RESUMO
“Agrobusiness” é o nome que está se difundindo pelo Brasil para o agronegócio, que a alguns anos atrás era associado somente a produção in natura de grãos, leite e animais para carne. Hoje o agronegócio é um processo intenso da agropecuária, com a utilização de muita tecnologia e altos níveis de produtividade. O presente estudo teve como objetivo a análise de investimento das empresas do setor agrícola listadas na BM&FBOVESPA, identificando a atratividade de aplicação de capital nas mesmas. A análise de dados foi feita através de análise de documentos e informações extraídas de banco de dados. Assim foi possível verificar se as empresas possuem vantagens em aplicar recursos através de ações. Os resultados obtidos com o estudo foram analisados de forma quantitativa e através dela conseguiu-se obter informações que irão auxiliar nas decisões presentes e futuras de quem deseja investir em ações, além de identificar futuros problemas que poderão ocorrer. Após a estruturação da análise, através da utilização de cálculo de ROI, ROE e LPA, concluiu-se que no geral, não a atratividade em aplicar recursos nestas empresas, pois, apresentaram índices muito insuficientes para trazerem benefícios aos investidores. Somente uma empresa possui um retorno considerável aos acionistas.
Palavras-chave: Agronegócio, Análise de investimento, Indicadores de Rentabilidade e Lucratividade, Bolsa de Valores.
ABSTRACT
"Agrobusiness" is the name that is spreading in Brazil for agribusiness, which a few years ago was associated only with the in natura production of grains, milk and animals for meat. Today agribusiness is an intense agricultural process, with the use of a lot of technology and high levels of productivity. The present study aimed at the investment analysis of the companies of the agricultural sector listed on the BM & FBOVESPA, identifying the attractiveness of capital investment in them. Data analysis was done through analysis of documents and information extracted from the database. Thus it was possible to verify if companies have advantages in applying resources through actions. The results obtained with the study were analyzed in a quantitative way and through it it was possible to obtain information that will aid in the present and future decisions of those who wish to invest in actions, besides identifying future problems that may occur. After structuring the analysis, using the ROI, ROE and LPA calculations, it was concluded that in general, the attractiveness of investing resources in these companies has not been enough to bring benefits to investors. Only one company has a substantial return to shareholders.
Keywords: Agribusiness, Investment analysis, Indicators of Profitability and Profitability, Stock Exchange.
INTRODUÇÃO
Para atender o crescimento da população mundial, a agricultura teve que aumentar a produtividade das lavouras na produção de alimentos, ou seja, produzir mais no mesmo espaço. Durante milhares de anos, as atividades agropecuárias sobreviveram de forma muito extrativa, retirando o que a natureza espontaneamente lhes oferecia. Os avanços tecnológicos eram muito lentos, até mesmo de técnicas muito simples, como as adubações com materiais orgânicos e preparo do solo (ARAÚJO, 2003).
A compreensão do agronegócio, em todos os seus componentes e inter-relações, é uma ferramenta indispensável a todos os tomadores de decisão, sejam autoridades públicas ou agentes econômicos privados, para que formulem políticas e estratégias com maior previsão e máxima eficiência (ARAÚJO, 2013).
Cada vez mais rápido a população mundial aumenta, o acréscimo somado com a melhoria esperada da renda per capita contribuirá diretamente para aumento do consumo de alimentos e de energia. Neste sentido, a agricultura passará a ter papel estratégico para suprir as necessidades das pessoas [...] (CAMPO-TERRITÓRIO, 2006).
Neste contexto, a abertura de capital ganha ênfase por ser a maneira menos custosa para financiar o setor produtivo permitindo o ganho em escala. Para Koike (2007, p.46) afirma que “menos de 10% das empresas do campo têm capital aberto”.
A análise econômica e financeira criteriosa e rígida de um projeto de investimento é base para sua realização, evitando empirismos que causam insucessos e prejuízos. Conforme Brigham e Ehrhardt (2012), pontos como custo de capital, custos operacionais, preços, rentabilidade, volumes operados, oportunidades, taxas de risco, taxas de atratividade são alguns itens primordiais para uma eficiente avaliação, diminuindo, as incertezas e maximizando as chances de sucesso no investimento.
A problemática deste trabalho é identificar se as empresas do setor agrícola são atrativas para o investimento de capital. O objetivo geral do trabalho é atestar a atratividade de investimento destas empresas. A solução se dará pela aplicação de técnicas de análise de investimento, como o Taxa de Retorno sobre Investimento (TRI ou “ROI” – Return Over Investment), Retorno sobre Patrimônio (ROE – Return On Equity) e Lucro Por Ação (LPA).
O estudo justifica-se pela importância que o agronegócio possui para a economia, além de ser responsável pela produção de alimentos. Gradativamente passou a ter papel de destaque na produção de matéria-prima para as mais diversas atividades fins.
Do ponto de vista prático e social, o estudo justifica-se por trazer informações às pessoas que buscam investimentos no mercado agrícola, podendo aplicá-lo de forma a obter a melhor rentabilidade, pois todos os valores investidos em ações são revertidos em desenvolvimento para as empresas e consequentemente gerando mais empregos e renda para a população em torno da empresa investida.
