Com base no que foi identificado na literatura a seguir, será apresentado um quadro com um resumo das principais TICs utilizadas como abordagens pedagógicas.
Quadro 1- Tecnologias digitais empregadas como metodologias ativas mediadas por TDICs
Tecnologia Digital | Metodologia Ativa Associada | Descrição Pedagógica | Contribuição para o Protagonismo Discente |
|---|---|---|---|
Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA). | Sala de Aula Invertida. | Utilização de plataformas digitais para acesso prévio aos conteúdos, possibilitando que o tempo presencial seja destinado a discussões, resolução de problemas e atividades colaborativas (Moran, 2018). | O aluno assume papel ativo na organização do próprio ritmo de estudo e na construção do conhecimento (Moran, 2018). |
Plataformas colaborativas (Google Docs, Padlet, fóruns). | Aprendizagem Colaborativa. | Ferramentas que permitem a produção coletiva de textos, projetos e reflexões em tempo real ou assíncrono (Valente, 2014). | Estimula a autoria, a cooperação e a responsabilidade compartilhada pelo aprendizado (Valente, 2014). |
Aplicativos educacionais e gamificação. | Aprendizagem Baseada em Jogos (Game-Based Learning). | Uso de elementos de jogos digitais para motivar, engajar e promover desafios cognitivos alinhados aos objetivos educacionais (Bacich e Moran, 2018). | Incentiva a autonomia, a tomada de decisões e o engajamento ativo dos estudantes (Bacich e Moran (2018). |
Redes sociais digitais. | Aprendizagem Baseada em Projetos (ABP). | Utilização de redes sociais como espaços de pesquisa, debate, produção de conteúdo e divulgação de projetos educativos (Lévy, 1999); Moran, 2018). | Favorece a participação crítica, a expressão de opiniões e a construção de identidades digitais conscientes (Lévy, 1999); Moran, 2018). |
Ferramentas de produção multimodal (vídeos, podcasts, blogs). | Aprendizagem Baseada em Problemas. | Produção de conteúdos digitais para investigar, analisar e propor soluções a problemas reais ou simulados (Valente, 2014). | Desenvolve autoria, pensamento crítico e competências comunicacionais (Valente, 2014). |
Fonte: Elaborado pela própria autora, (2026).
O quadro (1) apresentado evidencia como as tecnologias digitais, quando articuladas às metodologias ativas, configuram-se como instrumentos pedagógicos potentes para a promoção do protagonismo discente. Observa-se que recursos como Ambientes Virtuais de Aprendizagem, plataformas colaborativas, aplicativos educacionais, redes sociais e ferramentas de produção multimodal não atuam apenas como suportes técnicos, mas como mediadores do processo de ensino-aprendizagem, favorecendo a autonomia, a participação crítica e a construção coletiva do conhecimento.
Conforme destacam autores como Moran, Bacich (2018) e Valente (2014), essas práticas deslocam o foco da transmissão de conteúdo para a aprendizagem significativa, na qual o estudante assume um papel ativo na investigação, na resolução de problemas e na produção de saberes. Nesse sentido, o uso pedagógico das TDICs contribui para o desenvolvimento de competências cognitivas, sociais e comunicacionais, alinhando a prática docente às demandas da escola contemporânea e aos desafios da cidadania digital.
O protagonismo discente se intensifica quando os estudantes começam a criar conteúdo, interagir com diversas fontes de informação e usar as tecnologias digitais de maneira inovadora e ética. Esse processo estimula a autoria, a argumentação e a habilidade de análise crítica da realidade, elementos fundamentais para uma formação completa. Simultaneamente, o uso responsável das tecnologias permite reconhecer os conhecimentos prévios dos alunos e conectar os conhecimentos adquiridos na escola com as experiências vividas em seus contextos sociais e culturais (Silva et al., 2023).
Nesse contexto, a função do docente também muda. O professor desempenha o papel de mediador, orientador e instigador de reflexões, criando condições de aprendizagem que desafiem os alunos e incentivem a pesquisa e o diálogo. Essa transformação requer planejamento pedagógico, intencionalidade didática e formação continuada, para que as tecnologias digitais sejam empregadas não apenas de maneira instrumental, mas também como ferramentas que promovem aprendizagens significativas (Alves de Oliveira & Silva, 2022).
Dessa forma, as metodologias ativas que empregam tecnologias digitais são essenciais para fomentar o protagonismo dos estudantes, incentivando um aprendizado participativo, crítico e reflexivo. Ao integrar essas metodologias no dia a dia escolar, a instituição de ensino demonstra seu compromisso com uma educação que é democrática, emancipadora e que atende às demandas da sociedade contemporânea.
