Resumo
Um desafio da educação de adultos é reintegrar os alunos que abandonaram o sistema de ensino regular por diversos motivos. A forma como os métodos de ensino em sala de aula instiga e fomenta o comprometimento dos alunos com esse objetivo é crucial. Assim, esses desafios educacionais nortearam o tema da pesquisa: "Abandono na Educação de Adultos (EAA) na Escola Municipal Alegria de Saber, em Rio Preto da Eva, Amazonas/Brasil, no período de 2023-2024". O objetivo desta pesquisa é apresentar as ações desenvolvidas pela Escola Municipal Alegria de Saber, em Rio Preto da Eva, Amazonas/Brasil, para reduzir o abandono escolar na EJA durante o período de 2023-2024. A pesquisa utilizou metodologia descritiva e interpretativa, com abordagem qualitativa-quantitativa, por meio de questionários aplicados a professores, o que permitiu a discussão das respostas. Constatou-se que as metodologias utilizadas em sala de aula devem ser mais inovadoras para impulsionar o aprendizado dos alunos e prevenir o abandono escolar.
Palavras chave: Educação de jovens e Adultos EJA, Evasão, Ações.
ABSTRACT
One challenge in adult education is reintegrating students who have dropped out of the regular education system for various reasons. The way classroom teaching methods instill and foster student commitment to this goal is crucial. Thus, these educational challenges guided the research topic: "Dropout in Adult Education (AE) at the Alegria de Saber Municipal School, in Rio Preto da Eva, Amazonas/Brazil, in the period 2023-2024". The objective of this research is to present the actions developed by the Alegria de Saber Municipal School, in Rio Preto da Eva, Amazonas/Brazil, to reduce school dropout in EJA (Youth and Adult Education) during the period 20232024. The research used descriptive and interpretive methodology, with a qualitativequantitative approach, through questionnaires applied to teachers, which allowed for discussion of the responses. It was found that the methodologies used in the classroom should be more innovative to boost student learning and prevent school dropout.
Keywords: Youth and Adult Education (EJA), Dropout Rates, Actions.
INTRODUÇÃO
A educação de adultos engloba a educação formal e ao longo da vida, a educação não formal e todas as formas de educação informal e ocasional, numa sociedade educacional e multicultural, em que se reconhecem as abordagens teóricas baseadas na prática. Neste contexto, torna-se necessário, nas escolas, a utilização de metodologias como forma de aprimorar o processo de aquisição de conhecimento, prevenindo, assim, a evasão escolar entre jovens e adultos. A evasão escolar é um dos temas controversos que norteiam o trabalho pedagógico nas escolas.
Nesse sentido, é necessário considerar que a evasão escolar é uma situação problemática, produzida por uma série de determinantes. Isso porque os inúmeros problemas de natureza econômica e social impedem a participação do aluno na sociedade de forma crítica e consciente. Diante disso, buscou-se descobrir: Quais ações foram desenvolvidas pela Escola Municipal Alegria de Saber, Município de Rio Preto da Eva-Amazonas/Brasil, no período de 2023-2024, para conter a evasão nas turmas da Educação de Jovens e Adultos (EJA).
Na atualidade, observa-se um aumento na taxa de evasão escolar em todos os níveis de ensino, sendo a maioria desses casos registrados em escolas públicas. Esse problema está diretamente associado à crescente demanda por mão de obra entre os jovens para auxiliar no sustento de suas famílias, o que explica o aumento no número de adolescentes que abandonam os estudos para serem inseridos no mercado de trabalho sem qualificação adequada. Portanto, é pertinente realizar esta pesquisa, visto que a Educação para Jovens e Adultos (EJA) é uma modalidade de ensino para jovens e adultos que, por qualquer motivo, não tiveram acesso à educação ou não puderam concluir seus estudos na idade regular.
O Ministério da Educação oferece esse curso para jovens a partir dos 15 anos, tanto presencialmente quanto à distância. Nesse sentido, torna-se imperativo que a política de inclusão baseada na diferença não se restrinja à sua versão social; em vez disso, deve-se adotar uma noção mais ampla e despolitizada de inclusão como o direito ao tratamento democrático e público da diversidade em contextos marcados pela desigualdade e exclusão social.
Trata-se de um dever do Estado em assegurar a universalidade dos direitos dos cidadãos, a eliminação das desigualdades sociais pela incorporação da diversidade e de qualquer outro fator de discriminação, que oriente as políticas de ação afirmativa, as quais reforcem as políticas universais de combate à discriminação e à desigualdade. Este trabalho se justifica pela sua relevância como pesquisa, uma vez que os temas abordados, além de atuais, são objeto de debate nas próprias instituições de ensino.
EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS E SUA IMPORTÂNCIA NA EDUCAÇÃO
A Educação de Jovens e Adultos (EJA) tem enfrentado muitos obstáculos na jornada por uma educação eficaz e progressiva, destinados aqueles que não tiveram oportunidade ou, por alguma particularidade, de frequentar a escola na idade escolar (REICHARDT et al, 2020). O alto índice de analfabetismo e a baixa escolaridade da população brasileira contribuem para a desigualdade socioeconômica na sociedade; como consequência, há o aumento da pobreza, o crescimento da delinquência, desemprego e outros males que atingem o povo, “(...) o analfabetismo é a expressão da pobreza, consequência inevitável de uma estrutura social injusta.” (GADOTTI, 2011, p. 36).
