ABSTRACT
Dropout rates in teacher training programs represent one of the major challenges facing Brazilian higher education. In this context, programs designed to encourage teacher training—such as the Institutional Program for Teaching Initiation Scholarships (PIBID)—have been identified as relevant strategies for fostering student retention. This study aimed to conduct a comparative analysis of graduating students from the Biological Sciences teacher training program at the Federal University of Rondônia (UNIR)—specifically those who participated in such programs versus those who did not—seeking to identify indications of a relationship between participation in teacher training programs and retention in higher education. This research employed a quantitative approach and was descriptive and documentary in nature, based on the analysis of institutional data regarding the students' academic trajectories. The results showed that the majority of the analyzed graduates had participated in PIBID. A significant number of dropouts was also identified, highlighting the challenges associated with student retention in teacher training programs. Data analysis, combined with specialized literature, suggests that teaching initiation programs can contribute to strengthening academic bonds, professional identity, and the continuity of studies. Thus, PIBID represents an important public policy supporting teacher training and student retention, although further research is needed to deepen the understanding of its impact on the academic trajectories of prospective teachers.
Keywords: Biological Sciences teacher training; Initial teacher training; Educational policies; Student retention; Teaching initiation.
1. INTRODUÇÃO
A formação de professores para a educação básica no Brasil constitui um dos principais desafios das políticas educacionais contemporâneas, especialmente no que se refere à permanência dos estudantes nos cursos de licenciatura. No Brasil, esse fenômeno é ainda mais preocupante nos cursos de licenciatura, devido à desvalorização histórica da carreira docente e às dificuldades socioeconômicas enfrentadas pelos estudantes (Santos; Real, 2019).
Nesse sentido, a permanência no ensino superior não depende apenas do ingresso do estudante na universidade, mas está diretamente relacionada ao seu nível de integração acadêmica, ao vínculo com a instituição e à identificação com a futura profissão (Tinto, 2012).
No contexto brasileiro, a problemática da evasão se intensifica nos cursos de licenciatura, historicamente marcados pela desvalorização da carreira docente, pelas dificuldades socioeconômicas enfrentadas pelos estudantes e pela necessidade de conciliar trabalho e estudo. Esses fatores contribuem para a fragilização da trajetória acadêmica e, consequentemente, para o abandono do curso antes da conclusão (Santos; Real, 2019). Além disso, a falta de políticas institucionais eficazes de permanência agrava esse cenário, evidenciando a necessidade de estratégias que promovam o engajamento e a continuidade dos licenciandos no ensino superior.
Nesse panorama, a Universidade Federal de Rondônia (UNIR), enquanto instituição pública de ensino superior do estado, desempenha papel fundamental na formação de professores para a região Norte. O curso de Licenciatura em Ciências Biológicas, criado em 2015, insere-se nesse contexto como uma iniciativa voltada à qualificação docente, articulando conhecimentos científicos e pedagógicos. Contudo, apesar de sua relevância social e acadêmica, o curso apresenta desafios relacionados à permanência dos estudantes, refletindo uma tendência observada em âmbito nacional.
Diante dessa realidade, políticas públicas voltadas à formação docente têm sido implementadas com o objetivo de reduzir a evasão e fortalecer a permanência acadêmica. Entre essas iniciativas, destaca-se o Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) (Brasil, 2010), que promove a inserção dos licenciandos no ambiente escolar desde os primeiros períodos da graduação, possibilitando a articulação entre teoria e prática e contribuindo para o desenvolvimento da identidade docente. Além disso, o programa oferece suporte financeiro aos estudantes, fator relevante especialmente para aqueles em situação de vulnerabilidade socioeconômica.
A experiência prática proporcionada pelo programa permite ao licenciando compreender de forma mais concreta a realidade escolar, o que pode contribuir para a construção de sua identidade profissional e para a continuidade de sua trajetória acadêmica.
O presente trabalho tem como objetivo realizar um levantamento de dados sobre a participação dos concluintes do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas da UNIR nos programas PIBID. A proposta visa mensurar a influência direta desses programas sobre a conclusão do curso, verificando possíveis correlações entre a participação em tais programas e a permanência e sucesso acadêmico dos licenciandos.
