O uso da musicoterapia na regulação emocional de indivíduos com Esquizofrenia
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.
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RESUMO

A esquizofrenia constitui um transtorno mental crônico e complexo, caracterizado por alterações cognitivas, emocionais, comportamentais e sociais que comprometem significativamente a funcionalidade e a qualidade de vida dos indivíduos acometidos. Nesse contexto, a musicoterapia vem se destacando como uma importante estratégia terapêutica complementar, especialmente por favorecer a expressão emocional, a comunicação e a reinserção psicossocial. O presente estudo teve como objetivo analisar o uso da musicoterapia na regulação emocional, comportamental e social de indivíduos com esquizofrenia, considerando seus impactos na redução de sintomas, na melhoria da comunicação e na promoção da interação social. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, de abordagem qualitativa, fundamentada em estudos científicos relacionados à musicoterapia, esquizofrenia e terapias expressivas. Os resultados evidenciaram que a musicoterapia contribui significativamente para a redução dos sintomas negativos da esquizofrenia, como apatia, isolamento social e déficit de comunicação, além de promover melhorias em funções cognitivas, como memória, atenção e linguagem. Observou-se também impacto positivo na cognição social, no fortalecimento de vínculos interpessoais e na reinserção psicossocial dos pacientes, especialmente em contextos de atenção psicossocial. Ademais, verificou-se que a integração entre musicoterapia e arteterapia potencializa os efeitos terapêuticos, favorecendo abordagens mais humanizadas e centradas na subjetividade do indivíduo. Conclui-se que a musicoterapia representa uma ferramenta terapêutica relevante e eficaz no cuidado em saúde mental, contribuindo para intervenções mais integrais, expressivas e humanizadas no tratamento da esquizofrenia.

Palavras-chave: Esquizofrenia; Musicoterapia; Saúde mental; Regulação emocional; Reinserção psicossocial.

ABSTRACT

Schizophrenia is a chronic and complex mental disorder characterized by cognitive, emotional, behavioral, and social impairments that significantly affect individuals’ functionality and quality of life. In this context, music therapy has emerged as an important complementary therapeutic strategy, particularly due to its potential to promote emotional expression, communication, and psychosocial reintegration. This study aimed to analyze the use of music therapy in the emotional, behavioral, and social regulation of individuals with schizophrenia, considering its effects on symptom reduction, communication improvement, and social interaction. This research consists of an integrative literature review with a qualitative approach, based on scientific studies related to music therapy, schizophrenia, and expressive therapies. The findings demonstrated that music therapy significantly contributes to the reduction of negative symptoms of schizophrenia, such as apathy, social isolation, and communication deficits, while also promoting improvements in cognitive functions, including memory, attention, and language. Positive effects were also observed in social cognition, interpersonal bonding, and psychosocial reintegration, especially in psychosocial care settings. Furthermore, the integration of music therapy and art therapy was found to enhance therapeutic outcomes by encouraging more humanized and subject-centered approaches. It is concluded that music therapy represents a relevant and effective therapeutic tool in mental health care, contributing to more comprehensive, expressive, and humanized interventions in the treatment of schizophrenia.

Keywords: Schizophrenia; Music therapy; Mental health; Emotional regulation; Psychosocial reintegration.

1 INTRODUÇÃO

A esquizofrenia é um transtorno mental grave, crônico e multifatorial, caracterizado por alterações significativas no pensamento, na percepção e no comportamento, incluindo sintomas como delírios, alucinações, desorganização do discurso e prejuízos nas funções cognitivas e sociais (SILVA et al., 2016). Trata-se de uma condição que impacta profundamente a vida do indivíduo, comprometendo sua autonomia, relações interpessoais e inserção social, configurando-se como um importante problema de saúde pública devido à sua prevalência e aos prejuízos funcionais associados.

Embora o tratamento medicamentoso, especialmente por meio de antipsicóticos, seja fundamental para o controle dos sintomas positivos da esquizofrenia, observa-se que tais intervenções apresentam limitações significativas no manejo dos sintomas negativos e dos déficits cognitivos, além de possíveis efeitos colaterais que dificultam a adesão ao tratamento (CAETANO et al., 2025). Nesse contexto, torna-se imprescindível a adoção de abordagens terapêuticas complementares que considerem o sujeito em sua dimensão biopsicossocial, promovendo não apenas a redução dos sintomas, mas também a melhoria da qualidade de vida e a reinserção social.