Vários projetos foram criados com o propósito de diminuir esses índices negativos da educação, além de tentar permitir que as pessoas assumissem seu papel na sociedade e atendessem a demanda no setor capitalista. Em 1970, o MOBRAL foi implantado pelo governo através da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, LDB 592|71; em 1974, os CES (Centros de Estudos Supletivos) foram implantados pelo MEC; e em 1985 a Fundação EDUCAR. A fundação tinha por objetivo promover um breve resumo de conteúdos para compensar os estudos não realizados na idade escolar. O intuito era que os alunos adquirissem os conhecimentos básicos e o diploma em um prazo curto de duração; por esse motivo, a proposta não obteve muito sucesso.
Em 1996, com a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9394/ 96), os jovens, adultos e idosos analfabetos passaram a ser objeto da legislação, com uma seção e dois artigos destinados a eles. O grupo foi inserido, assim, pela primeira vez no âmbito legislativo. Promulgou-se, através da Constituição de 1988, a ampliação do dever do Estado com a Educação de Jovens e
Adultos. “A educação ganha novos impulsos sob a crença de que seria necessário educar o povo para que o país se desenvolvesse, assim como para participar politicamente através do voto, que se daria por meio da incorporação da enorme massa de analfabetos” (SCORTEGAGNA; OLIVEIRA, 2006, p. 4).
Em 1997, surge a Educação de Jovens e Adultos (EJA), que é uma modalidade formal, assegurada na Constituição Federal. A EJA é direito de todo cidadão brasileiro que, por algum motivo, deixou de estudar em idade escolar e não completou seus estudos. A LDB 9394/ 96 trata da Educação de Jovens e Adultos no Título V, capítulo II, como modalidade da Educação Básica, superando sua dimensão de ensino supletivo. Regulamenta-se, dessa forma, sua oferta a todos os que não tiveram acesso ou não concluíram seus estudos em idade escolar.
Art. 37. A educação de jovens e adultos será destinada àqueles que não tiveram acesso ou continuidade de estudo no ensino fundamental e ensino médio na idade própria e constituirá instrumento para a educação e a aprendizagem ao longo da vida,
Art. 38°. Os sistemas de ensino manterão cursos e exames supletivos, que compreenderão a base nacional comum do currículo, habilitando ao prosseguimento de estudos em caráter regular (BRASIL, 1996, p. 66).
Em 10 de maio de 2000, foi promulgada a Lei de Diretrizes e Bases Curriculares Nacionais para a EJA. Reconheceu-se, dessa forma, o valor da modalidade como direito, não mais sendo compensatória. A modalidade passou a possuir as funções reparadora, equalizadora e qualificadora. Assim, de acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação nº 9394/96, as resoluções CNE/CEB nº1 de 2000, o parecer CEB 11/2000 e o Art. 208 que compreende o dever do Estado com a Educação e suas modalidades, foi postulado que:
O parecer CNE/CBE nº 11, 10 de maio de 2000, que esclarece aspectos da LDBEN, amplia o sentido EJA para além da escolarização devida como direito a todos os cidadãos, para assumir a concepção de educação continuada, que se faz ao longo da vida e contempla novos sentidos para a EJA pelas funções reparadora, equalizadora e qualificadora (BRASIL, 2000, p. 9).
Função reparadora: é o ressarcimento do direito a todos ao acesso à Educação Básica e sua gratuidade.
Função equalizadora: a igualdade de oportunidades oferecidas às crianças, também oferecida aos jovens e adultos na Educação Básica, flexibilidade com horários, adaptações necessárias aos jovens e adultos, pois estes já vêm com uma carga de experiências.
Função qualificadora: tem a função de atualizar os conhecimentos, estimular a desenvolver uma consciência questionadora, reflexiva, crítica e construir um cidadão pleno para exercer sua cidadania.
Programas federais que asseguram recursos para a modalidade da EJA são: PDDE - Programa Dinheiro Direto na Escola, PDE Interativo, Escola Acessível, Programa Nacional do Livro Didático, Programa Nacional de Tecnologia e Programa Nacional da Biblioteca.
Outros projetos criados para incentivar a classe popular foram: o ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio), que avalia o desempenho dos alunos do Ensino Médio e serve com um vestibular unificado, pois sua nota é o critério de classificação para a entrada no Ensino Superior; PROUNI (Programa Universidade para Todos) que através da classificação da nota do ENEM consegue bolsas de 50% e 100%, totalmente financiadas pelo governo sem custo para o estudante; SISU (Sistema de Seleção Unificada), através da classificação pelas notas do ENEM, o aluno concorre a vagas nas faculdades federais; e FIES ( Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior) que financia os estudos com juros baixos e prazo de 18 meses para começar a pagar depois de finalizar a graduação. A chegada das faculdades EAD também favoreceu o ingresso à graduação, por possuírem valores acessíveis (REICHARDT et al, 2020).