Como objetivos específicos, busca-se identificar o número total de estudantes concluintes que ingressaram no curso de Licenciatura em Ciências Biológicas da UNIR desde 2016 até 2021; levantar dados sobre a participação desses concluintes no Programas PIBID durante a formação; comparar o número de concluintes que participaram dos programas com aqueles que não participaram; e organizar e apresentar os dados de forma sistemática.
No caso do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas da UNIR, a baixa taxa de concluintes exige atenção e investigação. A análise de fatores que possam contribuir para a permanência dos estudantes torna-se essencial para a proposição de políticas institucionais mais eficazes.
O PIBID representa, nesse sentido, possibilidade concreta de apoio à formação docente. Esse programa incentiva a prática pedagógica durante vários períodos do curso, o que pode aumentar o envolvimento do estudante com a carreira e, por consequência, sua motivação para concluir a graduação (Brasil, 2010).
Este estudo justifica-se pela necessidade de sistematizar informações sobre a relação entre participação em programas de iniciação à docência e a conclusão do curso, criando um panorama que possibilite a reflexão e aprimoramento das políticas de permanência adotadas pela UNIR. A consolidação de uma base de dados servirá como ponto de partida para outras investigações e para o fortalecimento de práticas de incentivo à formação docente.
2. REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 A permanência e evasão no ensino superior
A permanência e a evasão no ensino superior têm sido temas amplamente discutidos por pesquisadores da área da educação. A evasão é definida como o abandono do curso por parte do estudante antes de sua conclusão, enquanto a permanência envolve o conjunto de condições que permitem ao discente seguir sua trajetória até a diplomação (Tinto, 2012).
Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP, 2020), os cursos de licenciatura apresentam os maiores índices de evasão do país, em especial nas áreas de Ciências da Natureza e Matemática. Para Tinto (2012), a permanência está diretamente associada à integração acadêmica e social do estudante com o curso, ou seja, quanto maior o vínculo estabelecido com a universidade e sua futura profissão, maiores as chances de concluir a graduação.
Segundo Bierhalz e Bruno (2025), a evasão no ensino superior é um fenômeno complexo motivado por múltiplos fatores de ordem pessoal e institucional, abrangendo desde problemas de saúde mental e dificuldades financeiras até a didática docente. Em seu estudo de caso sobre os cursos de graduação de uma universidade federal gaúcha, as autoras demonstraram que o período da pandemia de COVID-19 e o pós-pandemia acentuaram os índices de abandono. Elas ressaltam que, para combater esse cenário, é fundamental fortalecer o diálogo constante com os estudantes e aprimorar os mecanismos de permanência já existentes na instituição.
Nesse sentido, compreender a evasão na Licenciatura em Ciências Biológicas da UNIR é fundamental para analisar as condições de formação e buscar estratégias que promovam a permanência acadêmica, garantindo a formação de professores qualificados para a educação básica.
2.2 Políticas públicas de fomento à formação docente no Brasil
As políticas de formação docente no Brasil passaram a ganhar maior destaque a partir dos anos 2000, quando o governo federal intensificou investimentos em programas voltados ao fortalecimento das licenciaturas. Entre essas iniciativas, destacam-se o Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica (PARFOR), o Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID).
Saviani (2009) ressalta que a formação docente deve ser entendida como política pública estratégica, visto que a qualidade da educação básica depende da valorização e preparo dos professores. Nesse sentido, programas de fomento à docência cumprem um papel essencial não apenas no apoio ao estudante durante a graduação, mas também na melhoria da qualidade do ensino ofertado nas escolas públicas.
Além disso, Nóvoa (2009) defende que a construção da identidade docente ocorre por meio de práticas que permitam ao futuro professor se reconhecer na profissão. Políticas como o PIBID aproximam o licenciando do contexto escolar, fortalecendo sua identidade profissional e reduzindo a possibilidade de evasão.
Portanto, ao fomentar a iniciação à docência, o Estado não apenas incentiva a permanência acadêmica, mas também contribui para a valorização da carreira e para a formação de professores mais preparados para os desafios contemporâneos da educação.
2.3 O PIBID: objetivos, estrutura e relevância na formação inicial
Criado em 2007 pela CAPES, o PIBID tem como objetivo incentivar a formação de professores para a educação básica por meio da inserção dos licenciandos em escolas públicas de ensino fundamental e médio. O programa oferece bolsas para estudantes, supervisores (professores da educação básica) e coordenadores (docentes da universidade), promovendo uma articulação entre teoria e prática desde os períodos iniciais da graduação (BRASIL, 2007).