Ao que tudo indica tem-se poucos trabalhos voltados a análises de investimento em ações no agronegócio. Em vista disso, este trabalho será importante para estudantes, profissionais da área, professores e investidores que carecem de estudos relacionados à agricultura, com base nas consequências de aplicar capital nessas empresas.
REVISÃO DA LITERATURA
SISTEMA FINANCEIRO BRASILEIRO
O sistema financeiro começou a dar os primeiros passos por volta de 1960, quando a Lei da Reforma Bancária e a Lei do Mercado de Capitais foram publicadas. Conforme Pinheiro (2009) o sistema financeiro são instituições, instrumentos e mercados reunidos, de forma harmônica para canalizar as reservas de recursos das unidades superavitárias até as unidades deficitárias, ou seja, tem a função principal de transferir fundos disponíveis de poupadores, onde a renda é maior que os gastos, para os investidores, que são aqueles cujos gastos são superiores a renda.
O autor ainda destaca que são responsáveis por transferir recursos dos “agentes econômicos” que possuem recursos em excesso (superavitários) para aqueles que não o possuem (os deficitários), é chamado de agentes intermediários que desempenham papel fundamental no cenário econômico atual.
Os chamados agentes econômicos são as famílias, as empresas, o governo e os setores da economia, que possuem situações econômicas diferentes, sendo de escassez de recursos ou de abundância.
Para realizar a intermediação entre as partes, existem os agentes intermediários, sendo que o responsável principal pelo Sistema Financeiro Brasileiro é o Conselho Monetário Nacional e o Banco Central do Brasil, que regulamentam e fiscalizam todas as transações entres investidores e investigados.
As instituições intermediárias são bancos que oferecem serviços para financiar recursos de curto e longo prazo e que mediam as transações de investimentos, também existem as instituições auxiliares, destacando-se a BM&FBOVESPA, como a principal delas, sendo o local que oferecem condições e sistemas necessários para a realização de negociação de compra e venda de títulos e valores mobiliários de forma transparente. (CORREIA, 2008)
Segundo Pinheiro (2009) a gama de instituições e instrumentos que negociam os títulos e valores mobiliários, visando canalizar os recursos dos agentes compradores para agentes vendedores é chamado de Mercado de Capitais.
MERCADO DE CAPITAIS
No Brasil, o mercado de capitais começou a desenvolver-se após a publicação em 1964 da Lei de Mercado de Capitais, onde resultou em diversas modificações no mercado de ações, quando os Corretores de Fundos Públicos em Sociedades Corretoras de Títulos de Valores e Valores Mobiliários, forçando o desenvolvimento profissional e a criação dos Bancos de Investimentos. No início dos anos 70, o governo iniciou a criação de incentivos fiscais para a compra de ações, sem um correspondente aumento nas emissões de ações pelas empresas. Esse fato levou a rápida demanda por ações e paralelamente a sua valorização (PINHEIRO, 2009).
Assaf Neto (2014) afirma que o mercado de capitais é o grande municiador de recursos para o desenvolvimento da economia, estruturado e desenvolvido para sanar as necessidades de investimentos dos agentes econômicos, por meio de diversas formas de financiamentos de curto e longo prazo para aplicação em capital de giro e capital fixo. Além de oferecer financiamentos de prazo indeterminado, como operações que envolvem a emissão e a subscrição de ações.
A emissão de ações envolve várias partes que operacionalizam e normatizam o mercado, sendo as normativas a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a Bolsa de Valores e as que operacionalizam são a CVM; Bolsa de Valores; Sociedade Corretora de Títulos e Valores Mobiliários; Investidores pessoas físicas, jurídicas e institucionais; Agentes Autônomos de Investimento; Sociedades distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários; Bancos Múltiplos e de Investimento e as Companhias de Capital Aberto. (PINHEIRO, 2009)
Pinheiro (2009) admite que todas as entidades envolvidas no processo de emissão de ações tem por objetivo, que os investidores apliquem seus recursos com uma expectativa de ganho durante sua utilização, sendo que o ganho está relacionado ao risco assumido.
Cavalcante, Misumi e Rudge (2009) descrevem como ações a menor parcela do capital social de uma sociedade anônima, que concede ao proprietário o status de sócio ou acionista. Sendo que este acionista não é um credor da empresa, mas um proprietário, que possui o direito de participar nos resultados.
Consoante com Assaf Neto (2014), as ações são classificadas quanto a sua natureza de direitos e vantagens que os titulares possuem, em três espécies, sendo as ordinárias, preferenciais e de fruição ou gozo.
As ações ordinárias são aquelas em que o acionista tem direito a votar nas assembleias da companhia. Seu voto é proporcional à quantidade de ações que se possuem, podendo dessa forma participar das decisões, lucro e riscos do negócio, decidindo qual será o destino. (PINHEIRO, 2014)
O acionista ordinário tem a responsabilidade e obrigações proporcionais ao seu montante de ações. Os principais direitos do acionista são desde adotar e corrigir o estatuto da companhia, eleger a junta de dirigentes até autorizar a emissão de ações preferenciais, debêntures e outros tipos de títulos. (PINHEIRO, 2014)
As ações preferenciais conforme Cavalcante, Misumi e Rudge (2009), são aquelas em que o seu proprietário possui vantagens patrimoniais em relação às ações ordinárias, abdicando-se de outros direitos como o de votar nas assembleias gerais da companhia. Para os acionistas preferenciais o lucro é mais importante que o controle.