A Secretaria Extraordinária de Erradicação do Analfabetismo foi criada em 2003, aprovando o Projeto Escola de Fábrica e o PROJOVEM, destinados a ações comunitárias do governo, com qualificações para a mão de obra do setor capitalista. Em 2007, o MEC aprova a criação do FUNDEB (Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica). Nesse fundo, os recursos atendem a todas as modalidades de ensino. Um dos colaboradores para Educação de Jovens e Adultos foi Paulo Freire, que defendeu a ação dialógica, ou seja, a “educação libertadora”. Essa educação conduz ao princípio de autonomia escolar, onde o sujeito é um participante ativo dentro do seu processo de ensino-aprendizagem, portanto a autonomia da escola se constrói com base no projeto pedagógico.
Freire, trazendo este novo espírito da época acabou por se tornar um marco teórico na Educação de Adultos, desenvolvendo uma metodologia própria de trabalho, que unia pela primeira vez a especificidade dessa educação em relação a quem educar, para quê e como educar, a partir do princípio de que a educação era um ato político, podendo servir tanto para a submissão como para a libertação do povo (SCORTEGAGNA; OLIVEIRA, 2006, p. 5).
A educação libertadora defendida por Paulo Freire é caracterizada pela emancipação do sujeito, que passará por mudanças e transformações, estará apto para tomar decisões próprias, exercer sua cidadania com autonomia e transformará sua realidade (REICHARDT et al, 2020). A metodologia proposta por Paulo Freire, em respeito ao aluno, é o diálogo e o desenvolvimento crítico, questionador, criativo, que se fundamenta em dois princípios: a politicidade e o diálogo. A politicidade concebe a educação como problematizadora, que induz o educando, através do diálogo, buscar soluções ao desenvolver seu senso crítico, “[...] o alfabetizando é desafiado a refletir sobre seu papel na sociedade [...].” (FEITOSA, 1999, p. 44).
O diálogo é uma característica primordial na educação libertadora, pois é através dela que o debate acontece e o problema a ser solucionado pelos alunos, surge. Segundo Paulo Freire, a educação bancária torna o sujeito um indivíduo sem criticidade. Já a educação libertadora, amplia a visão do mundo, intermediada pelo diálogo, com transmissão de informações, no sentido analítico, que leva o sujeito a produzir um senso crítico que ele entenda, compreenda, reivindique e consiga a conquista da mudança na sua vida como almejado.
Na medida em que esta visão bancária anula o poder criador dos educandos ou o minimiza, estimulando sua ingenuidade e não sua criticidade satisfaz ao interesse dos opressores: para estes o fundamental não é o desnudamento do mundo, a sua transformação. O seu “humanitarismo”, e não humanismo, está em preservar a situação de que são beneficiários e que lhes possibilita a manutenção de sua falsa generosidade (FREIRE, 1997, p. 83).
A Educação de Jovens e Adultos (EJA) tem o papel da construção curricular para a formação dos sujeitos dessa modalidade de ensino. Além disso, fornece subsídios para se afirmarem como pessoas ativas, críticas e democráticas. O objetivo da EJA é desenvolver o processo de formação humana, social, ao respeitar a cultura, experiência e conhecimentos adquiridos ao longo de sua vida dos discentes, complementando com valores e saberes novos e saberes técnicos e específicos. Na EJA, as disciplinas e cargas horárias são as mesmas da Educação Básica, para que esses indivíduos possam ser inseridos no mercado de trabalho (REICHARDT et al, 2020).
Os dados apontam que o perfil dos alunos da EJA é caracterizado por: habitantes das periferias das cidades; moradores da área rural; pessoas marginalizadas e expostas a situações de pobreza; pessoas desempregadas; indivíduos que sofrem com exclusão racial; educação deficitária; famílias mal estruturadas, entre outros fatores. Geralmente, esses indivíduos não estudaram ou não finalizaram os estudos por inúmeros motivos; eles têm interesse de iniciar ou dar continuidade aos estudos com expectativa de mudanças, transformações em suas vidas. Essas pessoas acreditam que a educação pode proporcionar essas conquistas, devido à elevação do nível de escolaridade, para atender ao contexto atual do mercado de trabalho (REICHARDT et al, 2020).
Como os perfis dos discentes da EJA são diversificados, eles contemplam as mais diversas culturas que devem ser respeitadas, pois condizem com a identidade do sujeito, a educação tradicional familiar, as tradições raciais, experiências conquistadas e tudo o que se refere a ela, “[...] o educando passa a ser visto como sujeito sócio-histórico-cultural, com conhecimentos e experiências acumuladas. ” (SOARES, 2001, p. 2). A construção do conhecimento do aluno da EJA acontece quando esse sujeito começa a compreender o seu próprio universo, o processo de criação, produção e cultura, se tornando o sujeito do processo, e assim realizando um aprendizado para a vida toda — onde possa expressar suas experiências socioculturais; desse modo, comprova-se que, através desta modalidade, o sujeito consegue conquistar a sua liberdade, o respeito e a transformação da sua vida em plenitude, quando este procedimento for contínuo (REICHARDT et al, 2020).