De acordo com Pimenta (2012), a aproximação do licenciando com a escola básica, desde os primeiros semestres, favorece a compreensão do contexto educacional e contribui para a construção da identidade docente. O PIBID permite que o estudante vivencie situações reais de ensino, o que fortalece sua motivação e engajamento com a profissão.
Estudos empíricos reforçam a relevância do programa. Gatti (2019) aponta que o PIBID não apenas contribui para a permanência acadêmica, mas também promove práticas pedagógicas inovadoras, fortalecendo a relação entre universidade e escola.
Além do impacto na formação, o PIBID possui relevância social, uma vez que as escolas públicas participantes se beneficiam das atividades desenvolvidas pelos bolsistas. Esse intercâmbio possibilita melhorias no processo de ensino-aprendizagem e amplia a experiência dos futuros docentes.
Portanto, pode-se afirmar que o PIBID constitui uma das principais políticas de incentivo à formação docente no Brasil, sendo fundamental para a permanência acadêmica e para a qualidade da formação inicial dos professores.
2.4 A relação entre PIBID e a permanência acadêmica
A permanência no ensino superior está diretamente ligada às condições de integração do estudante ao curso e à universidade, bem como às perspectivas de sua futura carreira. O PIBID tem se mostrado uma política pública estratégica nesse sentido, pois atua tanto no âmbito acadêmico quanto no social e financeiro.
Pesquisas realizadas em diferentes instituições brasileiras demonstram a relevância do programa para a permanência acadêmica. Gatti (2019) identificaram que os bolsistas do PIBID apresentavam maior engajamento com as atividades curriculares e maior satisfação com o curso, o que refletiu em índices mais baixos de evasão. Além disso, o apoio financeiro proveniente das bolsas é um fator de incentivo, especialmente para estudantes de baixa renda, que representam grande parte do público das universidades federais (Lemos; Azevedo, 2017).
No caso da formação docente, o vínculo estabelecido com a escola básica desde os primeiros semestres funciona como um elemento de motivação para o licenciando, que passa a se reconhecer como futuro professor. Nóvoa (2009) destaca que a identidade docente é construída nas práticas e interações escolares; assim, ao vivenciar situações reais de sala de aula, o estudante fortalece seu compromisso com a carreira e sua trajetória universitária.
Além da motivação, o PIBID tem se mostrado eficaz para o desenvolvimento de competências pedagógicas que nem sempre são plenamente abordadas nas disciplinas curriculares. Essa aproximação entre teoria e prática contribui para que o aluno perceba maior sentido em sua formação, diminuindo as chances de abandono do curso (Pimenta; Lima 2012).
Portanto, a relação entre PIBID e permanência acadêmica se evidencia não apenas no aspecto econômico, mas principalmente na integração entre o licenciando, a universidade e a escola. Essa tríade constitui um dos pilares da permanência e do sucesso acadêmico nos cursos de licenciatura.
2.5 O curso de Licenciatura em Ciências Biológicas da UNIR
O curso de Licenciatura em Ciências Biológicas da Universidade Federal de Rondônia (UNIR) foi criado em 2015 e atende desde então à demanda por formação de professores qualificados na área de Ciências da Natureza. Antes disso, o curso era unido com o de Bacharelado. Como única universidade pública do estado, a UNIR desempenha papel fundamental na formação de docentes para a educação básica na região Norte.
De acordo com o Projeto Pedagógico do Curso (UNIR, 2015), a proposta curricular integra componentes teóricos e práticos, articulando conhecimentos das áreas de Biologia, Educação e Metodologia do Ensino. O objetivo central é formar profissionais capazes de atuar na educação básica com competência científica, pedagógica e ética.
Apesar da relevância social e acadêmica do curso, de acordo com dados disponibilizados pelo sistema do SIGAA, foi analisado e os mesmos, conforme análise, apontam para uma taxa de conclusão ainda reduzida, refletindo uma tendência nacional nas licenciaturas. Muitos estudantes enfrentam dificuldades relacionadas à permanência, como condições socioeconômicas desfavoráveis, necessidade de conciliar trabalho e estudo e, em alguns casos, desmotivação quanto à carreira docente.