Dentre essas abordagens, destaca-se a musicoterapia, definida como a utilização sistematizada da música e de seus elementos como ritmo, melodia e harmonia com objetivos terapêuticos, conduzida por profissional qualificado, visando à promoção da saúde física, emocional, cognitiva e social dos indivíduos (MELOS; MELLO, 2019). A musicoterapia configura-se como uma prática que integra aspectos científicos, artísticos e clínicos, permitindo o acesso a conteúdos subjetivos por meio de uma linguagem não verbal, especialmente relevante em contextos em que há comprometimento da comunicação, como na esquizofrenia.

Estudos recentes têm demonstrado que a musicoterapia apresenta efeitos significativos no tratamento de transtornos mentais, contribuindo para a redução da ansiedade, depressão e afeto negativo, além de promover melhorias na comunicação, autoestima e bem-estar geral (ALVES JUNIOR; BORGES; BLANCH, 2022). No caso específico da esquizofrenia, evidências apontam que essa intervenção pode atuar diretamente na redução dos sintomas negativos, no aprimoramento das funções cognitivas como atenção, memória e linguagem e no fortalecimento das habilidades sociais, favorecendo a reinserção psicossocial do indivíduo (CAETANO et al., 2025).

Além disso, a música possui um impacto direto no funcionamento cerebral, envolvendo múltiplas áreas encefálicas relacionadas às emoções, cognição e comportamento, incluindo o sistema límbico, o córtex pré-frontal e regiões temporais (ALVES JUNIOR; BORGES; BLANCH, 2022). Essa característica confere à musicoterapia um importante potencial neuropsicológico, sendo capaz de estimular a plasticidade cerebral e modular processos emocionais e comportamentais, aspectos frequentemente comprometidos em indivíduos com esquizofrenia.

Outro aspecto relevante refere-se à cognição social, frequentemente prejudicada nesse transtorno, dificultando a interpretação de emoções, a empatia e a interação social. Nesse sentido, práticas musicoterapêuticas, especialmente aquelas realizadas em grupo, favorecem a comunicação não verbal, a troca de experiências e o desenvolvimento de habilidades interpessoais, contribuindo para a reconstrução dos vínculos sociais (MORIÁ; SAMPAIO, 2021).

Paralelamente, outras práticas terapêuticas expressivas, como a arteterapia, também têm se mostrado eficazes no campo da saúde mental, atuando como ferramentas complementares no processo de cuidado. A arteterapia permite a expressão simbólica de conteúdos emocionais e inconscientes, possibilitando ao indivíduo acessar e ressignificar experiências subjetivas que muitas vezes não podem ser verbalizadas (MOREIRA et al., 2026). No contexto da esquizofrenia, essa abordagem contribui para a melhora da autoestima, da consciência emocional e das habilidades sociais, além de favorecer a reintegração do indivíduo ao meio social (SOUSA; ANDRADE, 2020).

Dessa forma, tanto a musicoterapia quanto a arteterapia se inserem como estratégias terapêuticas relevantes dentro de uma perspectiva de cuidado integral, alinhada às diretrizes da reforma psiquiátrica e às práticas desenvolvidas em dispositivos como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), que priorizam a humanização do cuidado e a reinserção social dos indivíduos em sofrimento psíquico (VALLADARES-TORRES; SILVA, 2025).

Diante desse cenário, o presente estudo tem como objetivo analisar o uso da musicoterapia como estratégia terapêutica na regulação emocional, comportamental e social de indivíduos com esquizofrenia, considerando seus impactos na redução de sintomas, na melhoria da comunicação e na promoção da reinserção psicossocial. Busca-se, ainda, compreender os mecanismos envolvidos nessa intervenção, bem como suas aplicações práticas e sua eficácia no contexto da saúde mental.