2.3 Formação Crítica, Cidadania Digital e o Papel do Professor na Escola Contemporânea
A educação contemporânea se fundamenta na formação crítica e na promoção da cidadania digital, especialmente com o aumento do uso das tecnologias digitais nos processos de ensino e aprendizagem. A escola, como uma instituição social que historicamente têm a responsabilidade de formar indivíduos críticos e engajados, enfrenta o desafio de reinventar suas abordagens pedagógicas. Isso é necessário para atender às exigências de uma sociedade caracterizada pela conectividade, pela rápida disseminação de informações e pela crescente influência da Inteligência Artificial em diversos aspectos da vida social.
Neste contexto, a função do professor vai além da simples transmissão de conteúdos, assumindo um papel mais complexo como mediador, orientador e facilitador do aprendizado. É responsabilidade do educador estabelecer condições pedagógicas que permitam aos alunos entender como as tecnologias digitais operam e, ao mesmo tempo, refletir criticamente sobre suas repercussões sociais, culturais, econômicas e políticas. Essa mediação é essencial para garantir que o uso das tecnologias não se limite a práticas superficiais, utilitárias ou meramente consumistas, mas que esteja conectado a processos reflexivos mais profundos (Rigo, 2014).
É fundamental levar em conta os aspectos éticos, sociais e políticos relacionados ao uso das tecnologias. O papel do educador é examinado como o de um facilitador do conhecimento, incumbido de guiar o uso consciente, responsável e inclusivo das mídias digitais. Isso visa fomentar a participação crítica dos alunos e reforçar a educação para a cidadania nas instituições de ensino atuais (Souza et al., 2024).
Nesse sentido,
a efetiva participação da escola na cultura digital implica em promover também a formação dos educadores, oferecendo-lhes condições de integrar criticamente as TDIC à prática pedagógica, a fim de que essa prática promova a formação de crianças e de jovens capazes de tomar decisões mais conscientes, críticas e participativas nessa sociedade da informação.[...] Assim, é preciso buscar caminhos para a ampliação das possibilidades de vivenciar a cidadania e a própria humanidade com as TDIC e na cultura digital, que muitas vezes desumaniza e desterritorializada homens, mulheres, jovens e crianças, reduzindo neles a ideia e as possibilidades de participação cidadã (Custódio; Rodrigues, 2023, p.3).
Além disso, a implementação de princípios éticos no uso das tecnologias requer uma colaboração integrada entre a escola, a família e a comunidade. A educação para a cidadania digital deve ser vista não apenas como uma responsabilidade da instituição de ensino, mas como um esforço conjunto, onde diversos agentes sociais desempenham um papel fundamental na formação de indivíduos críticos, autônomos e engajados com o bem-estar coletivo.
Em contrapartida, Custódio e Rodrigues (2023) ressaltam que as gerações mais jovens desenvolvem seu pensamento no núcleo da cultura digital, mas ele não pode ser sufocado pelo consumo passivo e desprovido de reflexão das mídias digitais. Desse modo, a escola, entendida como um espaço para o desenvolvimento de práticas sociais, culturais e epistemológicas, enfrenta o desafio de lidar com as transformações que as tecnologias e mídias digitais causam na sociedade e na cultura, as quais são introduzidas nas salas de aula pelos alunos.
A formação crítica, portanto, envolve promover a autonomia intelectual dos alunos, incentivando-os a examinar discursos, reconhecer interesses ocultos nas informações que circulam nas redes sociais e entender como os conteúdos digitais são criados e disseminados. Com o crescimento das plataformas digitais e dos algoritmos, torna-se essencial abordar questões como bolhas informativas, desinformação, notícias falsas, manipulação de dados e a utilização ética da Inteligência Artificial, todos fatores que afetam diretamente a prática da cidadania atualmente (Souza et al., 2024).
Como resultado, as mudanças provocadas pela tecnologia e pela mídia digital, que os alunos integram diariamente nas salas de aula, obrigam as instituições educacionais a reavaliar seus métodos de ensino, currículos e estratégias de treinamento. O compromisso com a promoção do pensamento crítico e da cidadania digital ressalta o papel da educação como um meio de empoderamento, capacitando os indivíduos a terem consciência de seus direitos e responsabilidades e a se envolverem de forma ética, responsável e transformadora na sociedade atual.
3. METODOLOGIA
A metodologia utilizada neste estudo foi a revisão bibliográfica. Além disso, a abordagem é qualitativa e tem como objetivo destacar as práticas pedagógicas mediadas por tecnologias e mídias digitais para fomentar uma formação crítica e reflexiva na escola atual.
