Suplementação nutricional como estratégia complementar no manejo de crianças com transtorno do espectro autista: uma revisão integrativa.
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.
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Foram excluídos estudos duplicados, artigos sem relação direta com suplementação ou nutrição no TEA, estudos exclusivamente em adultos, relatos de casos isolados, publicações sem acesso ao resumo, cartas ao editor, materiais de opinião sem metodologia científica descrita e publicações sem pertinência direta ao objetivo desta revisão.

Após a seleção, os estudos foram organizados segundo autor, ano, tipo de estudo, suplemento ou intervenção avaliada, principais achados e limitações. A análise dos dados foi realizada de forma descritiva e crítica, permitindo a identificação de seis eixos temáticos principais: melatonina e distúrbios do sono; vitamina D e neurodesenvolvimento; ômega-3 e desfechos comportamentais; ácido folínico e metabolismo do folato; probióticos e eixo intestino-cérebro; e deficiências nutricionais com suplementação individualizada.

5 RESULTADOS E DISCUSSÃO

5.1 Melatonina e distúrbios do sono no Transtorno do Espectro Autista

Os distúrbios do sono estão entre as comorbidades mais frequentes em crianças com TEA, com prevalência estimada entre 50% e 80% em diferentes estudos. Dificuldades para iniciar o sono, despertares noturnos, redução do tempo total de sono e irregularidade do ritmo circadiano são manifestações frequentemente relatadas, com repercussões sobre comportamento diurno, irritabilidade, atenção, aprendizagem e qualidade de vida familiar [35-39].

A melatonina é um dos suplementos mais investigados nesse contexto. Por atuar na regulação do ritmo circadiano e na sinalização fisiológica do sono, tem sido avaliada em ensaios clínicos e revisões sistemáticas envolvendo crianças com TEA e outros transtornos do neurodesenvolvimento. Estudos indicam melhora da latência do sono, aumento da duração total do sono e redução de despertares noturnos em parte das crianças tratadas [35-38].

A avaliação publicada pela International Pediatric Sleep Association reforça que a melatonina apresenta perfil de segurança favorável quando utilizada sob acompanhamento profissional, sendo considerada uma estratégia complementar promissora para insônia em crianças com TEA e outros transtornos neurogenéticos [37]. Formulações de liberação prolongada também foram avaliadas, demonstrando melhora sustentada de parâmetros de sono em população pediátrica com TEA [38].

Apesar dos resultados favoráveis, ainda existem limitações relacionadas à heterogeneidade das doses, tempo de seguimento, formulações utilizadas e critérios de avaliação. Assim, a melatonina deve ser compreendida como recurso complementar para distúrbios do sono, preferencialmente associada à higiene do sono, avaliação de comorbidades, manejo comportamental e acompanhamento clínico.

5.2 Vitamina D e neurodesenvolvimento

A vitamina D participa de processos neurobiológicos relevantes, incluindo neurogênese, diferenciação neuronal, modulação imunológica, neuroplasticidade, metabolismo do cálcio e regulação de vias inflamatórias. Estudos observacionais têm identificado concentrações séricas reduzidas de vitamina D em parte das crianças com TEA quando comparadas a crianças com desenvolvimento típico, embora os achados variem conforme região geográfica, exposição solar, dieta, suplementação prévia e critérios laboratoriais [21,24,25].

Revisões sistemáticas e meta-análises sugerem que a suplementação de vitamina D pode promover melhorias discretas em determinados domínios comportamentais e sociais, especialmente em crianças com deficiência previamente documentada [21,24]. Contudo, os resultados permanecem inconsistentes, em razão de diferenças nos protocolos de suplementação, doses, duração das intervenções e escalas utilizadas para avaliação dos desfechos.

O ensaio clínico factorial conduzido por Mazahery et al. investigou vitamina D e ácidos graxos ômega-3 em crianças com TEA, contribuindo para a discussão sobre intervenções nutricionais combinadas e seus potenciais efeitos sobre desfechos comportamentais [22]. Embora o racional biológico seja plausível, os achados disponíveis ainda não permitem recomendar suplementação universal de vitamina D para todas as crianças com TEA.