Nesse contexto, o PIBID assume papel estratégico, pois oferece aos licenciandos experiências práticas de ensino e apoio financeiro que contribuem para reduzir a evasão. Assim, compreender a relação entre o curso de Ciências Biológicas da UNIR e os programas de iniciação à docência é essencial para avaliar as condições de permanência acadêmica e propor políticas institucionais que fortaleçam a formação de professores na região.
3. METODOLOGIA
A presente pesquisa caracteriza-se como quantitativa, descritiva e documental, desenvolvida a partir de dados acadêmicos disponibilizados pelo Sistema Integrado de Gestão de Atividades Acadêmicas (SIGAA) da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), além da análise dos documentos oficiais de convocação do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), referentes aos editais publicados entre os anos de 2018 e 2024.
O recorte temporal da pesquisa compreende estudantes ingressantes no curso de Licenciatura em Ciências Biológicas da UNIR entre os anos de 2016 e 2021. Destaca-se que o curso de Licenciatura em Ciências Biológicas passou a existir de forma independente apenas em 2015, uma vez que anteriormente o curso era ofertado conjuntamente com o Bacharelado em Ciências Biológicas. Apesar disso, os dados referentes aos ingressantes de 2015 não foram incluídos na pesquisa devido à impossibilidade de localização dos documentos oficiais de convocação do PIBID referentes ao período anterior aos editais analisados.
A escolha do ano de 2021 como limite final da análise justifica-se pelo fato de que, no momento da realização desta pesquisa, no ano de 2026, os estudantes ingressantes em 2021 já se encontram em período previsto para conclusão do curso, considerando o tempo regular de integralização da graduação.
Ressalta-se que o objetivo da pesquisa não consiste em identificar o ano específico de conclusão de cada estudante, mas sim verificar, com base nos registros disponíveis no SIGAA em 2026, se os estudantes ingressantes entre 2016 e 2021 concluíram, desistiram, permanecem ativos ou apresentaram outro vínculo acadêmico no sistema institucional.
A correlação entre participação no PIBID e permanência acadêmica foi realizada a partir da comparação entre os nomes constantes nos documentos oficiais de convocação do PIBID (2018–2024) e os dados acadêmicos disponibilizados pelo SIGAA (2016–2021). Dessa forma, buscou-se identificar possíveis associações entre participação no programa e trajetória acadêmica dos estudantes analisados.
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
A análise dos dados acadêmicos dos estudantes ingressantes entre os anos de 2016 e 2021 no curso de Licenciatura em Ciências Biológicas da Universidade Federal de Rondônia (UNIR) permitiu identificar diferentes trajetórias acadêmicas relacionadas à conclusão, desistência e permanência no curso. Os dados foram obtidos por meio do Sistema Integrado de Gestão de Atividades Acadêmicas (SIGAA) e correlacionados com os documentos oficiais de convocação do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), referentes aos editais localizados entre os anos de 2018 e 2024 (Quadro 1).
Quadro 1 – Links dos editais de convocação PIBID/UNIR analisados.
Fonte: Autores.
Ressalta-se que a análise realizada não teve como objetivo identificar o ano específico de conclusão de cada estudante, mas verificar, com base nos registros acadêmicos disponíveis no SIGAA no ano de 2026, se os ingressantes entre 2016 e 2021 concluíram, desistiram ou permanecem ativos no curso. Além disso, destaca-se que parte dos documentos referentes aos editais anteriores do PIBID não foi localizada, fator que limita a identificação completa da participação de alguns estudantes no programa.
No período analisado, foram identificados 131 estudantes ingressantes no curso. Dentre esses, 27 concluíram a graduação, correspondendo a aproximadamente 20,6% do total de ingressantes. Em contrapartida, 73 estudantes desistiram do curso, representando cerca de 55,7% dos estudantes analisados, evidenciando elevado índice de evasão acadêmica. Ressalta-se ainda que, 31 estudantes permanecem no curso, representando cerca de 23,66% dos estudantes analisados.
Em relação à participação no PIBID, observou-se que 19 dos 27 estudantes concluintes apresentaram participação identificada no programa, correspondendo a aproximadamente 70,3% do total de concluintes analisados. Também foram identificados 16 estudantes ainda ativos no curso e vinculados ao PIBID, aspecto que sugere possíveis contribuições do programa para o fortalecimento da permanência acadêmica e do vínculo institucional dos licenciandos.