2 REVISÃO DA LITERATURA

2.1 Esquizofrenia: aspectos clínicos, sociais e terapêuticos

A esquizofrenia configura-se como um transtorno psiquiátrico complexo, caracterizado por alterações profundas nos processos cognitivos, emocionais e comportamentais, afetando significativamente a percepção da realidade e a organização do pensamento do indivíduo (SILVA et al., 2016). Entre suas principais manifestações clínicas, destacam-se os sintomas positivos como delírios e alucinações, os sintomas negativos como apatia, isolamento social e redução da expressividade emocional, além de déficits cognitivos que comprometem funções como atenção, memória e linguagem (RODRIGUES et al., 2018).

A etiologia da esquizofrenia é multifatorial, envolvendo fatores genéticos, neurobiológicos e ambientais. Alterações nos sistemas de neurotransmissores, especialmente no sistema dopaminérgico, estão entre as hipóteses mais aceitas para explicar o desenvolvimento do transtorno, associando-se a disfunções nos circuitos cerebrais responsáveis pelo processamento emocional e social (RODRIGUES et al., 2018). Ademais, alterações na cognição social entendida como a capacidade de interpretar emoções, intenções e comportamentos de outros indivíduos são frequentemente observadas em pacientes esquizofrênicos, impactando diretamente suas relações interpessoais e sua inserção social (MORIÁ; SAMPAIO, 2021).

No âmbito terapêutico, o tratamento da esquizofrenia baseia-se predominantemente no uso de medicamentos antipsicóticos, que apresentam eficácia sobretudo na redução dos sintomas positivos. Entretanto, tais intervenções demonstram limitações importantes no manejo dos sintomas negativos e dos déficits cognitivos, além de possíveis efeitos adversos que podem comprometer a adesão ao tratamento (CAETANO et al., 2025). Diante dessas limitações, evidencia-se a necessidade de abordagens complementares que contemplem o sujeito em sua integralidade, incluindo intervenções psicossociais e terapias expressivas.

Nesse contexto, estratégias terapêuticas desenvolvidas em serviços como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) têm ganhado destaque, priorizando a reinserção social, o fortalecimento de vínculos e a promoção da autonomia dos indivíduos em sofrimento psíquico (VALLADARES-TORRES; SILVA, 2025). Tais abordagens reforçam a importância de práticas que ultrapassem a lógica exclusivamente biomédica, incorporando dimensões subjetivas, sociais e culturais no processo de cuidado.

2.2 Musicoterapia: conceitos, fundamentos e aplicações

A musicoterapia é definida como o uso profissional da música e de seus elementos como ritmo, melodia, harmonia e timbre com finalidade terapêutica, sendo conduzida por profissional qualificado e fundamentada em conhecimentos interdisciplinares que envolvem áreas como psicologia, neurociência e saúde (MELOS; MELLO, 2019). Trata-se de uma abordagem que transcende a simples utilização da música como recurso recreativo, configurando-se como um processo terapêutico estruturado, com objetivos clínicos definidos e metodologia própria.

Do ponto de vista teórico, a musicoterapia integra dimensões emocionais, cognitivas e sociais, possibilitando a expressão subjetiva e a comunicação não verbal, especialmente relevante em contextos clínicos em que a linguagem verbal se encontra comprometida. A música, nesse sentido, atua como mediadora da experiência terapêutica, favorecendo a externalização de emoções, a construção de significados e o fortalecimento de vínculos interpessoais (MOURA COSTA, 2024).

Além disso, a musicoterapia pode ser aplicada de diferentes formas, incluindo intervenções receptivas em que o paciente escuta a música e intervenções ativas em que há participação direta na produção musical, como canto, improvisação ou composição (CAETANO et al., 2025). Essas modalidades permitem adaptar a intervenção às necessidades específicas de cada indivíduo, ampliando suas possibilidades terapêuticas.

No campo da saúde mental, evidências indicam que a musicoterapia contribui para a melhora da autoestima, da comunicação e do bem-estar psicológico, além de atuar na redução de sintomas como ansiedade e depressão (ALVES JUNIOR; BORGES; BLANCH, 2022). Dessa forma, consolida-se como uma ferramenta relevante no cuidado integral, especialmente quando integrada a outras abordagens terapêuticas.