Percebe-se, então, que o ato de educar pode ser conceituado:
[...] como uma atividade sistemática de interação entre seres sociais, ocorrendo essa interação no nível intrapessoal como no nível da influência do meio, interação essa que se configura numa ação exercida sobre sujeitos ou grupos de sujeitos visando provocar neles mudanças tão eficazes que os tornem elementos ativos desta em vista esta função, a educação deve voltar-
se a uma formação na qual os educando possam: aprender permanentemente; refletir a própria ação exercida (ARANHA, 1997, p. 50).
A EJA possui um foco amplo que visa uma sociedade com equidade e uma educação eficaz. A legislação vigente estabelece que a idade para se matricular na EJA é de quinze anos para o Ensino Fundamental e dezoito anos para o Ensino Médio. A escola é o espaço destinado à educação, um local onde se aprende, ensina, reflete, interpreta, compreende e age com criatividade e criticidade — é nela que se constrói o futuro cidadão (REICHARDT et al, 2020).
A EJA ocupa o espaço escolar para acolher essa população marginalizada que deseja ter a oportunidade de conquistar seu espaço com conhecimentos, respeito e autonomia para agir na sociedade (REICHARDT et al, 2020). Esse modelo de ensino precisa ser flexível em todos os campos, pois atende a jovens e adultos que já possuem compromissos e responsabilidades, pois esses indivíduos precisam ajudar nas despesas de suas famílias. Esses elementos influenciam as taxas de evasão escolar; porém, é necessário ser perseverante, persistente e ter foco para concluir mais essa etapa da vida. O aprendizado deve ser contínuo, pois o mundo atual sofre alterações constantes; é necessário compreender e interpretar a realidade, estar atento e preparado (REICHARDT et al, 2020).
A educação escolar deve vincular-se ao mundo do trabalho e à prática social e os conteúdos devem se aproximar da realidade do aluno. É importante que o professor conheça seus alunos individualmente, pois cada um assimila o conteúdo no seu tempo; portanto, a flexibilidade no atendimento desses alunos é importante. Para não haver evasão os conteúdos devem ser significativos, interessantes e apropriados para a turma. Deve existir uma boa relação professor-aluno, pois esse profissional é o mediador da aprendizagem; ele deve partir da reflexão sobre o mundo e si mesmo, ao mesmo tempo em que considera a diversidade desses indivíduos (ARANHA, 1997).
A educação é desenvolvida na pluralidade humana — na família desde a infância, no contato com outros sujeitos, nos grupos sociais e no trabalho. A escola, educação, família e trabalho influenciam a formação intelectual e moral. A emancipação dos indivíduos deve transformar o mundo em que eles estão inseridos. A Educação de Jovens e Adultos, enquanto processo educativo, tem um papel fundamental na socialização dos alunos. Já o trabalho, é imprescindível para o homem se manter e manter os seus entes. Ele está ligado diretamente à educação e através destes dois elementos sua transformação pessoal almejada será conquistada; desse modo, o sujeito pode desenvolver seu senso crítico, reflexivo, participativo, democrático, argumentativo, para que não sofra opressões e possa se desenvolver em todas as dimensões humanas. Assim, o conhecimento adquirido mantém-se inter relacionado com a sua vida, o que possibilita sua interferência na sociedade (REICHARDT et al, 2020).
O conteúdo pedagógico da EJA deve abranger as mesmas disciplinas da Educação Básica e com a mesma qualidade. No entanto, o diferencial deve estar na linguagem, que precisa incluir, além das suas experiências adquiridas, um vocabulário apropriado para jovens e adultos (REICHARDT et al, 2020). “O meio onde os indivíduos estão inseridos reflete bastante quem eles são, o que pensam, o que precisam e quais seus objetivos, ao formar suas identidades através de mudanças no meio social, trabalho, estudos etc”. (REICHARDT et al, 2020).
O professor alfabetizador deve utilizar além dos métodos tradicionais pedagógicos, atividades criativas para tornar o ambiente escolar aconchegante, compreensivo e significativo para os alunos, para formar estudantes autônomos dessa linguagem e da escrita. Ensinar não é somente transmitir conhecimento, mas também é aprender com os alunos e somar todo esse conhecimento em aprendizagem mútua; logo, o conhecimento não se transmite, mas se constrói (REICHARDT et al, 2020).
O educador deve procurar o melhor meio de ensinar; ele pode beneficiar-se das experiências desses sujeitos como apoio, ao conhecer os seus alunos e utilizar suas experiências no conteúdo — pois é o que eles conhecem e compreendem no momento. É fulcral realizar assimilações, ao trazer para a sala de aula suas dificuldades, interesses e condições socioeconômicas. Cabe, então, ao professor da EJA instigar seu aluno na busca contínua do conhecimento. Essa é uma forma de manter os alunos interessados e incentivá-los a continuarem seus estudos e se aprofundarem mais nos conteúdos; dessa maneira, os discentes irão adquirir uma aprendizagem significativa e maior autonomia (REICHARDT et al, 2020).
O cidadão formado pela EJA será o reflexo de um processo cognitivo, crítico e emancipatório, com base em valores como: respeito mútuo, solidariedade e justiça. Esse cidadão será um sujeito crítico, reflexivo e participativo na sociedade e que valoriza: as conquistas de outras pessoas que também buscam a aprendizagem; o compromisso com a escola pública de qualidade e, principalmente, com a ação pedagógica comprometida; a emancipação de mulheres e homens que reconhecem o valor; e o poder do conhecimento formal, o qual buscam como estratégia para uma vida melhor e mais solidária (REICHARDT et al, 2020).