Pinheiro (2014) relata que as ações preferenciais possuem diversos tipos de participação, todas devem ser devidamente registradas e esclarecidas no estatuto da companhia.
De acordo com a Lei 6.404/76 (Lei das Sociedades Anônimas) as companhias devem emitir no mínimo 50% do seu capital em ações ordinárias, e as ações preferenciais podem ser emitidas na quantidade máxima de 50% do capital (BRASIL, 1976).
As ações de gozo ou fruição são negociadas nas bolsas de valores, mas revelando interesse mesmo somente pelos fundadores da companhia, pois são aqueles em que mesmo terem sido quitadas o detentor das ações continua desfrutando delas. O dono das ações pode continuar participando das assembleias apesar de não ter mais direito a voto, e continuará recebendo dividendos e bonificações como os outros acionistas (ASSAF NETO, 2014).
BOLSA DE VALORES
A BM&FBOVESPA havia surgido em 8 de maio de 2008, quando houve a fusão da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), cuja criação remonta a 1890, e a Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), fundada em 1917. (B3, 2017). Então agora Brasil, Bolsa, Balcão (B3) é a bolsa de valores oficial do Brasil.
Com sede na cidade de São Paulo, ela surgiu após a fusão da Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo (BM&FBOVESPA S.A.) com a Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos (CETIP S.A.), aprovada em 22 de março de 2017 pela Comissão de Valores Mobiliários e pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica.
A Cetip (2017) é uma sociedade anônima que oferece serviços de registro, central depositária, negociação e liquidação de ativos e títulos, onde proporciona liquidez, segurança e transparência para as operações financeiras. A empresa é a maior depositária de títulos privados de renda fixa da América Latina e a maior câmara de ativos privados do país.
Na Tabela 01, é apresentada uma linha do tempo das principais bolsas que originaram a 3B, ou seja, a Bovespa e a BM&F.
Pinheiro (2014) conceitua bolsa de valores como sendo o local onde se negociam ações, estas por sua vez são instituições de caráter econômico que possuem como objeto principal a negociação pública mercantil de títulos e valores mobiliários. As bolsas de valores são instituições aberta a todos as pessoas físicas e jurídicas, onde possuem como objetivos a facilitação da troca de fundos entre entidades, proporcionar a liquidez aos investidores, tornar fixos os preços seguindo a oferta e a demanda, fornecer informações para os investidores sobre as empresas que negociam na bolsa, propiciar confiança aos investidores e publicar os preços e as quantidades negociadas aos investidores.
Tabela 01: Cronologia da BM&FBOVESPA
Fonte: Adaptado de B3 (2017)
A evolução da tecnologia, a maior facilidade de movimentação de capitais e o fim de barreiras internacionais foram os propulsores que levaram o mercado de capitais a chegaram a uma dimensão global e interligada, desse modo, fatos que acontecem em um país, imediatamente refletem em todos os outros mercados do mundo. (PINHEIRO, 2014)
A tabela 02 demonstra as maiores bolsas de valores do mundo em 2016, em ordem de valor de mercado, segundo a World Federation of Exchange.
Tabela 02: As 10 maiores bolsas de valores do mundo por valor de mercado em 2016
Fonte: Adaptado de World Federation of Exchange (2017)
As bolsas de valores espalhadas pelo mundo assumem papel de grande importância para o desenvolvimento da econômica de seus países e por que não dizer do mundo todo, permitindo o uso eficiente dos recursos no momento correto da tomada de decisão, torna o próprio mercado cada vez mais eficiente e refletindo também aos demais setores da economia.
Por sua vez, um mercado eficiente amplia as alternativas de financiamento de diversas formas, reduzindo custos financeiros, onde contribui para a saúde financeira das empresas, retornando aos acionistas com a valorização do capital investido. Tendo um mercado acionário desenvolvido, estes contribuíram para o aumento da produtividade econômica, em nível global. (PEROBELLI, 2007)
EMPRESAS AGRÍCOLAS NA BOLSA DE VALORES
Atualmente ainda existem pessoas que imaginam que a agricultura está em arar o solo, plantar, colher, ordenhar vacas ou alimentar animais. Este modelo perdurou até o início da década de 60, hoje, com a crescente transformação que tem ocorrido no campo, a agricultura é vista como um amplo e complexo processo que não se limita às atividades de dentro da propriedade rural, sendo também as atividades de distribuição e insumo, armazenamento, processamento e distribuição dos produtos (MENDES e PADILHA JUNIOR, 2007).
Conceição e Conceição (2014) relatam que devido ao desenvolvimento da ciência e tecnologia, a agricultura brasileira passou por um grande impulso entre as décadas de 1960 e 1980, proporcionando o domínio de regiões antes consideradas impróprias para a agropecuária, fazendo surgir à oferta de um maior número de produtos, a partir desta época o Brasil passou a dominar a “agricultura tropical”.
Segundo Barros (1983), a estratégia brasileira de modernização da agricultura, no período 1960-1980, baseou-se na expansão dos programas de crédito subsidiado, elevação dos gastos em extensão rural e pesquisa, maior abertura ao comércio internacional e prioridade ao setor de insumos modernos.