2.3 Bases neurocientíficas da música e seus efeitos no cérebro

A compreensão dos efeitos da musicoterapia no tratamento de transtornos mentais está diretamente relacionada aos avanços da neurociência, que evidenciam a ampla participação da música no funcionamento cerebral. A percepção musical envolve múltiplas áreas encefálicas, incluindo o córtex pré-frontal, os lobos temporais, o cerebelo e estruturas do sistema límbico, responsáveis pelo processamento emocional (ALVES JUNIOR; BORGES; BLANCH, 2022).

Essa ativação neural integrada demonstra que a música não atua apenas como estímulo sensorial, mas como um fenômeno complexo capaz de mobilizar processos cognitivos, afetivos e comportamentais simultaneamente. A interação entre áreas cerebrais relacionadas à emoção e à cognição permite que a música influencie diretamente a regulação emocional, a memória e a tomada de decisões.

Além disso, estudos apontam que intervenções musicoterapêuticas podem promover alterações estruturais e funcionais no cérebro, como o aumento da conectividade neural e da plasticidade cerebral, contribuindo para a reorganização de circuitos comprometidos em transtornos mentais (ALVES JUNIOR; BORGES; BLANCH, 2022). Esses achados reforçam o potencial da musicoterapia como ferramenta terapêutica capaz de produzir efeitos duradouros no funcionamento psíquico.

Outro aspecto relevante refere-se à relação entre música e cognição social. Pesquisas indicam que os processos envolvidos na percepção musical compartilham circuitos neurobiológicos com aqueles responsáveis pela interpretação de emoções e comportamentos sociais, sugerindo que a música pode atuar como facilitadora das interações sociais (MORIÁ; SAMPAIO, 2021).

2.4 Musicoterapia no tratamento da esquizofrenia

A aplicação da musicoterapia no contexto da esquizofrenia tem sido amplamente investigada, com evidências consistentes de seus benefícios no tratamento complementar desse transtorno. Estudos indicam que a musicoterapia contribui significativamente para a redução dos sintomas negativos, como apatia, isolamento social e déficit de comunicação, os quais apresentam maior resistência às intervenções farmacológicas (RODRIGUES et al., 2018).

Além disso, a prática musicoterapêutica promove melhorias nas funções cognitivas, incluindo atenção, memória de trabalho, linguagem e funções executivas, aspectos frequentemente comprometidos em indivíduos com esquizofrenia (CAETANO et al., 2025). Tais efeitos estão associados à ativação de múltiplas redes neurais e à estimulação da neuroplasticidade, contribuindo para a reorganização funcional do cérebro.

No âmbito emocional, a musicoterapia favorece a expressão de sentimentos, a redução da ansiedade e do afeto negativo, além de promover o aumento da autoestima e do bem-estar psicológico (CAETANO et al., 2025). Esses aspectos são fundamentais para a melhoria da qualidade de vida dos pacientes, especialmente considerando o impacto emocional do transtorno.

Outro ponto relevante refere-se à promoção da interação social. A participação em atividades musicoterapêuticas, especialmente em grupo, estimula a comunicação, o compartilhamento de experiências e o desenvolvimento de habilidades sociais, favorecendo a reinserção psicossocial dos indivíduos (MORIÁ; SAMPAIO, 2021). Estudos indicam, inclusive, melhorias significativas no desempenho social e ocupacional de pacientes submetidos a intervenções musicoterapêuticas (CAETANO et al., 2025).

Dessa forma, a musicoterapia se configura como uma intervenção complementar eficaz, atuando em dimensões que extrapolam o alcance do tratamento medicamentoso, contribuindo para um cuidado mais integral e humanizado.

2.5 Arteterapia como estratégia complementar na saúde mental

A arteterapia consiste na utilização de processos artísticos como pintura, desenho, escultura e colagem como meios terapêuticos de expressão e elaboração emocional, configurando-se como uma prática integrativa amplamente utilizada no campo da saúde mental (BUENO; BRIDI FILHO, 2019). Essa abordagem permite o acesso a conteúdos subjetivos e inconscientes, facilitando a ressignificação de experiências emocionais por meio de uma linguagem simbólica não verbal (MOREIRA et al., 2026).

No contexto dos transtornos mentais, a arteterapia tem demonstrado eficácia na redução de sintomas como ansiedade, depressão e sofrimento psíquico, além de promover o autoconhecimento e o fortalecimento da autonomia dos indivíduos (BUENO; BRIDI FILHO, 2019). Estudos indicam, ainda, que essa abordagem contribui para a melhora da expressão emocional, da autoestima e das habilidades sociais.

