação motora fina e grossa, equilíbrio, orientação espacial e percepção corporal, essas habilidades motoras são essenciais para a realização de tarefas diárias, como se vestir, comer, brincar e se locomover de forma independente (Silva, 2023). De acordo com Rossi (2012) a evolução psicomotora vai do geral ao específico, onde seus elementos básicos quando bem estimulados, a exemplo, esquema corporal, lateralidade, estruturação-espacial, coordenação e equilíbrio corporal são essenciais para que a criança tenha noções de tempo, espaço, conceitos e ideias.

Neste contexto a estimulação psicomotora é de fundamental importância para as crianças com esse transtorno, tendo em vista que, é uma intervenção multidimensional, que possibilita o estímulo de vários aspectos que são imprescindíveis para o desenvolvimento pleno como: afetivo, sensorial, motor e cognitivo, contribuindo assim, para sua inserção e participação de forma ativa nas atividades cotidianas, entretanto, é uma área que possui um número restrito de profissionais capacitados para desenvolverem esse tipo de intervenção, desta forma, o objetivo do presente estudo é analisar o impacto da estimulação psicomotora no desenvolvimento motor em crianças com transtorno do espectro autista – TEA.

MATERIAIS E MÉTODOS

Trata-se de um estudo de revisão bibliográfica integrativa, que segundo Botelho, Cunha e Macedo (2011) consente ao pesquisador aproximar-se do problema norteador da pesquisa, delineado um panorama sobre a sua produção científica, de maneira tal, que permita conhecer a evolução do tema proposto ao longo do tempo.

A realização deste estudo foi conduzida por meio de consultas eletrônicas em quatro importantes bases de dados da área da saúde e ciências biomédicas: LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde), SciELO (Scientific Electronic Library Online), PubMed e MEDLINE (Medical Literature Analysis and Retrieval System Online).

Para o levantamento dos artigos, os descritores foram combinados entre si utilizando o operador booleano AND para garantir o cruzamento temático exato. As estratégias de busca foram estruturadas a partir das seguintes combinações: Autismo AND Psicomotricidade; Transtorno do Espectro Autista AND Psicomotricidade; Autismo AND Desenvolvimento Motor; Transtorno do Espectro do Autismo AND Desenvolvimento Motor; Autismo AND Estimulação Psicomotora; Transtorno do Espectro Autista AND Estimulação Psicomotora

Os critérios de inclusão foram somente os artigos de pesquisa na temática disponíveis online na íntegra; em português com recorte temporal de 2015 a 2026, avaliando os descritores acima mencionados, entretanto, foram excluídos todos os artigos repetidos nas bases de dados; sem resumos ou incompletos, pesquisas realizadas fora do Brasil e textos que não apresentaram relação com os objetivos propostos, além de editoriais, artigos de revisão integrativa, sistemática e narrativa da literatura, monografias, dissertações, teses, livros e quaisquer publicações em outros idiomas das citadas nos critérios de inclusão, assim como publicações anteriores a 2015. Foram excluídos também quaisquer descritores que não corroboram com o estudo em questão não coadunam com os objetivos propostos deste estudo.

A pesquisa foi conduzida por meio da seguinte questão norteadora: A estimulação psicomotora provoca impacto no desenvolvimento motor de crianças com Transtorno do Espectro Autista – TEA?

Os métodos para elaboração de revisões integrativas preveem seis etapas devidamente planejadas: (1) definição do tema (elaboração da questão norteadora); (2) averiguação bibliográfica (amostra proposta); (3) seleção dos artigos publicados (coleta de dados); (4) descrição dos estudos para efetivação dos resultados; (5) discussão dos dados; (6) Considerações finais.

A classificação das análises (método) foram feitas por meio de análises de conteúdos segundo o método de Bardin (2011) que se configura em três fases: 1)avaliação prévia; 2) organização dos dados coletados; 3) disposição e interpretação dos dados, nesta fase, os objetivos e os resumos proposto dos artigos serão sintetizados de acordo com os critérios de inclusão e exclusão, em seguida, os dados selecionados serão dispostos em planilhas @Excel seguindo a ordem temporal de cada publicação, com o objetivo de organizar em uma linha de raciocínio os resultados e discussão da proposta em questão (BARDIN, 2011).

Não foi necessária a aprovação do Comitê de Ética e Pesquisa – CEP, baseada na Resolução CNS 196/1996 da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa, que normatiza as pesquisas que envolvem seres humanos no país, portanto, ausenta-se destas diretrizes por tratar-se de uma revisão de literatura.

Elegibilidade dos estudos

Figura 1 - Fluxograma da seleção dos artigos (Prisma Flow)

RESULTADOS

O quadro a seguir apresenta os dados obtidos na pesquisa, elaborado com o propósito de atender aos critérios de inclusão e exclusão estabelecidos, considerando os objetivos propostos pelo estudo. As informações foram organizadas de forma cronológica, contemplando os seguintes aspectos: autor, ano, título, objetivo, metodologia e resultados/conclusão. A análise desta pesquisa foi composta por 7 (sete) artigos selecionados, os quais atenderam aos objetivos definidos no estudo, sendo agrupados e distribuídos conforme categorias de similaridade.