A escola deve garantir o sucesso do processo de aprendizagem. Com empenho e competência técnica, deve-se transformar a vida dos alunos e formar-se um novo cidadão; ou A importância da Educação de Jovens e Adultos (EJA) seja, os interesses e necessidades das camadas populares devem ser atendidos de forma adequada (REICHARDT et al, 2020). A aprendizagem escolar só ganha sentido se possibilitar a quem aprende e a quem ensina, novas e melhores formas de compreensão e ressignificação da realidade, estimulando formas mais elaboradas de inserção no mundo social, político, econômico e do trabalho (REICHARDT et al, 2020).
A EJA NA ATUALIDADE
A sociedade passou por várias mudanças tecnológicas, industriais etc. é um desafio para o adulto voltar para a escolaridade, a EJA na atualidade se tornou muito importante para inserção deste indivíduo (OLIVEIRA et al, 2020). Na maior parte dos casos, é o migrante, com passagens curtas e não sistemática pela escola, trabalhando em ocupações urbanas não qualificadas, geralmente após trabalho rural na infância e adolescência. (LEITE, 2013, p.170).
A sociedade contemporânea cultiva e venera aspectos de vida centrados em uma eterna juventude. Adulto passa a ser sinônimo de falta de flexibilidade, resistência a novas ideias, visão retrógrada e incapacidade para acompanhar a volatilidade das mudanças em um cenário mundial pautado basicamente na informação. (ROMANZINI, 2010, p.10).
A sociedade visa à juventude, e este adulto passa a ser visto como uma pessoa que não tem novidade, flexibilidade é vista como um incapaz pois não consegue acompanhar as mudanças exigidas pela sociedade, procuram estar inseridos na escola, pois buscam uma vida melhor (OLIVEIRA et al, 2020). De acordo com Leite (2013), esses indivíduos estão incluídos no mundo do trabalho e das relações com as pessoas de maneira desigual de adolescentes e crianças, este indivíduo traz consigo vivências, e relatos de suas vidas cotidianas.
No caso do adulto que retorna a escola, pode-se dizer que, muitas vezes, sofrem uma dupla exclusão. Num primeiro momento, na infância, não podem estudar, pois precisam trabalhar para sobreviver e ajudar no sustento da família. Num segundo momento, na idade adulta, quando procuram uma escola que nem sempre está preparada para atender-se. (LEITE, 2013, p.171).
Leite (2013) menciona que, o fato do aluno que volta à escola, na maioria das vezes eles sofrem restrição, em primeiro momento não se pode estudar, em razão de que, necessitam ajudar a família no sustento da casa. E quando na fase adulta procura uma escola para voltar a estudar.
Os educadores da EJA enfrentam inúmeros desafios no desenvolvimento das suas práticas docentes, como a heterogeneidade, a evasão, a juvenilização do turno, a falta de materiais didáticos específicos, a baixa autoestima dos educandos, a rigidez institucional. Porém, em todas as situações esses educadores vão buscando caminhos alternativos que favorecem o processo de ensino, como criações próprias de cada um, diante das circunstâncias que vão enfrentando. (PORCARO, 2011, p.41).
Porcaro (2011) enfatiza que o docente enfrenta vários desafios como a falta de utensílios. O educador vem sempre buscando novos caminhos para o ensino aprendizagem, é imprescindível a afetividade na mediação do docente, pois é indispensável na atividade do mesmo. Eles lidam com indivíduos excluídos da sociedade. É importante mencionar que o jovem e adultos da atualidade necessitam de concluir o ensino regular, cada vez mais a evoluções tecnológicas e este aluno precisa ser capacitado, pois é cobrado deste indivíduo para que ele seja incluído na sociedade (OLIVEIRA et al, 2020).
Atualmente o ensino, o desenvolvimento da EJA está amplamente ligado ao processo de democracia, do direito à igualdade social, do desenvolvimento socioeconômico e político, além do critério estipulado como a visão de se viver em um mundo melhor. (RIBEIRO 2001).
Há necessidade de se estabelecer padrões de qualidade do ensino do ensino-aprendizagem, há necessidade de mensuração da eficiência dos sistemas educativos, mas, para se chegar a resultados concretos em educação, um grande conjunto de indicadores de qualidade deve ser levado em conta: a qualidade tem fatores extraescolares e intraescolares; é preciso também considerar outros critérios subjetivos, sempre deixados de lado, mas que podem ser dimensionados intencionalmente. (GADOTTI, 2010, p.17).
Existe ainda todo um critério que deve ser observado no ensino da EJA, identificando e garantindo um processo adequado de ensino-aprendizagem, não adianta nada ter políticas públicas voltada para estabelecer garantias para essa modalidade se de fato elas só existam no papel, deve-se haver uma postura diferenciada, bem como diagnósticos e compromissos com o processo de escolarização dos jovens e adultos (OLIVEIRA et al, 2020).