Especificamente em relação à esquizofrenia, a arteterapia apresenta benefícios significativos, auxiliando na organização psíquica, na expressão de conteúdos internos e no desenvolvimento de habilidades interpessoais, além de favorecer a reintegração social dos pacientes (SOUSA; ANDRADE, 2020). Ademais, evidências apontam sua atuação na redução de sintomas positivos e negativos, bem como de sintomas depressivos e ansiosos (MOREIRA et al., 2026).

A inserção da arteterapia em serviços como os CAPS reforça sua importância no contexto da reabilitação psicossocial, promovendo espaços de expressão, criatividade e construção de vínculos, fundamentais para o cuidado em saúde mental (VALLADARES-TORRES; SILVA, 2025).

Nesse sentido, a arteterapia, assim como a musicoterapia, contribui para a ampliação das possibilidades terapêuticas, favorecendo uma abordagem integral que considera o sujeito em sua complexidade e singularidade.

3 METODOLOGIA

O presente estudo caracteriza-se como uma pesquisa de natureza qualitativa, com delineamento de revisão integrativa da literatura, tendo como objetivo reunir, analisar e sintetizar produções científicas acerca do uso da musicoterapia na regulação emocional, comportamental e social de indivíduos com esquizofrenia.

A revisão integrativa consiste em um método que possibilita a sistematização e a análise crítica do conhecimento já produzido sobre determinado tema, permitindo a construção de um panorama abrangente e atualizado da literatura científica (CAETANO et al., 2025). Tal abordagem mostra-se adequada ao presente estudo, considerando a necessidade de integrar diferentes perspectivas teóricas e empíricas sobre a musicoterapia e sua aplicação no contexto da saúde mental.

A construção da pesquisa foi realizada a partir da análise de artigos científicos previamente selecionados pelo pesquisador, organizados em categorias temáticas, a saber: musicoterapia, esquizofrenia, musicoterapia aplicada à esquizofrenia e arteterapia. Essa categorização permitiu uma análise mais sistemática e coerente dos conteúdos, favorecendo a articulação entre os diferentes eixos teóricos que compõem o objeto de estudo.

Os critérios de inclusão dos materiais analisados consistiram em: artigos científicos completos, publicados em periódicos acadêmicos, com relevância temática direta para o objeto de estudo, abordando aspectos clínicos, neuropsicológicos, terapêuticos ou sociais relacionados à musicoterapia, esquizofrenia e arteterapia. Foram excluídos materiais que não apresentavam relação direta com a temática proposta ou que não possuíam fundamentação científica consistente.

A análise dos dados foi realizada por meio de leitura exploratória, seletiva e interpretativa dos textos, buscando identificar categorias de análise relacionadas aos objetivos do estudo, tais como: efeitos da musicoterapia nos sintomas da esquizofrenia, impacto nas funções cognitivas, regulação emocional, interação social e reinserção psicossocial. Posteriormente, os dados foram organizados de forma temática, possibilitando a construção da discussão articulada entre os diferentes estudos.

Destaca-se que todos os dados e informações utilizados neste trabalho foram extraídos exclusivamente dos materiais analisados, respeitando os princípios éticos da pesquisa científica e assegurando a fidedignidade das informações apresentadas.

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

A análise dos estudos selecionados permitiu identificar que a musicoterapia se apresenta como uma estratégia terapêutica relevante no tratamento da esquizofrenia, atuando de forma complementar às intervenções tradicionais e contribuindo para a melhoria de diversos aspectos clínicos, cognitivos e psicossociais.

4.1 Efeitos da musicoterapia na redução de sintomas da esquizofrenia

Os estudos analisados evidenciam que a musicoterapia exerce impacto significativo na redução dos sintomas da esquizofrenia, especialmente os sintomas negativos, como apatia, isolamento social e diminuição da expressividade emocional (RODRIGUES et al., 2018). Esses sintomas, frequentemente resistentes ao tratamento medicamentoso, representam um dos principais desafios clínicos no manejo do transtorno.