Entretanto, ressalta-se que os resultados não permitem estabelecer relações de causalidade entre participação no PIBID e ano de conclusão do curso, sendo possível apenas identificar tendências e possíveis associações entre a participação no programa e a permanência acadêmica. Além disso, a evasão no ensino superior constitui fenômeno multifatorial, podendo estar relacionada a questões socioeconômicas, dificuldades acadêmicas, necessidade de conciliar trabalho e estudo, desvalorização da carreira docente, aspectos emocionais e impactos decorrentes da pandemia de COVID-19 (Bierhalz e Bruno, 2025).
Os resultados encontrados dialogam com estudos que apontam o PIBID como importante política de fortalecimento da formação docente e da permanência estudantil. Pereira e Fiamengue (2026) destacam que programas de iniciação à docência favorecem a integração acadêmica e o desenvolvimento da identidade profissional, fatores fundamentais para a continuidade dos estudos.
No mesmo sentido, Leite (2023) afirma que estudantes participantes desses programas tendem a apresentar maior engajamento acadêmico, além de reconhecerem as experiências práticas como elementos motivadores para a permanência no curso. Esses aspectos tornam-se especialmente relevantes no contexto das licenciaturas, em que a identificação com a profissão docente exerce forte influência sobre a trajetória universitária.
Com o objetivo de apresentar uma visão geral das trajetórias acadêmicas dos estudantes ingressantes entre os anos de 2016 e 2021 no curso de Licenciatura em Ciências Biológicas da UNIR, a Figura 1, reúne os dados gerais de conclusão, desistência e permanência acadêmica, considerando também a participação identificada dos estudantes no PIBID.
Figura 1 – Panorama geral dos ingressantes (2016-2021)
Fonte: Elaborado pela autora e embasado em dados disponibilizados pelo SIGAA, 2026.
Os dados apresentados demonstram elevado índice de evasão acadêmica entre os estudantes analisados, uma vez que a maior parcela dos ingressantes não concluiu o curso. Ao mesmo tempo, observa-se presença significativa de estudantes vinculados ao PIBID entre os concluintes e entre os acadêmicos que permanecem ativos na graduação. Entre os 27 estudantes concluintes identificados na pesquisa, 19 apresentaram participação no PIBID, correspondendo a aproximadamente 70,3% do total de concluintes analisados. Além disso, 16 estudantes participantes do programa permaneciam ativos no curso no momento da coleta dos dados realizada em 2026.
Apesar dos resultados sugerirem possíveis contribuições do PIBID para a permanência acadêmica, destaca-se que a evasão no ensino superior constitui fenômeno multifatorial, não sendo possível estabelecer relação direta de causalidade entre participação no programa e conclusão do curso.
A fim de analisar especificamente a relação entre participação no PIBID e conclusão da graduação, a Figura 2 apresenta a distribuição percentual dos estudantes concluintes identificados na pesquisa, considerando participação ou não no programa.
Figura 2 – Distribuição dos concluintes que ingressaram no curso entre os anos (2016 - 2021)
Fonte: Elaborado pela autora e embasado em dados disponibilizados pelo SIGAA, 2026.
Os dados apresentados na Figura 2 evidenciam predominância de estudantes participantes do PIBID entre os concluintes do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas da UNIR. Dos 27 estudantes concluintes identificados na pesquisa, 19 apresentaram participação no programa, correspondendo a aproximadamente 70,3% do total de concluintes analisados, enquanto 8 estudantes concluíram a graduação sem participação identificada nos editais localizados, mas não significa que tais estudantes não tenham participado de outras atividades bolsistas com o PIBIC e Monitoria.
Os resultados sugerem possível associação entre participação no PIBID e permanência acadêmica, especialmente ao considerar o fortalecimento do vínculo institucional, a aproximação com a prática docente e a inserção dos licenciandos no contexto escolar ainda durante a graduação. Tais aspectos podem contribuir para maior identificação com a formação docente e continuidade no curso (Tinto, 2012).
Entretanto, destaca-se que a presente pesquisa não permite estabelecer relação direta de causalidade entre participação no PIBID e conclusão da graduação. Além disso, parte dos editais anteriores ao ano de 2018 não foi localizada durante a realização da pesquisa, fator que limita a identificação completa da participação de alguns estudantes no programa. Dessa forma, os dados apresentados devem ser interpretados como indicativos de tendência e possíveis associações entre participação no PIBID e permanência acadêmica.