No gráfico 1, visualiza-se a importância do agronegócio no período entre 2007-2016, respondendo em média com cerca de 27 a 32% das exportações do Brasil.
Gráfico 01: Balança comercial brasileira das exportações do agronegócio de 2007 a 2016
Fonte: Adaptado Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (2017), em Bilhões de Reais.
Segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (2017), os principais produtos agropecuários exportados em 2016 foram os complexos de soja que representa 29,93%, carnes com 16,73%, complexo sucroalcooleiro com 13,36%, produtos florestais com 12,06%, café representa 6,44%, cereais e farinhas com 5,01% e muitos outros produtos que representam aproximadamente 16% das exportações.
O gráfico 02 enfatiza a grande participação no Produto Interno Bruto, tendo sua participação entre 21% e 39%.
Gráfico 02: Participação do agronegócio no PIB do Brasil, entre 2007 e 2016.
Fonte: Adaptado Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (2017), em Bilhões de Reais.
Neste contexto, a abertura de capital ganha destaque por ser a maneira menos custosa e demorada para financiar o setor produtivo permitindo a consolidação do setor e ganho de escala.
As empresas agrícolas, na sua maioria, surgiram de pequenas empresas familiares com modernização em estágios iniciais, sem qualquer regulamentação no processo sucessório, inviabilizando as "boas práticas de governança corporativa" que permitirão o ingresso no mercado de capitais (COSTA DE SOUZA, FILGUEIRAS, 2009).
Costa de Souza e Filgueiras (2009) relatam que o desafio maior era dos proprietários destas empresas, em abrir mão do exclusivo poder decisório e ter ciência que os acionistas passarão a ser sócios da empresa, exigindo transparência e qualidade das informações, passando de uma gestão familiar e centralizada para uma gestão transparente.
Consoante, a BM&FBOVESPA apresentou grande valorização nos últimos anos, permitindo praticar seu principal objetivo de fornecer uma forma barata de financiar empresas e premiar bons empreendedores.
Nesta linha, foram estudadas as empresas do setor agrícola, sendo elas: BRASILAGRO, CTC, POMIFRUTAS, SLC AGRICOLA e TERRA SANTA.
- Brasil Agro
Com sede na cidade de São Paulo, foi fundada em 2005 e com abertura de capital em 2006, a Brasil Agro possui como atividade principal o desenvolvimento de terras. A Companhia adquire propriedades rurais com significativo potencial de geração de valor e a desenvolve por meio de aplicação de tecnologia, técnicas agronômicas para aumentar a rentabilidade das lavouras e também realiza investimentos em infraestrutura, logo após as vendas e captura o ganho pela valorização das propriedades.
A empresa possui 3 fontes de geração de renda, a primeira é a valorização de terras, a segunda é a renda obtida com atividades de produção de produtos agrícolas nessas propriedades que é de fundamental importância para a valorização das mesmas e por último a valorização por si só das terras. A Brasil Agro possui propriedades no Brasil e também no Paraguai. (BRASILAGRO, 2016)
2.4.2 - CTC
Sediada na cidade de Santo Antônio/SP, O CTC – Centro de Tecnologia Canavieira é uma empresa de biotecnologia que tem como principal objetivo a pesquisa, desenvolvimento e comercialização de variedades de cana-de-açúcar para atender às necessidades dos produtores. Inaugurada em 1969 como uma unidade de pesquisa de uma cooperativa, com o objetivo de desenvolver inovações tecnológicas para o setor suco energético.
Em 2004, o CTC torna-se uma instituição de pesquisas sem fins lucrativos, onde possuía as principais usinas do ramo como associadas. Em 2011 o CTC torna-se Sociedade Anônima, onde possui como acionistas os principais grupos do setor suco energético, que respondiam por mais de 60% da capacidade produtiva nacional. Já em 2016 a companhia entra para a Bolsa de Valores através de um programa da BM&FBOVESPA, chamado “Bovespa Mais”, onde as empresas desejam acessar o mercado de ações de forma gradual, objetivando fomentar o crescimento de pequenas e médias empresas. (CTC, 2016)
2.4.3 - Pomi Frutas:
A companhia produz e comercializa maçãs in natura e processadas, localizada em Santa Catarina, na cidade de Fraiburgo, que conta com clima ideal para a cultura da maçã, possui cerca de 900 hectares que são cultivados em terrenos arrendados pela empresa ou por meio de fomento agrícola para a produção de frutas, os quais recebem insumos agrícolas, suporte financeiro e gestão de qualidade da Pomi Frutas.
Fundada em 1962, por René e Arnoldo Frey, inicialmente chamando-se Renar Maças S.A.. Em 2003, a empresa se posiciona como a maior exportadora de maçãs do Brasil, dois anos após a empresa começar a negociação de suas ações na Bolsa de Valores. Em 2009 a Renar Maças, adquire a empresa de alimentos Pomifrai, também produtora de maçãs.
Finalizando, em 17 de Janeiro de 2014, a Renas Maçãs S.A. incorpora 100% da Pomifrai Alimentos S.A., onde também no mesmo ano ocorre o agrupamento das ações das companhias. A alteração na denominação social da empresa para Pomi Frutas S.A. ocorreu somente em 11 de dezembro de 2015. (POMIFRUTAS, 2016).