Além disso, observou-se que a musicoterapia contribui para a redução de sintomas associados, como ansiedade, depressão e afeto negativo, promovendo melhora no bem-estar psicológico dos indivíduos (CAETANO et al., 2025). Tais efeitos reforçam o papel dessa intervenção como um recurso terapêutico eficaz na promoção da saúde mental.

A atuação da musicoterapia nesse contexto está relacionada à sua capacidade de acessar dimensões emocionais profundas, permitindo a expressão de sentimentos e a elaboração de conteúdos psíquicos que muitas vezes não são verbalizados, especialmente em indivíduos com comprometimento da comunicação.

4.2 Impactos na regulação emocional e expressão subjetiva

A música, enquanto linguagem não verbal, possibilita a externalização de emoções e a construção de significados subjetivos, favorecendo a regulação emocional dos indivíduos em sofrimento psíquico. Nesse sentido, a musicoterapia atua como mediadora entre o mundo interno e externo do sujeito, permitindo a expressão de conteúdos afetivos de forma simbólica (MOURA COSTA, 2024).

Essa característica é particularmente relevante no contexto da esquizofrenia, em que há dificuldades na expressão verbal e na organização do pensamento. A prática musicoterapêutica favorece a comunicação emocional, contribuindo para a redução da ansiedade e para o desenvolvimento de maior consciência emocional.

Além disso, a experiência musical proporciona vivências de prazer e satisfação, associadas à ativação de sistemas neurais ligados à recompensa, o que pode contribuir para a redução de estados de apatia e desmotivação frequentemente observados nesses pacientes.

4.3 Efeitos cognitivos e neuropsicológicos da musicoterapia

Os achados evidenciam que a musicoterapia exerce influência significativa sobre funções cognitivas, promovendo melhorias em áreas como atenção, memória de trabalho, linguagem e funções executivas (CAETANO et al., 2025). Tais efeitos estão diretamente relacionados à ativação de múltiplas áreas cerebrais durante o processamento musical, incluindo regiões associadas à cognição, emoção e comportamento (ALVES JUNIOR; BORGES; BLANCH, 2022).

Adicionalmente, estudos indicam que a prática musicoterapêutica pode promover alterações estruturais e funcionais no cérebro, como o aumento da conectividade neural e da plasticidade cerebral, contribuindo para a reorganização de circuitos comprometidos em transtornos mentais (ALVES JUNIOR; BORGES; BLANCH, 2022).

Esses resultados reforçam o potencial da musicoterapia como intervenção capaz de atuar não apenas nos sintomas, mas também nos mecanismos neuropsicológicos subjacentes à esquizofrenia, ampliando suas possibilidades terapêuticas.

4.4 Promoção da interação social e reinserção psicossocial

Outro aspecto relevante identificado refere-se ao impacto da musicoterapia na promoção da interação social. As atividades musicoterapêuticas, especialmente em grupo, favorecem a comunicação, a cooperação e o compartilhamento de experiências, contribuindo para o desenvolvimento de habilidades sociais (MORIÁ; SAMPAIO, 2021).

A melhoria dessas habilidades está diretamente relacionada à cognição social, frequentemente prejudicada em indivíduos com esquizofrenia. A prática musical em grupo estimula processos como empatia, reconhecimento de emoções e interpretação de comportamentos sociais, favorecendo a reconstrução dos vínculos interpessoais.

Além disso, estudos apontam que a musicoterapia pode contribuir significativamente para a reinserção social dos pacientes, melhorando seu desempenho em atividades sociais e ocupacionais (CAETANO et al., 2025). Esse aspecto é fundamental no contexto da saúde mental, especialmente em serviços como os CAPS, que têm como objetivo a promoção da autonomia e da inclusão social.

4.5 Arteterapia como complemento terapêutico

A análise dos estudos também evidencia que a arteterapia se configura como uma importante estratégia complementar no tratamento de transtornos mentais, incluindo a esquizofrenia. Assim como a musicoterapia, a arteterapia utiliza uma linguagem não verbal, permitindo a expressão simbólica de conteúdos emocionais e inconscientes (MOREIRA et al., 2026).