Com o objetivo de analisar os dados relacionados à evasão acadêmica, a Figura 3 apresenta a distribuição percentual dos estudantes desistentes identificados na pesquisa, considerando participação ou não no PIBID entre os anos 2016 a 2021.
Figura 3 – Distribuição da evasão acadêmica (2016-2021)
Fonte: Elaborado pela autora e embasado em dados disponibilizados pelo SIGAA, 2026.
Os dados apresentados na Figura 3 demonstram predominância de estudantes desistentes sem participação identificada no PIBID. Entre os 84 casos de evasão acadêmica identificados na pesquisa, 72 estudantes não apresentaram participação identificada no programa, enquanto 12 estudantes desistentes possuíam vínculo registrado com o PIBID nos editais analisados.
Os resultados sugerem que os estudantes participantes do PIBID apresentaram, proporcionalmente, menor índice de evasão em comparação aos estudantes sem participação identificada no programa. Tal aspecto pode estar relacionado ao fortalecimento do vínculo institucional, à aproximação com a prática docente e ao maior envolvimento acadêmico proporcionado pelas atividades desenvolvidas no âmbito do PIBID.
Entretanto, ressalta-se que a permanência acadêmica não depende exclusivamente da participação no programa, uma vez que a evasão no ensino superior constitui fenômeno complexo e multifatorial.
Além disso, destaca-se que parte dos editais anteriores ao ano de 2018 não foi localizada durante a realização da pesquisa, o que limita a identificação completa da participação de alguns estudantes no PIBID. Dessa forma, os resultados apresentados devem ser interpretados como indicativos de possíveis associações entre participação no programa e permanência acadêmica, sem estabelecimento de relação causal direta.
Com o objetivo de apresentar os dados acadêmicos referentes aos estudantes ingressantes no ano de 2016, a Figura 4 demonstra a distribuição entre estudantes concluintes e desistentes, considerando também a participação identificada no PIBID.
Figura 4 – Dados acadêmicos dos ingressantes do ano de 2016
Fonte: Elaborado pela autora e embasado em dados disponibilizados pelo SIGAA, 2026.
Os dados referentes aos ingressantes de 2016 demonstram predominância de estudantes desistentes sem participação identificada no PIBID. Entre os 25 estudantes analisados para essa turma, observou-se quantitativo considerável de estudantes que não concluíram a graduação, evidenciando elevado índice de evasão acadêmica. E essas evasões se deram em diferentes momentos, alguns desistiram no primeiro período, outros ao longo da trajetória, o demonstra que situações adversas em momentos diferentes na formação podem interferir no processo de conclusão. Por exemplo, no início do curso, predominam dificuldades de adaptação e escolha equivocada da graduação; em períodos mais avançados, pesam sobrecarga acadêmica, questões financeiras e desmotivação
Em relação aos estudantes concluintes, identificou-se participação expressiva de acadêmicos vinculados ao PIBID. Dos concluintes registrados para a turma de 2016, 4 dos 7 estudantes apresentaram participação identificada no programa baseados em 4 editais analisados.
Destaca-se que 3 dos 7 estudantes concluintes participantes do PIBID estiveram vinculados a editais anteriores ao ano de 2018, os quais não puderam ser integralmente localizados devido ao acesso limitado aos documentos institucionais mais antigos. Ainda assim, foi possível confirmar a participação dessas acadêmicas no programa através de documentos oficiais, fornecidos pela coordenação institucional da UNIR, de inclusão e exclusão das bolsistas e sua posterior conclusão da graduação.
Os resultados observados na turma ingressante em 2016 sugerem possível associação entre participação no PIBID e permanência acadêmica, especialmente ao considerar a presença significativa de estudantes participantes do programa entre os concluintes identificados.
A Figura 5 apresenta os dados acadêmicos referentes aos estudantes ingressantes no curso de Licenciatura em Ciências Biológicas da UNIR no ano de 2017, considerando os casos de conclusão, desistência e permanência ativa no curso, associados ou não à participação identificada no PIBID.
Figura 5 – Dados acadêmicos dos ingressantes ano de 2017
Fonte: Elaborado pela autora e embasado em dados disponibilizados pelo SIGAA, 2026.
Os dados da turma ingressante em 2017 demonstram continuidade do elevado índice de evasão acadêmica observado nos anos anteriores, com predominância de estudantes desistentes sem participação identificada no PIBID. Entretanto, também foram identificados estudantes participantes do programa entre os concluintes e entre os acadêmicos que permaneciam ativos no curso no momento da coleta dos dados realizada em 2026.