As novas tecnologias na educação, concernente às inúmeras possibilidades de estimular o estudante a utilizar em favor da sua própria aprendizagem. Porque nesse contexto, o conhecimento não é algo estanque, mas circula constantemente nas inúmeras mídias que a cada dia surgem com o avanço da ciência e está sendo acessível a uma grande gama de estudantes. A educação tem que caminhar ativamente no contexto dessas novas formas tecnológicas que os alunos estão inseridos (NASCIMENTO, 2022).
Como bem enfatiza Paiva (2018, p. 3) sobre a utilização das novas tecnologias na educação:
Uma recente pesquisa divulgada pelo The New Media Consortium (NMC, 2017) mostrou que, segundo o Fórum Mundial Econômico, entre as competências relacionadas ao letramento digital, a criatividade ocupará a 3ª posição dos empregos do futuro em 2020. Se compararmos com os resultados divulgados desse estudo em 2016, essa competência ocupava a 20ª posição. O estudo deste ano mostra ainda que ‛já não é mais aceitável que os alunos sejam consumidores passivos de conteúdo’ (NMC, 2017, p.2). Por isso, para um aprendizado efetivo em letramento digital, os alunos devem ser vistos como criadores (NMC, 2017, p. 2).
Fica evidente aqui nesta competência, assim como nas demais, que o conhecimento tem como meta desenvolver no discente maior autonomia e protagonismo na vida social, ou seja, conhecimento que não fique somente na abstração, mas que venha contribuir na vida do sujeito que a detém assim como na sociedade de forma geral (NASCIMENTO, 2022).
A metodologia ativa está dentro das propostas da BNCC, quando estabelece que o conhecimento, principalmente escolares, devem ser desenvolvidos com maior autonomia e protagonismo na vida social por parte dos alunos (NASCIMENTO, 2022).
Dessa maneira, assim como na BNCC, Silva et al (2017, p.14) reforçam que:
A aprendizagem na sociedade do conhecimento pressupõe um aprendiz autônomo, crítico e formador de opinião. Essas metodologias utilizam-se da problematização como meta para motivar o aprendiz a desenvolver reflexões de ideias mediante ao problema apresentado, relacionando sua história e passando a ressignificar as suas descobertas para aplicá-lo na prática. Frente à problematização, o aprendiz reflete sobre a informação produzindo o conhecimento com o objetivo de solucionar as dúvidas e inquietações referentes aos problemas, promovendo, assim, o seu próprio desenvolvimento a partir da construção e reconstrução do saber.
O ensino baseado em metodologias ativas, dá oportunidade de o aluno tornar- se mais ciente ao participar ativamente de sua própria aprendizagem. Também chama a atenção, concernente ao ensino baseado em metodologia ativa, a última competência que enfatiza a mobilização da cultura digital de diferentes linguagens, mídias e ferramentas digitais para que possa produzir sentidos tanto da compreensão quanto da produção e assim aprender a refletir sobre o mundo e realizar diferentes projetos autorais (NASCIMENTO, 2022).
PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
A presente pesquisa deu-se na Escola Municipal Alegria do Saber localizada no Município do Rio Preto da Eva-Amazonas/Brasil. A Escola interage com a sociedade de forma contínua atendendo os anseios da Comunidade Escolar e, amplia cada vez mais objetivando a promoção efetiva da aprendizagem dos alunos de modo a torná-los capazes de enfrentar adequadamente os desafios da sociedade atual. A presente investigação teve como objetivo relatar as ações desenvolvidas pela para conter a evasão na EJA. A Escola Municipal Alegria de Saber funciona nos três turnos: matutino e vespertino com Ensino Fundamental - Anos Finais - e noturno com a modalidade de Educação de Jovens e Adultos - Fundamental e Médio.
A pesquisa teve característica descritiva interpretativa realizar as análises de causa-efeito tendo como processo sequencial as amostragens dedutivas para dados comprobatórios da exploração dos fenômenos em profundidade, basicamente conduzido em um ambiente escolar, os significados serão extraídos dos dados coletados, sendo seu benefício preciso. Creswell (2005 e 2009). O enfoque, trata-se de uma abordagem quantitativa, adotando como procedimento técnico pesquisa documental e levantamento operacionalizado através de análises. Deste modo, através da classificação das fontes possibilita a realização de um julgamento qualitativo complementado por “estudo estatístico comparado” (FONSECA, 1986).
A coleta de informações em uma pesquisa é um procedimento destinado a reunir dados que sustentem uma questão proposta. Para isso, são empregadas metodologias de investigação. A organização dos dados tem como função primordial orientar o percurso da pesquisa. Esse levantamento pode ser realizado por meio de diferentes abordagens na pesquisa exploratória. A meta desse tipo de investigação é buscar padrões, conceitos ou suposições. O foco não está em validar ou refutar uma hipótese específica, mas em promover novas descobertas, neste sentido foram aplicados questionários, bem como foram realizadas entrevistas com professores. Junto a secretaria da escola foram levantados informações acerca da infraestrutura da escola e junto ao setor pedagógico foram coletadas informações disponíveis no Projeto Político Pedagógico da Escola.