2.4.4 - SLC Agrícola:
Com sede na cidade de Porto Alegre/RS a SLC Agrícola, foi fundada em 1977 pelo Grupo SLC, é uma empresa produtora de commodities agrícolas, focada na produção de algodão, soja e milho. No ano de 1927, Frederico Logemann fundou a Vila de Belo Horizonte, onde hoje é a cidade de Horizontina/RS. Em 1945, os sócios Frederico Logemann e Balduíno Schneider criaram a Schneider & Logemann Cia LTDA, focada na fabricação e manutenção das ferramentas dos agricultores da região.
Em 1951 com o falecimento de Frederico, seu filho Jorge Logemann, conduz os negócios do pai, onde 14 anos depois fabricam a primeira colheitadeira automotriz[4] do Brasil. Em 1977 surge a SLC Agrícola, com a compra da Fazenda Paineira, no município de Coronel Bicaco, Estado do Rio Grande do Sul, voltada ao cultivo de soja e trigo.
Por meio do relacionamento com a fabricante de máquinas agrícolas e de construção, John Deere, estabelecido em 1979, através de uma joint-venture para produção de colheitadeiras e tratores até 1999, a SLC foi pioneira na implementação da agricultura mecanizada no Brasil, com o uso de maquinário agrícola de alta tecnologia. Em junho de 2007 fomos a primeira empresa genuinamente produtora de grãos e algodão do mundo a ter ações negociadas em bolsa de valores. (SLC AGRICOLA, 2017)
2.4.5 - Terra Santa:
A Terra Santa é uma empresa produtora de commodities agrícolas, focada na produção de soja, milho e algodão e valorização de terras. Em 10 de novembro de 2006, foi realizada a Oferta Pública Inicial de Ações. A Terra Santa é o resultado da incorporação de três empresas: Brasil Eco diesel, Maeda Agroindustrial e Vanguarda Participações. Atualmente a companhia possui 158,2 mil hectares, para desenvolvimento de suas atividades (TERRA SANTA, 2017).
INVESTIDORES
Antes de investir, é extremamente necessário que o investidor saiba o quanto está disposto a expor-se aos riscos. Seu perfil pode variar de acordo com fatores como idade, renda, endividamento e uma série de outras variáveis. Desta forma, pode-se classificar os investidores em basicamente três perfis diferentes.
Costa (2009) define estes tipos de investidores por nível de risco: Conservador (Baixo Risco), Moderado (Risco Médio) e Dinâmico ou Agressivo (Alto Risco):
1 – Investidor Conservador: Este prefere investimentos sem ou com risco muito baixo, prefere conservar seu capital a fazê-lo aumentar, ou seja, preza em primeiro lugar a segurança em detrimento a rentabilidade, optando por preferência em investimentos de renda fixa e destinando uma pequena parte para investimentos de renda variável. Essa distribuição entre renda fixa e variável está em torno de 80% para fixa e 20% para variável.
2 – Investidor Moderado: Está disposto a correr determinado nível de risco médio, dando preferência ao aumento de seu capital, porém, ciente da flutuação e volatilidade dos ativos. É um perfil de investidor que prefere equilibrar rentabilidade e risco, optando 40% para rendas fixas e os outros 60% para investimentos de rendas variáveis.
3 – Investidor Dinâmico ou Agressivo: Está disposto a enfrentar riscos maiores e preparado para ter grandes perdas do capital, ou até mesmo a perda de todo do mesmo. Neste perfil encontram-se os investidores que gostam do risco e da emoção das oscilações do mercado, preferindo destinar mais de 60% do seu capital para investimentos de renda variável.
É de suma importância conhecer o perfil de risco dos investidores no mercado de ações para pronunciar determinados movimentos. O perfil do investidor vai determinar a sua maior ou menor reação no mercado acionista, ou seja, quanto mais conservador ao risco for o investidor menor serão os movimentos de compra e venda de ações (CAVALCANTE; MISUMI; RUDGE, 2009).
TÉCNICAS DE ANÁLISE DE ATRATIVIDADE DE INVESTIMENTO
A decisão de aplicar capital em uma determinada empresa através da compra de ações é baseada no estudo de muitas variantes, que englobam desde atestar a saúde da empresa através da análise de demonstrações contábeis e indicadores econômicos e financeiros, até a realização de uma avaliação das ações da companhia por meio da análise fundamentalista ou técnica, porém o foco principal deste artigo é a análise da rentabilidade das ações emitidas pelas empresas agrícolas listadas na Bolsa de Valores.
Os índices de rentabilidade visam demonstrar o retorno proporcionado pelos investimentos realizados na empresa. Ao avaliar a rentabilidade os investidores terão condições de decidir se vale a pena manter o empreendimento, se é interessante economicamente aplicar mais capital no negócio ou se a companhia está proporcionando retorno inferior a outras oportunidades de investimento disponíveis. (WERNKE, 2008)
O presente artigo aplicará os seguintes índices de análise de rentabilidade: Retorno sobre Investimento (ROI), Retorno sobre o Patrimônio (ROE) e o Índice de Lucratividade por Ação.