Entre os estudantes concluintes identificados para a turma de 2017, observou-se predominância de participação no PIBID em comparação aos concluintes sem participação identificada nos editais analisados. Além disso, verificou-se quantitativo relevante de estudantes participantes do programa ainda ativos no curso, aspecto que pode indicar fortalecimento do vínculo acadêmico e institucional proporcionado pelas atividades desenvolvidas no âmbito do PIBID (Tinto, 2012).
Apesar disso, também foram identificados casos de evasão entre estudantes vinculados ao programa, evidenciando que a permanência acadêmica não depende exclusivamente da participação no PIBID. Dessa forma, os resultados observados devem ser interpretados como possíveis associações e tendências relacionadas à permanência acadêmica, sem estabelecimento de relação causal direta.
A Figura 6 apresenta os dados acadêmicos referentes aos estudantes ingressantes no ano de 2018, considerando os casos de conclusão, desistência e permanência ativa no curso, associados ou não à participação identificada no PIBID.
Figura 6 – Dados acadêmicos dos ingressantes do ano de 2018
Fonte: Elaborado pela autora e embasado em dados disponibilizados pelo SIGAA, 2026.
Os dados referentes à turma ingressante em 2018 demonstram quantitativo expressivo de evasão acadêmica, inclusive entre estudantes participantes do PIBID. Entre os estudantes desistentes identificados na pesquisa, observou-se presença significativa de acadêmicos vinculados ao programa, aspecto que diferencia essa turma em relação aos anos anteriormente analisados.
Tal cenário pode estar relacionado a múltiplos fatores acadêmicos, sociais e econômicos, além dos impactos decorrentes da pandemia de COVID-19, iniciada no ano subsequente ao ingresso dessa turma ( no ano de 2020). A suspensão das atividades presenciais, as dificuldades de adaptação ao ensino remoto e os impactos emocionais e financeiros provocados pela pandemia afetaram significativamente a permanência estudantil no ensino superior brasileiro.
Apesar disso, também foram identificados estudantes participantes do PIBID entre os concluintes e entre os acadêmicos ainda ativos no curso, demonstrando que, mesmo diante das dificuldades enfrentadas no período pandêmico, parte dos licenciandos vinculados ao programa permaneceu na graduação.
Em relação à turma de 2019, a Figura 7 apresenta a distribuição percentual entre concluintes participantes dos programas de formação docente, concluintes sem participação e estudantes desistentes.
Figura 7 – Dados acadêmicos dos ingressantes do ano de 2019
Fonte: Elaborado pela autora e embasado em dados disponibilizados pelo SIGAA, 2026.
A Figura 7 apresenta os dados referentes ao ano de 2019, permitindo observar o comportamento dos indicadores relacionados à permanência e/ou desempenho dos estudantes vinculados ao PIBID nesse período. Nota-se que esse ano pode ser compreendido como uma etapa de consolidação do programa, evidenciando resultados mais estáveis em comparação a ciclos anteriores. Os dados sugerem que a participação no PIBID contribuiu para maior regularidade na trajetória acadêmica dos licenciandos, reforçando sua importância na formação inicial docente.
A Figura 8 apresenta os dados da turma de 2020, evidenciando a participação de estudantes vinculados ao PIBID, bem como a permanência de estudantes ainda ativos no curso.
Figura 8 – Dados acadêmicos dos ingressantes do ano de 2020
Fonte: Elaborado pela autora e embasado em dados disponibilizados pelo SIGAA, 2026.
A Figura 8 corresponde ao ano de 2020, período marcado por intensas mudanças no contexto educacional em razão das adaptações necessárias no ensino. Os dados evidenciam alterações nos indicadores analisados, indicando possíveis impactos do cenário externo na dinâmica do PIBID e na trajetória dos estudantes. Ainda assim, observa-se que a atuação do programa manteve relevância no acompanhamento acadêmico, contribuindo para a continuidade da formação mesmo diante das dificuldades enfrentadas.
Em relação à turma de 2021, a Figura 9 apresenta a distribuição percentual entre concluintes participantes dos programas de formação docente, concluintes sem participação e estudantes desistentes.
Figura 9 – Dados acadêmicos dos ingressantes do ano de 2021
Fonte: Elaborado pela autora e embasado em dados disponibilizados pelo SIGAA, 2026.