Quadro 1 – Síntese dos impactos da estimulação psicomotora em crianças com TEA

Fonte: Elaborado pelas autoras (2026)

DISCUSSÃO

Os estudos analisados evidenciam que a psicomotricidade desempenha papel fundamental no desenvolvimento motor, cognitivo e funcional de crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA). De modo geral, os resultados apontam que intervenções baseadas no movimento corporal contribuem para a melhora da coordenação motora, equilíbrio, atenção, lateralidade, autonomia e qualidade de vida dessa população.

No primeiro estudo Santos et al (2025) constataram que a aplicação de um protocolo de circuitos coordenativos ao longo de 12 semanas gerou evoluções expressivas na capacidade de atenção, estabilidade do corpo e refinamento motor em indivíduos com TEA nível 1. Um ponto de destaque levantado pelos pesquisadores é a viabilidade financeira e operacional da proposta, cuja facilidade de replicação a qualifica como uma estratégia altamente adaptável tanto para a rotina clínica quanto para o contexto pedagógico, reiterando o valor do movimento no ganho de funcionalidade infantil. Souza et al (2010) reforça a ideia de que a estimulação psicomotora é indispensável no desenvolvimento motor, afetivo e psicológico do indivíduo para sua formação integral, ressaltando a importância da atividade lúdica, realizada através de atividades psicomotoras.

Sob a ótica da Educação Infantil, Bezerra et al. (2020), posicionam a psicomotricidade como uma importante ferramenta de inclusão de que as vivências corporais planejadas impulsionaram não apenas a evolução físico-motora e o esquema corporal, mas também estreitaram laços de socialização e regulação emocional, além disso, ressaltam que a participação conjunta da família e da escola é fundamental, Ferreira e Corrêa (2019), reforça o papel da psicomotricidade e a presença da família quando destaca que o objetivo da Psicomotricidade é oferecer estímulos ao desenvolvimento do corpo, beneficiando sua interação com a família e o meio social e para que a proposta da psicomotricidade, perante a criança com TEA, seja alcançada, é necessário promover um trabalho, no qual, a criança possa sentir e viver seu corpo, tirando-a dos estereótipos e incentivando-a a descobrir seu próprio movimento na tentativa de possibilitar uma melhor qualidade de vida.

Contemplando essa perspectiva de eficácia, Alves et al. (2022), confirmaram os benefícios da estimulação psicomotora, evidenciando a capacidade desta ferramenta de minimizar déficits motores, mediante um programa individualizado de três meses, com frequência de dois encontros semanais de 45 minutos, os dados revelaram progressos perceptíveis e satisfatórios respectivamente na motricidade fina (42.86%); motricidade global (50.0%); no equilíbrio corporal (71.43%); esquema corporal (64.28%); organização espacial (64.28%) e organização temporal (42.86%). Os resultados apontaram que o desenvolvimento motor geral de crianças com TEA é inferior ao esperado para sua idade cronológica, porém, destaca que houve melhoria no perfil psicomotor da maioria das crianças com TEA em todas as variáveis da escala de EDM, após período de intervenção psicomotora breve. De acordo com Rossi (2012) a evolução psicomotora vai do geral ao específico, onde seus elementos básicos quando estimulados como: esquema corporal, espacial, lateralidade, tempo e escrita são essenciais para que a criança tenha noções de tempo, espaço, conceitos e ideias e são esses os elementos da psicomotricidade frequentemente estimulados, que são capazes de promover para o indivíduo noções gerais de espaço, tempo, conceitos e ideias.

A compreensão do perfil motor mostra-se um elemento crucial para o sucesso terapêutico a propósito Fernandes et al. (2020) investigaram características motoras relacionadas à lateralidade e destreza manual. Os resultados indicaram predominância da lateralidade destra e melhor desempenho da mão preferida em tarefas que exigiam maior coordenação e atenção. Para a área, esses dados trazem uma contribuição oportuna, posto que, evidenciam que o rastreio precoce de assimetrias e lacunas motoras servindo como subsídio essencial para o desenho de programas psicomotores. Enquanto a lateralidade é o domínio de um dos lados do corpo, algumas ações exigem o uso dos dois lados do corpo ao mesmo tempo ou em harmonia, por isso, aprimorar a habilidade de usar os dois lados do corpo, desenvolvendo a capacidade de coordená-los de forma controlada e organizada ao mesmo tempo, é um indicador de que ambos os lados do cérebro estão se comunicando de forma eficaz e compartilhando informações (SILVA, 2023).

Pinheiro et al (2022) reconhece que intervenções psicomotoras favorecem o conhecimento corporal, a comunicação, a interação social e a autonomia da criança com TEA contribuindo para o desenvolvimento das habilidades motoras, cognitivas, sócio emocionais e afetivas, reduzindo comportamentos repetitivos e ampliando a participação social. O estudo sugere que a estimulação psicomotora é uma importante ferramenta de intervenção, desde que, respeite as particularidades e necessidades individuais de cada criança, neste cenário, Souza et al (2010) partilha da mesma ideia quando defende que a estimulação psicomotora é indispensável no desenvolvimento motor, afetivo e psicológico do indivíduo para sua formação integral, ressaltando a importância das atividades lúdicas, realizada através de atividades psicomotoras.