O termo ROI é uma sigla para a expressão em inglês “Return Over Investment”, ou “Retorno sobre Investimento”. Esse indicador demonstra quanto dinheiro a empresa está ganhando ou perdendo com cada investimento. O cálculo do ROI pode ser feito em qualquer projeto que visa algum lucro futuro, como aquisição de novos equipamentos, novas estratégias de retenção de clientes, e também investimentos no mercado acionário. (YANAZE, 2010)
Segundo Assaf Neto (1998), o lucro operacional compreende o resultado operacional depois do imposto de renda, sem influência do resultado financeiro. O montante de investimentos representa o quanto a empresa investiu no negócio buscando recursos no mercado financeiro, sendo calculado por meio do ativo total menos os passivos de funcionamento.
O Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE – Return On Equity) mensura o retorno dos recursos aplicados na empresa por seus proprietários ou acionistas, ou seja, o quanto de lucro foi referido em relação aos recursos próprios (patrimônio líquido) investidos na empresa. (ASSAF NETO, 2014)
Assaf Neto (2014) demonstra que o cálculo é realizado pela relação entre o lucro líquido e o patrimônio líquido médio, ou seja:
O índice de lucratividade por ação utilizado por investidores é formado por duas equações, pelo Lucro por Ação (LPA) e o Índice Preço/Lucro (P/L).
A equação do LPA é a seguinte:
Assaf Neto (2014) discorre que o LPA não revela o quanto cada acionista irá realmente receber em função do retorno produzido na aplicação de seus recursos. Mas o que esse indicador denota é a parcela do lucro líquido pertencente a cada ação. Este indicador é aplicável somente quando os dividendos forem igualmente divididos entre os acionistas.
JUSTIFICATIVA E METODOLOGIA DA PESQUISA
Este estudo justifica-se pela importância que o agronegócio possui para a economia, além de ser responsável pela produção de alimentos. Gradativamente passou a ter papel de destaque na produção de matéria-prima para as mais diversas atividades fins.
Uma das maiores dificuldades para o aumento da produção agropecuária no país é o aumento no preço das terras. Segundo mapeamento realizado pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento entre 2002 e 2013 o preço das terras tiveram uma valorização média de 308% (REVISTA GLOBO RURAL, 2015). Por estes motivos a agricultura deve investir em ganho de produtividade, bons métodos de gestão e planejamento.
Do ponto de vista prático e social, o estudo justifica-se por trazer informações às pessoas que buscam investimentos no mercado agrícola, podendo aplicá-lo de forma a obter a melhor rentabilidade, pois todos os valores investidos em ações são revertidos em desenvolvimento para as empresas e consequentemente gerando mais empregos e renda para a população em torno da empresa investida.
Ao que tudo indica tem-se poucos trabalhos voltados a análises de investimento em ações no agronegócio. Em vista disso, este trabalho será importante para estudantes, profissionais da área, professores e investidores que carecem de estudos relacionados à agricultura, com base nas consequências de aplicar capital nessas empresas.
Além disso, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CANAL RURAL, 2016) divulgou no final de 2016 um balanço do setor atualizando sua participação de 23% do PIB nacional, e é neste contexto que se busca resgatar a importância do segmento para o país. O setor é altamente competitivo, mostrando sua importância para o equilíbrio das contas do país.
Segundo Almeida, Santos e Oliveira (2012) a metodologia é a descrição detalhada das etapas necessárias para atingir os objetivos do projeto de pesquisa, devendo ser clara, objetiva e detalhada.
3.1 Caracterização da pesquisa
Este estudo teve como natureza aumentar o conhecimento científico, com intenção de ampliar a compreensão de fenômenos e comportamentos, sendo está denominado pesquisa de natureza básica (SILVA, 2010).
O desenvolvimento nesta linha de pesquisa pretende compreender e aprofundar os conhecimentos sobre determinado tema na sociedade ou organização, sem se preocupar com a representatividade numérica, sendo esta pesquisa enquadrada como qualitativa (GERHARDT e SILVEIRA, 2009).
A pesquisa tem finalidade descritiva, onde os fatos são observados, registrados, analisados, classificados e interpretados, sem que o pesquisador interfira neles (ANDRADE, 2010).
Conforme Silva (2010) a pesquisa documental é a realizada em documentos conservados no interior de órgãos públicos e privados de qualquer natureza, ou com pessoas: registros, anais, regulamentos, circulares, ofícios, memorandos, balancetes, comunicações informais, filmes, microfilmes, fotografias, informações em disquete, diários, cartas pessoais a outros, sendo este tipo de pesquisa que será utilizada na pesquisa.
A pesquisa em questão vai se utilizar de informações extraídas do software Economática®, das Centrais de Relacionamento com Investidores das empresas do setor agrícola listadas na BM&FBOVESPA e de relatórios da Bolsa de Valores oficial brasileira.
3.2 População e Amostra
A população é o conjunto total de que fará parte da pesquisa e a amostra é uma parte escolhida que se deseja estudar. O artigo possui amostra intencional onde foi escolhida em função de suas características, que são empresas do setor de agricultura, que estão listadas na Bolsa de Valores.
A população da pesquisa são as empresas de consumo não cíclico, subsetor agropecuária e segmento agricultura, listadas na BM&FBOVESPA, a qual representam um total de 5 empresas a serem analisadas: As empresas são:
- Brasil Agro – Cia Brasileira de Propriedades Agrícolas;
- CTC – Centro de Tecnologia Canavieira S.A;
- Pomifrutas S.A;
- SLC Agrícola S.A e
- Terra Santa Agro S.A.