Os resultados indicam que a arteterapia contribui para a redução de sintomas, o aumento da autoestima e o desenvolvimento de habilidades sociais, além de favorecer o autoconhecimento e a organização psíquica (BUENO; BRIDI FILHO, 2019). No caso da esquizofrenia, essa abordagem auxilia na expressão de conteúdos internos e na elaboração de experiências subjetivas, contribuindo para a melhora do quadro clínico (SOUSA; ANDRADE, 2020).

A integração entre musicoterapia e arteterapia potencializa os efeitos terapêuticos, uma vez que ambas atuam na dimensão expressiva e subjetiva do indivíduo, ampliando as possibilidades de intervenção e promovendo um cuidado mais humanizado e integral.

5 CONCLUSÃO

A presente pesquisa teve como objetivo analisar o uso da musicoterapia como estratégia terapêutica na regulação emocional, comportamental e social de indivíduos com esquizofrenia, considerando seus impactos na redução de sintomas, na melhoria da comunicação e na promoção da reinserção psicossocial. A partir da análise dos estudos selecionados, foi possível compreender que a musicoterapia se configura como uma intervenção complementar relevante e eficaz no contexto da saúde mental.

Os resultados evidenciam que a musicoterapia atua de forma significativa na redução dos sintomas da esquizofrenia, especialmente os sintomas negativos, que apresentam maior resistência às abordagens farmacológicas tradicionais. Ademais, observou-se impacto positivo na regulação emocional, na expressão de sentimentos e na melhoria do bem-estar psicológico, contribuindo para a qualidade de vida dos indivíduos em sofrimento psíquico (RODRIGUES et al., 2018).

No âmbito cognitivo, verificou-se que a musicoterapia promove melhorias em funções como atenção, memória e linguagem, além de estimular a neuroplasticidade e a reorganização de circuitos cerebrais, conforme evidenciado por estudos na área da neurociência (ALVES JUNIOR; BORGES; BLANCH, 2022). Esses achados reforçam o potencial da música como ferramenta terapêutica capaz de atuar em múltiplas dimensões do funcionamento humano.

Outro aspecto relevante diz respeito à promoção da interação social e da reinserção psicossocial. A prática musicoterapêutica, especialmente em grupo, favorece o desenvolvimento de habilidades sociais, a construção de vínculos e a participação em atividades coletivas, elementos fundamentais para a reabilitação psicossocial dos indivíduos com esquizofrenia (MORIÁ; SAMPAIO, 2021). Nesse sentido, destaca-se sua aplicabilidade em contextos como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), alinhando-se às diretrizes da reforma psiquiátrica e à perspectiva de cuidado integral.

Adicionalmente, a arteterapia mostrou-se como uma importante estratégia complementar, atuando na expressão simbólica de conteúdos subjetivos e na elaboração emocional, contribuindo para a redução de sintomas e para o fortalecimento da autonomia e do autoconhecimento dos pacientes (BUENO; BRIDI FILHO, 2019). A integração entre musicoterapia e arteterapia amplia as possibilidades terapêuticas, favorecendo abordagens mais humanizadas e centradas no sujeito.

Diante do exposto, conclui-se que a musicoterapia representa uma ferramenta terapêutica potente no tratamento da esquizofrenia, especialmente quando integrada a outras práticas e inserida em um modelo de cuidado interdisciplinar. No entanto, ressalta-se a necessidade de ampliação das pesquisas na área, especialmente estudos empíricos com delineamentos metodológicos mais robustos, que possam aprofundar a compreensão dos mecanismos envolvidos e fortalecer a evidência científica sobre sua eficácia.

Por fim, destaca-se a importância de incorporar práticas terapêuticas expressivas nos serviços de saúde mental, reconhecendo o sujeito em sua complexidade e promovendo intervenções que transcendam a lógica exclusivamente biomédica, contribuindo para um cuidado mais integral, humanizado e eficaz.

REFERÊNCIAS

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  1. Graduando em Direito. Faculdade de Ensino Superior de Linhares. Avenida Pres. Costa e Silva, 177 – Novo Horizonte, Linhares, ES. E-mail: patricio.s.pires@gmail.com

  2. Doutorado em Psicologia. Universidade Federal do Espírito Santo, UFES, Brasil. E-mail: alex.machado@faceli.edu.br . ORCID: https://orcid.org/0000-0001-5536-4299

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