Em se tratando da importância das atividades lúdicas, além das intervenções psicomotoras convencionais, outras modalidades corporais também demonstraram resultados positivos. Fontes et al. (2021) e Teixeira-Machado (2015), em pesquisas com modalidades específicas, como: jiu-jitsu e dançaterapia, também produziram resultados positivos.

A prática de jiu-jitsu segundo Fontes et al. (2021) possibilitou melhorias na coordenação motora, embora os participantes tenham se mantido insuficientes na classificação de insuficiência coordenativa, segundo critérios rígidos de tabelas normativas, o refinamento ainda que seja mínimo geram impactos significativos para promover a execução das atividades de vida diária (AVDs), autonomia e qualidade de vida. Sobre a questão das atividades de vida diária (AVDs), Silva (2023) evidencia que quando os estímulos são proporcionados por meio de atividades motoras lúdicas desafiadoras, incluindo as lutas e de forma adequada, adaptada e desafiadora muito presente nas lutas também favorece o aprimoramento da coordenação motora fina e grossa, equilíbrio, orientação espacial e percepção corporal, essas habilidades motoras são essenciais para a realização de tarefas diárias, como se vestir, comer, brincar e se locomover de forma independente Segundo Pinheiro et al. (2022), a prática de atividades psicomotoras auxilia na execução de tarefas específicas e principalmente, na execução de tarefas diárias e tudo isso corrobora para que essa criança se torne, pouco a pouco, mais autônoma, reforçando a relação TEA e jiu jitsu Lima et al (2021) ao verificar os efeitos de um programa de jiu jitsu no desempenho motor e na funcionalidade de crianças com TEA os resultados assinalaram melhorias consideráveis do grupo experimental após a intervenção, destacando que o jiu jitsu representa um instrumento de tratamento relevante para o TEA colaborando e auxiliando no desenvolvimento integral da criança.

E por outro lado, a dançaterapia por meio da proposta de Teixeira-Machado (2015) apresentou resultados mais amplos, promovendo ganhos no equilíbrio corporal, marcha, desempenho motor e qualidade de vida. A dança por si só segundo Anjos e Ferraro (2018) resulta em ganhos significativos para o desenvolvimento motor geral e nas bases: equilíbrio, praxia fina e praxia global,

De acordo com Ferreira e Corrêa (2019), para que a finalidade desta estimulação seja cumprida perante a criança com TEA, é necessário promover um trabalho, no qual, a criança possa sentir e viver seu corpo, tirando-a dos estereótipos e incentivando-a a descobrir seu próprio movimento na tentativa de possibilitar uma melhor qualidade de vida.

Em suma, a prática de atividades psicomotoras auxilia na execução de tarefas específicas como também e, principalmente, na execução de tarefas diárias e tudo isso corrobora para que essa criança se torne, pouco a pouco, mais autônoma. Conforme postulado por Pinheiros et al. (2022), quando se trabalha o corpo de forma integral também se estimula funções executivas que dizem respeito aos domínios cognitivos afetivos e motores, desta forma, se fortalece o trabalho integral no indivíduo e amplia a capacidade de autodomínio.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Conclui-se que a estimulação psicomotora direcionada a crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) ultrapassa a barreira da mera execução de exercícios, consolidando-se como um fator determinante para o desenvolvimento neutro funcional, cognitivo e social dessa população.

Os dados analisados confirmam que o estímulo por meio do movimento corporal, seja através de circuitos coordenativos estruturados, atividades lúdicas na Educação Infantil ou modalidades alternativas como o jiu-jitsu e a dançaterapia, promove melhorias significativas na coordenação motora, no equilíbrio, na atenção e na autonomia nas Atividades de Vida Diária (AVDs).

Quanto às limitações da pesquisa por ser uma pesquisa de revisão a proposta fica um pouco limitada diante da complexidade que exige a temática, porém, não se pode deixar de destacar a relevância deste estudo, uma temática essencial que surge da necessidade de contribuir para o avanço do conhecimento na área inclusiva, bem como, na implementação de práticas pedagógicas voltadas não só para crianças mas de todos os sujeitos, posto que, é importante considerar que essas criança vão passar pela adolescência, vão virar adultos e vão envelhecer necessita-se de estudos que tratem essa abordagem em diferentes faixa etárias, portanto, sugere-se estudos que tratem essa abordagem em diferentes cenários, assim como, estudos em modalidades diversas como: lutas, esportes, ginástica, jogos e danças.

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  1. Acadêmica de educação física do curso de bacharelado em Educação Física do Centro Universitário Santo Agostino, e-mail: Teresina/PI – Brasil. https://orcid.org/0009-0004-4043-7474

  2. Doutora em Educação Física pela Universidade Católica de Brasília –UCB, Professora da Faculdade UNIFSA. Teresina/PI _ Brasil. https://orcid.org/0000-0001-9912-4166

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