RESULTADO E DISCUSSÕES
A Educação de Jovens e Adultos (EJA) aborda a demanda educacional no Brasil ao oferecer aos indivíduos em situação de vulnerabilidade ou que não tiveram a chance de aprender na idade apropriada, a possibilidade de se integrar ao sistema escolar público e completar a Educação Básica, incluindo o Ensino Médio. A EJA tem como objetivo ser uma forma de ensino que se adapta à realidade dos alunos, utilizando materiais que estimulem o pensamento crítico dos estudantes e promovam sua participação ativa na sociedade, além de contribuir para o desenvolvimento de sua cidadania. Lamentavelmente, a Educação de Jovens e Adultos (EJA) não recebeu a devida atenção das políticas educacionais no Brasil e, ao longo do tempo, frequentemente foi negligenciada. Essa situação tem dificultado seu crescimento adequado, resultando em desafios significativos para a implementação de um trabalho eficaz e consistente na EJA até hoje.
A inserção sociocultural do indivíduo está intimamente ligada à educação, que se configura como um caminho viável para a preparação para o mercado de trabalho. Na sociedade contemporânea, marcada pelo avanço tecnológico, o conhecimento se torna o ativo fundamental, uma vez que as inovações exigem cada vez mais que os cidadãos estejam qualificados e habilitados para desempenhar suas funções profissionais. A Educação de Jovens e Adultos (EJA) é uma abordagem educacional emergente no Brasil, destinada a oferecer uma chance a aqueles que não conseguiram finalizar a Educação Básica na idade apropriada. Essa nova possibilidade para concluir a Educação Básica demanda que os alunos retornem ao ambiente escolar a fim de receber uma formação ajustada à sua faixa etária. Quando se perguntou dos professores quais ações a escola desenvolve para minimizar a evasão escolar eles responderam que:
FIGURA 01: MÉTODOS DOS PROFESSORES PARA REDUZIR A EVASÃO NA
EJA
Fonte: A pesquisadora (2024)
Como comprovado, os educadores procuram sim desenvolver técnicas pedagógicas que possam minimizar a evasão dos alunos na turma da EJA, desenvolvendo buscas ativas, tornando as aulas mais inovadoras, e realizando as atividades extracurriculares depois ficam monitorando o aprendizado. Uma das causas da desistência escolar é exatamente a sensação de não pertencer à escola. Junto aos episódios de violência no ambiente educacional, racismo e bullying, essa informação destaca a forte influência do ambiente escolar. Torna-se relevante a escola promover iniciativas de acolhimento, como encontros informais e recepções calorosas na entrada da escola. Fortaleça a cultura do respeito, da empatia e da tolerância.
Os estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) chegam com suas experiências, acreditando que a escola será semelhante àquela que já conheceram. No entanto, se deparam com um modelo diferente, em que o educador desempenha um papel distinto, não sendo apenas o portador do conhecimento e os alunos, simples receptores.
Esse modelo tradicional é superado, dando lugar a uma nova proposta pedagógica onde os alunos se tornam protagonistas em sua própria aprendizagem, atuando ativamente na conquista de sua educação e autonomia. A prática educacional envolve compreender a história e as vivências dos estudantes, reconhecendo seus valores e as motivações que os levaram a retomar os estudos, além de sua cultura e o conhecimento prático que carregam ao longo da vida. Esses saberes acumulados são fundamentais para a interação entre professores e alunos, sendo a construção do currículo da EJA uma tarefa que deve ser contextualizada, representando um desafio e uma oportunidade de crescimento para ambos, que busca ampliar seus conhecimentos a partir de realidades concretas, consolidando aprendizagens anteriores e reforçando a autoconfiança dos educandos.
Quando o estudante da Educação de Jovens e Adultos (EJA) compreende que a educação é a chave para abrir portas e conquistar oportunidades, certamente será motivado a buscar o aprendizado com plena consciência de que isso lhe oferecerá chances de se candidatar a empregos em igualdade de condições com os demais. Ele deixará de sentir-se inferior, começará a se valorizar e a se enxergar como um cidadão com responsabilidades e direitos, ciente da importância de lutar por seus sonhos e objetivos.
O adulto em fase de aprendizagem costuma demonstrar a habilidade de ser responsável por suas ações e declarações, além de lidar com as obrigações que surgem nas diversas situações da vida. A predominância do pensamento lógico é uma característica significativa que diferencia os adultos; ao contrário dos jovens e das crianças, o adulto geralmente observa o mundo e os eventos com uma perspectiva mais objetiva, o que lhe permite tomar decisões guiadas principalmente pela razão. Na Educação de Jovens e Adultos (EJA), os estudantes se dão conta de que agir apenas com base nas emoções não é mais viável. Suas condutas devem ser fundamentadas no raciocínio e na lógica, pois as emoções não devem influenciar as decisões. Os alunos da EJA precisam estar preparados para entender seu papel na sociedade, onde é fundamental ter uma visão clara e consciente de suas responsabilidades diante das mudanças que cada um pode promover.
Eles são participantes ativos em uma sociedade que, muitas vezes, é injusta com aqueles que se calam em momentos que exigem uma posição ou opinião que possa contribuir para a transformação em prol de um mundo mais equitativo. De acordo com Costa (2007, p. 32), a EJA deve encontrar seu espaço e trabalhar efetivamente com seu público, “buscando o direito que lhes foi negado e criando condições para que tenham acesso a uma escola diferenciada que se empenhe na formação de cidadãos autônomos e críticos.”.