Assim, a literatura atual sugere que a suplementação de vitamina D deve ser individualizada, baseada em avaliação laboratorial, histórico clínico, ingestão dietética, exposição solar e fatores de risco. O uso indiscriminado, sem monitoramento, deve ser evitado, sobretudo em razão do risco de hipervitaminose e alterações do metabolismo cálcio-fósforo.

5.3 Ômega-3, DHA e desfechos comportamentais

Os ácidos graxos poli-insaturados da série ômega-3, especialmente o ácido docosahexaenoico (DHA) e o ácido eicosapentaenoico (EPA), são componentes estruturais das membranas neuronais e participam da sinalização celular, neurotransmissão, modulação inflamatória e desenvolvimento cerebral. Em crianças com TEA, o interesse pelo ômega-3 decorre de seu potencial papel em atenção, hiperatividade, comportamento adaptativo e interação social [21-23].

Meta-análises apontam possíveis benefícios de suplementação com ômega-3 em domínios como hiperatividade, letargia e estereotipias, embora os resultados sejam variáveis e nem sempre clinicamente expressivos [23]. A heterogeneidade entre os estudos dificulta conclusões definitivas, especialmente devido a diferenças de dose, proporção EPA/DHA, duração da intervenção, idade dos participantes e presença de comorbidades.

Embora o ômega-3 apresente perfil de segurança geralmente favorável, as evidências atuais não sustentam sua utilização como tratamento isolado para TEA. O uso pode ser considerado como estratégia complementar em crianças com baixa ingestão de peixes, inadequação dietética de ácidos graxos essenciais ou necessidade nutricional identificada, sempre com avaliação profissional e monitoramento clínico.

A abordagem mais prudente consiste em compreender o ômega-3 como parte de um plano nutricional amplo, integrado à avaliação alimentar, à investigação de deficiências nutricionais e ao acompanhamento multiprofissional. Essa perspectiva evita tanto o reducionismo terapêutico quanto a prescrição padronizada sem base individual.

5.4 Ácido folínico e metabolismo do folato

Alterações no metabolismo do folato têm sido descritas em subgrupos de crianças com TEA, incluindo hipóteses relacionadas a autoanticorpos contra receptores de folato, alterações de transporte e impacto sobre processos de metilação, desenvolvimento neuronal e comunicação. Nesse contexto, o ácido folínico vem sendo investigado como intervenção potencialmente relevante para determinados perfis clínicos [30,31].

Frye et al. conduziram ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, demonstrando melhora da comunicação verbal em crianças com TEA e comprometimento de linguagem submetidas ao uso de ácido folínico [30]. Estudos mais recentes reforçam o interesse por essa intervenção, especialmente em subgrupos com alterações metabólicas ou imunológicas específicas [31].

Apesar dos resultados promissores, o ácido folínico não deve ser compreendido como intervenção universal para TEA. A resposta terapêutica parece depender de características biológicas individuais, como presença de autoanticorpos, alterações no metabolismo do folato, perfil clínico e desfechos avaliados. Ensaios clínicos multicêntricos com maior robustez metodológica ainda são necessários para definir critérios de indicação, dose, duração e segurança em longo prazo.

Além disso, a discussão sobre folato conecta-se ao papel das vitaminas do complexo B, especialmente B6, B9 e B12, em vias de metilação, síntese de neurotransmissores e metabolismo energético. Estudos com metilcobalamina sugerem efeitos potenciais em biomarcadores e desfechos comportamentais, mas também exigem interpretação cautelosa devido à variabilidade metodológica [32-34].

5.5 Probióticos, prebióticos e eixo intestino-cérebro

As alterações gastrointestinais são frequentemente observadas em crianças com TEA, incluindo constipação, dor abdominal, distensão, diarreia, refluxo e alterações do trânsito intestinal. Paralelamente, estudos têm demonstrado diferenças na composição da microbiota intestinal em comparação à população neurotípica, embora ainda não exista um perfil microbiano único ou diagnóstico para o TEA [7,15,26-29].