3.3 Coleta e análise dos dados
Segundo Gerhardt e Silveira (2009) a coleta de dados é a busca por informações para a elucidação de determinado fenômeno ou fato que o pesquisador quer desvendar. Esta pesquisa tomou por base informações financeiras, econômicas e contábeis das empresas do segmento de agricultura da BM&FBOVESPA dos períodos de 2012 a 2016.
Esse estudo teve como instrumento de coleta de dados os meios eletrônicos, sendo em questão os sites das companhias a serem estudadas e o software Economática® que é referência no desenvolvimento de sistemas para análise de investimentos.
A tabulação dos dados foi realizada por meio da ferramenta de planilhas Microsoft Office Excel, onde os dados obtidos da coleta de dados foram separados por empresas onde foram aplicadas as fórmulas matemáticas de análise de demonstrações contábeis. Os resultados obtidos dos cálculos de análise serão consolidados, de onde serão tiradas as bases para o desenvolvimento do artigo.
ANÁLISE DE DADOS
São analisados os indicadores de Retorno de Investimento (ROI), Retorno sobre o Patrimônio (ROE) e Lucro por Ação (LPA), dos cinco últimos exercícios sociais das empresas, ou seja, 2012, 2013, 2014, 2015 e 2016.
A partir dos três indicadores serão calculados suas médias aritméticas por empresa e por ano e o desvio padrão por empresa ao longo dos 5 períodos analisados.
Segundo o Formulário Consolidado Negociação de Administradores e Pessoas Ligadas – Art. 11 – Instrução CVM nº 358/2002, dos meses de agosto e setembro de 2017, as empresas Pomi Frutas e Centro de Tecnologia Canavieira não realizaram nenhuma operação com valores mobiliários e derivativos. Também não ocorre a atualização dos preços das ações para a compra das mesmas. Por estes motivos, ambas as empresas serão retiradas da análise.
4.1 ROI – Retorno Sobre o Investimento
O indicador ROI representa o retorno ao valor aplicado por um investimento da empresa. O gráfico 03 demonstra os índices de ROI, dos cinco exercícios analisados por todas as empresas.
Gráfico 03: ROI – Retorno Sobre o Investimento.
Fonte: Dados da pesquisa (2017)
Para que um indicador de rentabilidade seja considerado bom, ou seja, que acarreta em retorno para o investidor este deve ser superior a 0%, e no que se visualiza a grande parte das empresas encontra-se com valores negativos, exceto a SLC Agrícola, que em 2016 fechou com o ano em 1,96%, o restante concluíram o exercício com índices de -1,08% a -11,95%. Significa dizer que um investimento nestas empresas, trará uma perda de valor investido.
A empresa Brasil Agro teve em 2012 índice de 2,07%, vindo a piorar nos próximos 2 anos chegando em -1,60% em 2013 e -1,15% em 2014, já em 2015 a Brasil Agro conseguiu uma leve reação, mas em 2016, voltou a ter uma recaída. Na média geral da empresa o índice ficou em -0,26%.
A Companhia Terra Santa finalizou o ano de 2016 com rentabilidade de investimento em -4,25%, ou seja, se investir R$1.000,00 em ações, o investidor perderá R$42,50 do capital aplicado. Como nota-se, a empresa iniciou a recaída do indicador a partir de 2013 com índice de -6,41%, ocorrendo uma leve alta nos exercícios subsequentes, mas não sendo suficiente para trazer rentabilidade aos investidores, fechando com média de 2,67% dos exercícios analisados.
Sendo a primeira empresa agrícola a ter capital aberto disponível na bolsa de valores, a SLC agrícola, é a única empresa que se mantém com bons indicadores. Com média de 3,28% nos 5 anos estudados, com extremos em 4,97% e 1,96%, está queda é devido a redução de 61,36% no resultado operacional da empresa.
Segundo o relatório da administração da Terra Santa e da SLC Agrícola, a redução do resultado operacional ocorreu devido ao elevado “stress hídrico”, em decorrência do fenômeno El Nino (o mais intenso nos últimos 50 anos), que acarretou uma redução no volume de chuvas em 30%, em relação à média histórica.
4.2 ROE – Retorno Sobre o Patrimônio
O Retorno Sobre o Patrimônio indica o percentual da capacidade de uma empresa em agregar valor utilizando os próprios recursos. O gráfico 04 demonstrou que a média geral de todas as empresas nos 5 períodos, foi de -2,69%, ou seja, uma aplicação de R$1.000,00 o investidor perderia R$26,90. A empresa Brasil Agro teve uma média de 1,65%, com extremos em -0,76% (2016) e 5,91% (2015), destacando que os extremos do indicador ocorreram em anos consecutivos.
Gráfico 04: ROE – Retorno Sobre o Patrimônio.
Fonte: Dados da pesquisa (2017)
A SLC Agrícola teve destaque por ser a empresa com melhor ROE durante o período, com 3,01% de média. Realçando, está empresa foi à única que não apresentou índice negativo. Por outro lado, a Terra Santa possui indicadores nada favoráveis à companhia, com média de -12,73%, a empresa chegou em 2013 a -18,07% e no máximo a -6,06% em 2014 e finalizou 2016 em com -15,15%. Ressaltando que em 2016 a Terra Santa, fechou o ano com prejuízo acumulado de mais de 1,5 Bilhão de Reais.