Esse tipo de metodologia caracteriza-se pela análise de materiais já publicados, como livros, artigos acadêmicos, dissertações e teses. De acordo com Gil (2008), a pesquisa bibliográfica é essencial para a fundamentação teórica de um estudo, pois permite a coleta, a confrontação e a organização do conhecimento previamente estabelecido sobre um tema. Essa abordagem de pesquisa é fundamental para mapear o cenário atual, identificar lacunas e propor novas direções para a análise.
Além disso, o lócus da pesquisa é constituído pelas bases de dados SciELO (Scientific Electronic Library Online) e Plataforma CAPES, em virtude de seu extenso acervo de publicações acadêmicas com qualidade científica reconhecida, tanto no contexto nacional quanto no internacional. O uso dessas plataformas é justificado pelo acesso gratuito, pela relevância das publicações e pela diversidade de áreas do conhecimento.
Por ser um estudo de caráter bibliográfico, não requer a participação direta de indivíduos. O conjunto de artigos a ser analisado será composto por sete a dez trabalhos acadêmicos, selecionados com base em critérios de relevância temática, atualidade (preferencialmente publicados nos últimos cinco anos) e relevância acadêmica.
Dessa forma, a análise dos dados foi conduzida por meio da Análise do Discurso, fundamentada na perspectiva de Michel Foucault (1971). De acordo com o autor, o discurso é uma prática social que estrutura e cria saberes, identidades e relações de poder. Assim, essa metodologia permite analisar como os textos acadêmicos constroem representações sobre linguagem, educação e tecnologias, além de revelar os sentidos implícitos, contradições e exclusões discursivas presentes nessas construções.
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Com base na análise dos estudos selecionados, foi possível constatar que o objetivo deste trabalho foi alcançado, uma vez que as práticas pedagógicas mediadas por tecnologias e mídias digitais se configuram como estratégias relevantes para a promoção de uma formação crítica e reflexiva na escola contemporânea. Os resultados evidenciam que o uso pedagógico das tecnologias digitais, quando orientado por princípios éticos, críticos e intencionalmente planejados, contribui significativamente para o desenvolvimento da autonomia intelectual, do protagonismo discente e da cidadania digital.
A análise do corpus bibliográfico revelou que a simples inserção de recursos tecnológicos no ambiente escolar não garante, por si só, transformações significativas no processo de ensino-aprendizagem. Conforme apontam De Souza et al., (2025) e Almeida e Silveira (2022), os estudos analisados convergem ao afirmar que o impacto positivo das tecnologias na educação depende diretamente da mediação pedagógica exercida pelo professor, do alinhamento com o currículo e da articulação com metodologias que favoreçam a participação ativa dos estudantes.
Nesse sentido, os discursos presentes nos textos analisados indicam uma ruptura com a lógica tradicional de ensino baseada na transmissão de conteúdo. As tecnologias digitais passam a ser compreendidas como mediadoras de práticas pedagógicas que valorizam a investigação, a colaboração, a autoria e a reflexão crítica. Essa mudança de perspectiva desloca o aluno da posição de receptor passivo para a condição de sujeito ativo no processo de construção do conhecimento, conforme defendem Moran (2018), Valente (2014) e Bacich e Moran (2018).
Outro resultado relevante diz respeito à relação entre tecnologias digitais e letramento crítico. Os estudos analisados destacam que as práticas pedagógicas mediadas por mídias digitais favorecem o desenvolvimento de competências relacionadas à leitura, à escrita e à interpretação de diferentes linguagens, especialmente aquelas presentes nas redes sociais, plataformas digitais e ambientes multimodais. Silva e Vale (2025) ressaltam que essas práticas linguísticas, muitas vezes desconsideradas no espaço escolar, fazem parte do cotidiano dos estudantes e precisam ser incorporadas de forma crítica ao currículo.
Nesse contexto, a formação crítica emerge como um eixo central das práticas pedagógicas mediadas por tecnologias. Os resultados indicam que a escola assume um papel fundamental na promoção do letramento digital e midiático, capacitando os estudantes para analisar fontes de informação, reconhecer notícias falsas, compreender os interesses subjacentes às narrativas digitais e agir de forma ética no ambiente virtual.
Gomes, Aguiar e Castro (2023) alertam que, sem essa mediação crítica, o uso das tecnologias pode reforçar práticas superficiais de consumo de informação, comprometendo a qualidade da produção escrita e do pensamento reflexivo. Os estudos também evidenciam que as metodologias ativas mediadas por tecnologias digitais potencializam o protagonismo discente. Estratégias como a aprendizagem baseada em projetos, a sala de aula invertida, a aprendizagem colaborativa e a gamificação se mostraram eficazes para estimular a participação, a autonomia e a responsabilidade dos estudantes pelo próprio aprendizado. Conforme Da Silva et al. (2024), essas metodologias favorecem a construção de saberes contextualizados, conectando os conteúdos escolares às experiências sociais e culturais dos alunos.