O eixo intestino-cérebro envolve comunicação bidirecional entre microbiota intestinal, sistema imunológico, sistema nervoso entérico, metabolismo de neurotransmissores, produção de ácidos graxos de cadeia curta e vias neuroendócrinas. Nesse cenário, probióticos, prebióticos e simbióticos têm sido estudados como estratégias capazes de modular sintomas gastrointestinais e, possivelmente, influenciar desfechos comportamentais em crianças com TEA [26-29].

Meta-análises recentes indicam que determinadas cepas probióticas podem contribuir para melhora de sintomas gastrointestinais e apresentar efeitos secundários sobre comportamento, irritabilidade ou comunicação social. Entretanto, os resultados ainda são heterogêneos, e não existe consenso sobre cepas, doses, duração de uso, combinação com prebióticos ou critérios para seleção dos pacientes [26-29].

A interpretação clínica desses achados deve considerar que microbiota intestinal é influenciada por dieta, antibióticos, parto, amamentação, ambiente, seletividade alimentar, constipação crônica e comorbidades. Portanto, intervenções com probióticos devem ser individualizadas, preferencialmente associadas à avaliação dietética, manejo de constipação, ampliação do repertório alimentar e acompanhamento profissional.

5.6 Deficiências nutricionais, seletividade alimentar e suplementação individualizada

Diversas revisões apontam maior prevalência de seletividade alimentar e risco de inadequações nutricionais em crianças com TEA. A restrição de repertório alimentar pode comprometer a ingestão de proteínas, fibras, ácidos graxos essenciais, vitaminas lipossolúveis, vitaminas do complexo B, ferro, zinco, magnésio, cálcio e outros micronutrientes relevantes para crescimento e desenvolvimento [11-18].

Estudos sobre comportamento alimentar demonstram que seletividade, sensibilidade sensorial e recusa alimentar são fenômenos complexos, influenciados por fatores sensoriais, comportamentais, gastrointestinais e familiares. Crianças com repertório alimentar muito restrito podem apresentar maior risco de constipação, alterações de peso, baixa ingestão de fibras e inadequações de micronutrientes [11-16].

Assim, a suplementação nutricional não deve ser prescrita de modo genérico, mas sim a partir de avaliação clínica, dietética e laboratorial. A investigação deve considerar histórico alimentar, uso de medicamentos, sintomas gastrointestinais, sono, crescimento, exames bioquímicos, presença de alergias ou intolerâncias, seletividade alimentar e objetivos terapêuticos.

A literatura reforça que a suplementação individualizada pode ter papel relevante na correção de deficiências documentadas e no suporte ao desenvolvimento infantil. No entanto, abordagens padronizadas, megadoses sem monitoramento ou substituição de terapias estabelecidas por suplementos não são sustentadas pelas evidências atuais e podem oferecer riscos.

5.7 Síntese crítica dos achados

As evidências científicas atuais sugerem que a suplementação nutricional pode desempenhar papel complementar no manejo de crianças com TEA, especialmente quando há distúrbios do sono, sintomas gastrointestinais, seletividade alimentar importante ou deficiências nutricionais documentadas. Entre os suplementos avaliados, melatonina apresenta evidências mais consistentes para melhora do sono, enquanto vitamina D, ômega-3, ácido folínico e probióticos demonstram resultados promissores, porém ainda heterogêneos [20-39].

A principal contribuição da literatura recente é reforçar que não existe protocolo universal aplicável a todas as crianças com TEA. A heterogeneidade clínica, metabólica, genética e ambiental do espectro exige abordagem personalizada, baseada em avaliação criteriosa e monitoramento. A suplementação deve ser compreendida como estratégia complementar integrada a intervenções comportamentais, educacionais, médicas, nutricionais, fonoaudiológicas, psicológicas e terapêuticas.

Portanto, o uso clínico de suplementos no TEA deve equilibrar plausibilidade biológica, evidência científica, segurança, individualização e acompanhamento multiprofissional. Essa perspectiva contribui para uma prática ética e evita tanto a negação de potenciais benefícios quanto a superestimação de intervenções ainda não plenamente consolidadas.