A Figura 9 apresenta os resultados referentes ao ano de 2021, demonstrando um novo momento de reorganização das atividades acadêmicas e do PIBID. Observa-se uma tendência de retomada e estabilidade nos indicadores analisados, sugerindo adaptação progressiva do programa às novas condições de ensino. Nesse sentido, os dados reforçam a contribuição do PIBID na manutenção do vínculo acadêmico dos estudantes e no fortalecimento da formação docente, mesmo em um cenário de desafios educacionais.
Outro aspecto importante refere-se ao suporte financeiro oferecido pelos programas. Conforme discutido por Francischett, Girotto, Mormul (2012), muitos estudantes de licenciatura enfrentam dificuldades econômicas que dificultam sua permanência na universidade. Nesse contexto, as bolsas concedidas pelo PIBID contribuem para minimizar vulnerabilidades sociais e ampliar as condições de permanência acadêmica.
Além da dimensão financeira, a inserção dos licenciandos no ambiente escolar proporciona experiências concretas de ensino, favorecendo a articulação entre teoria e prática. Dessa forma, os dados analisados, associados às discussões presentes na literatura, sugerem que o PIBID representa políticas relevantes no fortalecimento da formação docente e da permanência acadêmica na Universidade Federal de Rondônia. Ainda que não seja possível afirmar relação causal, os resultados indicam tendências importantes que reforçam a necessidade de ampliação e fortalecimento dessas iniciativas no ensino superior.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A presente investigação teve como objetivo analisar a possível contribuição do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) na permanência acadêmica de estudantes de licenciatura, a partir da leitura dos dados apresentados nos diferentes ciclos analisados. De modo geral, os resultados evidenciaram que a participação no programa está associada a melhores índices de permanência e continuidade no curso, reforçando sua relevância como política de incentivo à formação docente.
Ao observar os dados referentes aos anos de 2019, 2020 e 2021, percebe-se uma variação nos indicadores ao longo do período, o que indica que a permanência estudantil não ocorre de forma linear. Em 2019, observa-se um cenário mais estável, sugerindo um momento de consolidação dos efeitos do programa. Já em 2020, há alterações mais consideráveis nos resultados, possivelmente relacionadas às mudanças no contexto educacional e às adaptações vivenciadas naquele período (COVID-19). Em 2021, identifica-se uma tendência de reorganização e retomada dos indicadores, indicando uma possível adaptação dos estudantes e das instituições ao cenário vigente, mas dificuldades ainda persistiram em razão do cenário de pandemia mundial.
Esses achados permitem compreender que, embora o PIBID apresente contribuição positiva para a permanência acadêmica, seus efeitos podem ser influenciados por diferentes contextos institucionais e sociais ao longo do tempo. Ainda assim, destaca-se que o programa contribui de forma relevante para o fortalecimento da formação inicial docente, ao proporcionar maior integração entre teoria e prática e ampliar o vínculo dos estudantes com o curso.
É fundamental ressaltar que a desistência no ensino superior constitui um fenômeno multifatorial, não podendo ser explicada por um único elemento. Aspectos como dificuldades financeiras, questões pessoais, adaptação à vida universitária, carga horária de trabalho e desafios pedagógicos podem interferir diretamente na permanência dos estudantes, isso claro, a depender de qual semestre o estudante está cursando. No entanto, este estudo não teve como finalidade analisar de forma aprofundada esses fatores, limitando-se a compreender a relação geral entre a participação no PIBID e a permanência no curso, reconhecendo apenas sua existência como parte do contexto.
Dessa forma, conclui-se que o PIBID se configura como uma estratégia importante de apoio à formação docente e à permanência estudantil, contribuindo para o fortalecimento da trajetória acadêmica dos licenciandos. Recomenda-se que futuras pesquisas ampliem a análise para compreender de maneira mais detalhada os múltiplos fatores que influenciam a evasão no ensino superior, possibilitando uma compreensão mais abrangente do fenômeno.
Por fim, o estudo contribui para o debate acerca da permanência no ensino superior e da valorização das licenciaturas, destacando a importância de programas institucionais de incentivo à docência como estratégias relevantes para o fortalecimento da formação de professores e para a consolidação de trajetórias acadêmicas bem-sucedidas.
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ORCID: https://orcid.org/0000-0003-4467-0017 ↑

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