4.3 LPA - Lucro Por Ação
Consoante Assaf Neto (2014), o indicador LPA, demonstra a fração do lucro líquido de cada ação emitida.
O gráfico 05 exibe o Lucro Por Ação das companhias durante os anos de 2012 a 2016, resultando em uma média de –R$3,35. A empresa que mais chama atenção no gráfico acima, é a Terra Santa, que nos últimos 5 anos tenta conter o seu prejuízo, e por este motivo não registra lucro por ação e sim prejuízo por ação de –R$17,80 em 2013 e com redução de 53,5% para 2016.
Gráfico 05: LPA – Lucro por Ação.
Fonte: Dados da Pesquisa (2017)
A Brasil Agro e a SLC Agrícola, possuem indicadores muito semelhantes, mas, destacando novamente a SLC Agrícola por não ter nos últimos 5 anos prejuízo por ação. Ambas as empresas seguiram a mesma linha de tendência, exceto no ano de 2013 que as mesmas tiveram divergências a SLC Agrícola como o segundo maior lucro por ação (R$0,97) e a Brasil Agro como o pior índice (-R$0,08).
4.4 Análise Geral
A análise geral dos indicadores traz uma visão global da situação das empresas, entre os anos de 2012 a 2016. A tabela 03 explana sobre os indicadores de Retorno sobre o Investimento, Retorno sobre o Patrimônio e o Lucro Por Ação das empresas estudadas, sendo que o valores apresentados são a soma dos indicadores das empresas e dividido pelo número de empresas.
Tabela 03: Média ROI, ROE e LPA por ano.
Fonte: Dados da pesquisa (2017)
Nota-se que o ROE e o LPA em todos os anos são negativos, ou seja, na média não há retorno para o acionista da empresa e que ocorre maior volume de prejuízo nos exercícios da empresa.
A tabela 04 apresenta a média dos indicadores somando os 5 períodos analisados, assim foi possível extrair a média destes indicadores nos últimos exercícios das empresas.
Tabela 04: Média ROI, ROE e LPA por empresa.
Fonte: Dados da pesquisa (2017)
Na tabela 04, a empresa SLC agrícola é a única a possuir todos os seus indicadores positivos, ou seja, que trará retorno ao investidor e para a própria empresa com aplicação de capital de investidores.
Totalmente adverso a SLC Agrícola está a Terra Santa que apresentou os piores índices, todos negativos com uma boa expressividade, significando que um investimento na mesma, não trará nenhum retorno para o investidor.
Na mediana das empresas está a Brasil Agro, que possui índices que estão próximos a 0, com ROE e LPA positivos e ROI negativo. Para realizar aplicação nesta empresa é necessário um estudo mais avançado e análise das perspectivas da empresa e do futuro do setor.
Com base em todos os dados e informações esplanadas, pode-se concluir que no geral do setor de agricultura das empresas listadas na bolsa de valores brasileira, não há atratividade para investimento nestas empresas. Apenas a SLC Agrícola traz um retorno considerável ao investidor e a própria empresa, todas as outras não recomendam investimento.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O estudo foi realizado em três empresas de sociedade anônima do ramo agrícola, listadas na BM&FBOVESPA que tem como atividade a produção de commodities agrícolas e o desenvolvimento de terras, teve como objetivo a realização de uma análise de investimento através de ações. A pesquisa analisou a situação dos anos de 2012 a 2016 das empresas através de documentos e informações extraídas de banco de dados, buscando identificar se as empresas do setor agrícola são atrativas para o investimento de capital.
Com o estudo foi possível demonstrar que analisando no geral as empresas do setor agrícola da bolsa de valores, não a atratividade para investimento, pois nos últimos anos os indicadores de Retorno sobre o Investimento, o Retorno sobre o Patrimônio e o Lucro Por Ação, permaneceram negativos, ou seja, uma aplicação de capital nas mesmas acarretará em perda de capital por parte do investidor. Apenas a SLC Agrícola tem bons indicadores para investimento, pois a mesma vem conseguindo manter uma boa média dos indicadores.
Tal estudo mostra a relevância e importância da análise de investimento, mesmo para investidores iniciantes, pois a análise traz uma segurança na aplicação de capital e uma melhor escolha da empresa a se investir, também aborda várias informações úteis ao acionista que ajudam na tomada de decisão com mais assertividade.
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Acadêmico do Curso de Ciências Contábeis, da área das Ciências das Humanidades da Universidade do Oeste de Santa Catarina – UNOESC, Campus de Joaçaba - SC (emanuelmeneghini@hotmail.com) ↑
Acadêmica do Curso de Ciências Contábeis, da área das Ciências das Humanidades da Universidade do Oeste de Santa Catarina – UNOESC, Campus de Joaçaba - SC (Silvani.somensi@hotmail.com) ↑
Mestre em Ciências Contábeis, UNISINOS – RS, professor da área das Ciências das Humanidades da Universidade do Oeste de Santa Catarina UNOESC – SC (reginaldo.oliveira@unoesc.edu.br) ↑
Automotriz ou automotor: Veiculo capaz de se deslocar por seus próprios meios, sem ser puxado ou empurrado. (ANJOS, 2017) ↑

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