6 TABELA-SÍNTESE DOS ESTUDOS E REFERÊNCIAS CENTRAIS

Autor/Ano

Tipo de estudo

Intervenção/Tema

Principais achados

Limitações/Observações

Kotagal et al., 2024 [37]

Avaliação/consenso científico

Melatonina

Evidências favoráveis para insônia em crianças com TEA e transtornos neurogenéticos.

Necessidade de acompanhamento profissional e estudos de longo prazo.

Gringras et al., 2017 [38]

Ensaio clínico

Melatonina de liberação prolongada

Melhora de parâmetros de sono em crianças com TEA.

Resultados dependem de formulação, dose e seguimento.

Nogueira et al., 2023 [35]

Revisão sistemática/meta-análise

Melatonina

Evidências favoráveis para distúrbios do sono.

Heterogeneidade entre estudos.

Li et al., 2022 [24]

Revisão sistemática/meta-análise

Vitamina D

Possíveis benefícios comportamentais, especialmente em deficiência documentada.

Protocolos variáveis e amostras limitadas.

Mazahery et al., 2019 [22]

Ensaio randomizado

Vitamina D e ômega-3

Investigou desfechos comportamentais em crianças com TEA.

Resultados devem ser interpretados conforme subgrupos e desenho factorial.

Jiang et al., 2023 [21]

Revisão sistemática

Vitamina D/ômega-3

Sintetizou evidências de ambos os suplementos.

Heterogeneidade metodológica.

Cheng et al., 2017 [23]

Meta-análise

Ômega-3

Possível melhora em hiperatividade, letargia e estereotipias.

Efeito variável e dependente de dose/duração.

Frye et al., 2018 [30]

Ensaio clínico randomizado

Ácido folínico

Melhora de comunicação verbal em crianças com TEA e comprometimento de linguagem.

Benefício possivelmente maior em subgrupos.

Panda et al., 2024 [31]

Ensaio clínico

Ácido folínico

Potencial benefício em domínios de comunicação e desenvolvimento.

Necessidade de replicação multicêntrica.

Rahim et al., 2023 [26]

Meta-análise/umbrella review

Probióticos, prebióticos e simbióticos

Potenciais benefícios gastrointestinais e comportamentais.

Sem consenso sobre cepas e doses.

Kotowska et al., 2024 [27]

Revisão sistemática/meta-análise

Probióticos

Possível impacto em sintomas centrais e gastrointestinais.

Ensaios com tamanhos amostrais variáveis.

Sathe et al., 2017 [18]

Revisão sistemática

Intervenções nutricionais/dietéticas

Evidências insuficientes para recomendações universais.

Reforça necessidade de estudos robustos.

Siafis et al., 2022 [20]

Revisão sistemática/network meta-analysis

Tratamentos farmacológicos e suplementos

Demonstrou heterogeneidade dos efeitos.

Interpretação cautelosa.

Sharp et al., 2013 [11]

Meta-análise/revisão

Problemas alimentares e ingestão nutricional

Maior frequência de problemas alimentares em TEA.

Literatura inclui diferentes métodos de avaliação.

Valenzuela-Zamora et al., 2022 [15]

Revisão

Seletividade alimentar e sintomas gastrointestinais

Associação entre seletividade, GI e TEA.

Necessidade de abordagem interdisciplinar.

7 FLUXOGRAMA PRISMA

A Figura 1 apresenta um modelo de fluxograma PRISMA para organização do processo de seleção dos estudos. Os números devem ser preenchidos após a conferência final da busca bibliográfica nas bases selecionadas, evitando a inserção de dados estimados ou não rastreáveis.

Identificação

Registros identificados nas bases PubMed/MEDLINE, Scopus, SciELO e Google Scholar: n = ____

Remoção de duplicatas

Registros após remoção de duplicatas: n = ____

Triagem

Registros avaliados por título e resumo: n = ____

Exclusão na triagem

Registros excluídos por não atenderem aos critérios: n = ____

Elegibilidade

Artigos avaliados em texto completo: n = ____

Inclusão

Estudos incluídos na revisão integrativa: n = ____

Figura 1. Fluxograma PRISMA do processo de seleção dos estudos incluídos na revisão integrativa.