Ficou comprovado que é relevante o professor desenvolver um currículo que leve em conta a realidade dos estudantes e seu contexto social. Além disso, é essencial promover um trabalho que integre diferentes disciplinas, possibilitando aos alunos uma melhor inserção na sociedade e uma capacidade de enfrentar as adversidades que os mantiveram à margem da educação, da pobreza e da exclusão. A percepção do professor é crucial nesse processo, já que cada turma representa uma nova conjuntura.
Lidar com essa situação exige a busca por soluções inovadoras. Ninguém consegue implementar uma teoria que não seja a sua própria. Quando se tenta aplicar a teoria de outra pessoa, essa deixa de ser uma teoria e se torna uma fórmula. O educador deve estar receptivo a novas vivências e adotar um modo de viver que considere as realidades e necessidades dos alunos em seus planejamentos. Trabalhar de forma alinhada com a realidade só é viável quando se possui um currículo que respeite e valorize as particularidades de cada estudante (BARRETO; BARRETO, 2010, p.85).
Portanto, a abordagem pedagógica do educador na EJA deve promover a libertação de todas as formas de exclusão presentes na vida dos alunos ao ingressarem na escola, além de estar alinhada à realidade dos educandos. Os conteúdos abordados precisam estar conectados às experiências dos alunos, que enfrentam diversas dificuldades e desafios, sendo necessário dar espaço a essas realidades. Outro aspecto crucial é a interação entre professor e aluno, onde ambos colaboram na construção do conhecimento, evitando que a sala de aula seja um espaço de exclusão, hierarquia ou autoritarismo por parte do professor. Esse tipo de ambiente apenas incentivará a evasão dos alunos na EJA.
Compreender os diferentes perfis dos estudantes é essencial para proporcionar uma prática pedagógica eficaz e uma aprendizagem que ressoe com a realidade deles. Para o professor, essa compreensão funciona como um facilitador na elaboração do currículo de sua prática docente, possibilitando alcançar os resultados esperados, onde os alunos se percebam como indivíduos com direitos e deveres, cientes de que, por meio do conhecimento adquirido, são capazes de conquistar um espaço que seja digno e respeitado.
Atualmente, há pouca relação entre teoria e prática nos processos educativos de jovens e adultos; as atividades de aprendizagem não são desenvolvidas em torno de uma teoria, mas baseadas em postulados das mais diversas disciplinas e correntes científicas. Até agora, o trabalho do educador não passou de uma "prática-prática", que não questiona sua finalidade, nem os modelos teóricos de que deriva, muito menos adota uma crítica à instituição, à própria prática que nela se desenvolve, nem da sociedade em que está imersa e à qual serve (PIERRO, 2005).
O cotidiano escolar está marcado por uma complexa rede de representações sociais que outorga sentido aos sentimentos, valores e processos vividos por cada um. Os saberes que conferem significados às ações dos professores são compartilhados coletivamente possibilitando a circulação das representações sociais na esfera educacional. Os saberes compartilhados por uma comunidade, por um grupo social específico, constituem o meio ambiente simbólico dessa comunidade.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A presente obra teve como objetivo relatar as ações desenvolvidas pelos professores que ministram aulas para as turmas de Jovens e Adultos (EJA) da Escola Municipal Alegria de Saber, Município de Rio Preto da Eva-Amazonas/Brasil, no período de 2023-2024 para conter a evasão na EJA dos estudantes.
O papel da escola no combate à evasão escolar está justamente em acompanhar a frequência e o engajamento dos alunos. Esse acompanhamento permite que alunos que vivem em problemas diversos que acarreta no ensino possam ser identificados e encaminhados a órgãos competentes
É responsabilidade da escola refletir sobre suas abordagens de ensino e atividades educacionais, revisar antigos conceitos e desenvolver um projeto que faça com que os alunos se sintam motivados com as oportunidades que a escola proporciona. Assim, eles terão a chance de escolher continuar na sala de aula, superando os desafios que surgem e reconhecendo a importância do processo de ensino-aprendizagem para seu desenvolvimento pessoal e profissional.
É essencial compreender as várias razões que podem desestimular os alunos no contexto escolar e, em seguida, criar estratégias para mitigar esse problema. Melhorar a comunicação com os pais é crucial para garantir seu apoio e encorajá-los a manter seus filhos no ambiente escolar, além de acompanhar o progresso dos estudantes. O professor deve possuir a habilidade e a dedicação necessárias para isso. Fomentar a interação no espaço educacional é importante para estabelecer uma melhor conexão com os alunos. Implementar metodologias inovadoras e desenvolver aulas criativas que despertem o interesse pelos estudos também é fundamental. Por fim, é necessário que o educador utilize a tecnologia de maneira inteligente, a fim de acrescentar valor ao processo de ensino e aprendizagem
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Artigo extraído, da dissertação de Mestrado apresentado a Facultad de Posgrado em Maestría en Ciencias de la Educación em la Universidad de la Integración de las Américas – UNIDA, Localizada na Cidad del Este - Paraguai, para obtenção do título de Mestre em Ciência da Educação no ano de 2025. ↑
Mestra em Ciência da Educação pela Universidad de La Integración De Las Américas – UNIDA/PY. ↑

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