O Quadro 1, apresentado no referencial teórico, sintetiza essas contribuições ao demonstrar como diferentes tecnologias digitais se articulam a metodologias ativas específicas, promovendo competências cognitivas, sociais e comunicacionais. Os resultados da análise bibliográfica confirmam que essas práticas ampliam os espaços de aprendizagem e fortalecem o diálogo entre escola e sociedade, alinhando-se às diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e às políticas educacionais voltadas à inovação pedagógica (Brasil, 2018; Brasil, 2022).
Outro aspecto recorrente nos discursos analisados refere-se ao papel do professor na escola contemporânea. Os estudos convergem ao afirmar que a atuação docente precisa ser ressignificada diante das transformações impostas pela cultura digital. O professor é compreendido como mediador, orientador e instigador de processos reflexivos, responsável por criar condições pedagógicas que favoreçam o uso consciente, crítico e inclusivo das tecnologias digitais (Alves de Oliveira & Silva, 2022; Rigo, 2014).
Entretanto, os resultados também apontam desafios significativos para a efetivação dessas práticas. A formação continuada dos professores, a ausência de políticas institucionais consistentes e as desigualdades no acesso às tecnologias ainda se configuram como obstáculos para a consolidação de uma educação crítica mediada por tecnologias. Custódio e Rodrigues (2023) destacam que, sem investimentos estruturais e formativos, corre-se o risco de reforçar práticas tecnicistas e excludentes.
Por fim, a análise dos discursos evidencia que a promoção da cidadania digital não pode ser compreendida como responsabilidade exclusiva da escola. Os estudos ressaltam a importância da colaboração entre escola, família e comunidade na formação de sujeitos críticos e participativos. Essa articulação é fundamental para que os alunos desenvolvam uma compreensão ética e responsável sobre o uso das tecnologias, reconhecendo seus direitos e deveres no ambiente digital.
5. CONCLUSÃO
Este estudo teve como objetivo examinar como as práticas pedagógicas mediadas por tecnologias e mídias digitais contribuem para fomentar uma formação crítica e reflexiva na escola contemporânea. A partir de uma revisão bibliográfica de caráter qualitativo e da análise discursiva dos textos selecionados, foi possível concluir que o uso pedagógico das tecnologias digitais, quando orientado por intencionalidade educativa, planejamento e reflexão crítica, representa um importante caminho para a transformação das práticas escolares.
Os resultados evidenciam que as tecnologias e mídias digitais, aliadas às metodologias ativas, favorecem o protagonismo discente, a autonomia intelectual e o desenvolvimento de competências cognitivas, sociais e comunicacionais. Essas práticas contribuem para a construção de aprendizagens significativas, conectadas às vivências dos estudantes e às demandas da sociedade contemporânea, conforme preconizado pelas diretrizes curriculares nacionais.
Além disso, foi observado que a formação crítica e a cidadania digital se destacam como aspectos fundamentais no cenário educacional contemporâneo. A escola desempenha uma função crucial na promoção do letramento digital e midiático, capacitando os alunos a analisar de forma crítica os discursos que circulam nas redes, a entender os efeitos das tecnologias na vida social e a agir de maneira ética e responsável no ambiente digital.
O estudo também enfatiza a importância do professor como mediador do conhecimento. A atuação dos educadores deve transcender o uso meramente instrumental das tecnologias, demandando formação contínua, reflexão pedagógica e um forte compromisso ético. Sem essa mediação qualificada, o potencial transformador das tecnologias pode se limitar a práticas superficiais e sem relevância.
Dado que se trata de uma pesquisa bibliográfica, este estudo enfrenta a limitação de não contar com dados empíricos oriundos do ambiente escolar. Assim, recomenda-se que investigações futuras explorem essa temática por meio de estudos de campo, pesquisas empíricas e análises de práticas pedagógicas concretas, visando aprofundar a compreensão sobre os efeitos das tecnologias digitais na formação crítica dos alunos.
Portanto, conclui-se que as práticas pedagógicas que utilizam tecnologias e mídias digitais são essenciais para o desenvolvimento de uma educação crítica, reflexiva e comprometida com a formação integral dos indivíduos. Ao incorporar tecnologias, metodologias ativas e princípios éticos, a escola moderna reforça seu papel social e contribui para a formação de cidadãos conscientes, engajados e aptos a realizar intervenções transformadoras na sociedade em que vivem.
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Formação crítica e cidadania digital na escola contemporânea: Interfaces entre tecnologias digitais e práticas pedagógicas. ↑

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