8 LIMITAÇÕES DA REVISÃO

Esta revisão integrativa apresenta limitações inerentes ao delineamento metodológico adotado. A heterogeneidade dos estudos incluídos, envolvendo diferentes protocolos de suplementação, dosagens utilizadas, duração das intervenções e instrumentos de avaliação clínica, limita a comparação direta entre os resultados e dificulta a realização de inferências mais robustas.

Adicionalmente, parte significativa dos estudos analisados apresenta amostras reduzidas, curto período de acompanhamento e variabilidade nos critérios diagnósticos empregados, fatores que podem comprometer a validade externa e a generalização dos achados. Observou-se ainda diversidade quanto ao perfil clínico dos participantes, incluindo diferenças de idade, gravidade dos sintomas, presença de comorbidades e padrões alimentares, elementos potencialmente capazes de influenciar a resposta às intervenções nutricionais.

Outro aspecto relevante refere-se à natureza multifatorial do TEA, cuja expressiva variabilidade biológica, genética, metabólica e ambiental torna improvável que uma única estratégia nutricional ou suplementar produza benefícios uniformes para todos os indivíduos.

Por fim, ressalta-se que, embora diversas intervenções tenham demonstrado resultados promissores, a qualidade metodológica das evidências disponíveis ainda é heterogênea. Dessa forma, os resultados apresentados devem ser interpretados com cautela, reforçando a necessidade de estudos multicêntricos, randomizados, controlados por placebo e conduzidos com protocolos padronizados para fortalecimento das evidências científicas atualmente disponíveis.

9 IMPLICAÇÕES PARA A PRÁTICA CLÍNICA

Os achados desta revisão integrativa sugerem que a suplementação nutricional pode representar uma ferramenta complementar relevante no manejo clínico de crianças com TEA, especialmente na presença de deficiências nutricionais identificadas, seletividade alimentar importante, alterações gastrointestinais e distúrbios do sono.

Entretanto, os resultados atualmente disponíveis não sustentam a adoção de protocolos universais de suplementação para todos os indivíduos com TEA. Dessa forma, a tomada de decisão clínica deve basear-se em avaliação individualizada, contemplando história clínica, hábitos alimentares, exames laboratoriais, presença de comorbidades e objetivos terapêuticos específicos.

Nesse contexto, destaca-se a importância da atuação multiprofissional integrada envolvendo médicos, nutricionistas, farmacêuticos, psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e demais profissionais envolvidos no acompanhamento da criança. A abordagem colaborativa favorece a identificação precoce de alterações nutricionais, a seleção adequada de intervenções e o monitoramento contínuo da resposta clínica.

Adicionalmente, estratégias de educação nutricional direcionadas às famílias podem contribuir para maior adesão às intervenções propostas, promovendo hábitos alimentares mais saudáveis e reduzindo o risco de inadequações nutricionais ao longo do desenvolvimento infantil. Assim, a suplementação nutricional deve ser compreendida como parte de um plano terapêutico abrangente, fundamentado em evidências científicas e adaptado às necessidades individuais de cada criança com TEA.

10 PERSPECTIVAS FUTURAS

O avanço das pesquisas em nutrição aplicada ao neurodesenvolvimento tem ampliado a compreensão dos mecanismos biológicos envolvidos no TEA, abrindo perspectivas para intervenções cada vez mais individualizadas e fundamentadas em evidências.

Investigações futuras deverão concentrar-se na identificação de biomarcadores clínicos, metabólicos, inflamatórios e genéticos capazes de predizer a resposta terapêutica às intervenções nutricionais. Nesse contexto, a integração entre genética, epigenética, microbiota intestinal, metabolômica, estado nutricional e fatores ambientais poderá contribuir para o desenvolvimento de abordagens mais precisas e personalizadas.

Além disso, torna-se fundamental ampliar o número de ensaios clínicos randomizados com amostras representativas, acompanhamento em longo prazo e metodologias padronizadas, permitindo maior consistência dos resultados e melhor avaliação da segurança e eficácia das estratégias nutricionais propostas.

A consolidação do conceito de nutrição de precisão aplicada ao TEA representa uma das áreas mais promissoras da pesquisa contemporânea, com potencial para contribuir significativamente na otimização do desenvolvimento neurocognitivo, da qualidade de vida e da funcionalidade clínica de indivíduos dentro do espectro autista.

Adicionalmente, o fortalecimento da pesquisa translacional poderá favorecer a incorporação mais rápida de descobertas científicas à prática clínica, permitindo que intervenções nutricionais sejam implementadas de forma mais segura, eficaz e personalizada. A integração entre pesquisadores, profissionais de saúde, instituições acadêmicas e famílias será fundamental para o desenvolvimento de protocolos baseados em evidências capazes de atender às necessidades heterogêneas dos indivíduos com TEA.

11 CONCLUSÃO

A presente revisão integrativa evidenciou que a suplementação nutricional pode representar uma estratégia complementar relevante no manejo de crianças com TEA, especialmente quando direcionada por avaliação clínica, nutricional e laboratorial individualizada.

Entre os suplementos mais estudados destacam-se melatonina, vitamina D, ácidos graxos ômega-3, ácido folínico e probióticos. A melatonina apresenta evidências mais consistentes para melhora dos distúrbios do sono, enquanto vitamina D, ômega-3 e ácido folínico demonstram resultados promissores, porém ainda heterogêneos, em relação a comportamento, comunicação e neurodesenvolvimento. Os probióticos, por sua vez, destacam-se pela possível atuação no eixo intestino-cérebro, especialmente em crianças com sintomas gastrointestinais associados.

Apesar dos avanços, a literatura ainda apresenta limitações importantes, como amostras reduzidas, diferentes protocolos de intervenção, variação nas doses utilizadas, ausência de seguimento prolongado e heterogeneidade clínica entre os participantes. Portanto, não há suporte científico suficiente para recomendar protocolos universais de suplementação para todas as crianças com TEA.

Conclui-se que a suplementação nutricional deve ser compreendida como uma abordagem complementar, segura e potencialmente benéfica quando bem indicada, mas nunca como substituta das intervenções multiprofissionais baseadas em evidências. A individualização terapêutica, o monitoramento laboratorial e a integração entre profissionais de saúde são elementos fundamentais para uma prática clínica ética, segura e cientificamente fundamentada.

12 CONSIDERAÇÕES ÉTICAS

Por se tratar de uma revisão integrativa da literatura baseada exclusivamente em dados secundários disponíveis em publicações científicas previamente divulgadas, este estudo não envolveu participação direta de seres humanos nem acesso a informações identificáveis de participantes. Dessa forma, não houve necessidade de submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa, conforme diretrizes éticas vigentes para pesquisas fundamentadas em dados de domínio público.

Todos os procedimentos metodológicos foram conduzidos com rigor científico, observando princípios de integridade acadêmica, transparência metodológica, rastreabilidade das fontes e respeito à propriedade intelectual dos estudos incluídos.

13 CONFLITO DE INTERESSES

A autora declara não possuir conflitos de interesses financeiros, comerciais ou institucionais que possam ter influenciado a elaboração, análise, interpretação ou apresentação dos resultados desta revisão.

14 FINANCIAMENTO

Este estudo não recebeu financiamento específico de agências públicas, comerciais ou instituições sem fins lucrativos.

15 CONTRIBUIÇÃO DOS AUTORES

Bianca Helena Gomes de Azambuja participou da concepção do estudo, definição da pergunta norteadora, levantamento bibliográfico, análise crítica da literatura, interpretação dos resultados e redação do manuscrito. Em caso de inclusão de coautores, recomenda-se descrever individualmente a contribuição de cada participante conforme as normas da revista.

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  1. Farmacêutica. Pesquisadora em Ciências da Saúde.

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Copyright (c) 2026 Bianca Helena Gomes de Azambuja (Autor)

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