RESUMO
A distorção da imagem corporal constitui importante problema de saúde entre estudantes de medicina, estando frequentemente associada a fatores emocionais, acadêmicos e socioculturais. O presente estudo teve como objetivo identificar os principais fatores associados à distorção da imagem corporal em estudantes de medicina por meio de uma revisão integrativa da literatura. A busca foi realizada nas bases de dados SciELO, Lilacs e PubMed, utilizando descritores relacionados à imagem corporal, transtornos alimentares e estudantes de medicina, combinados pelos operadores booleanos AND e OR. Foram incluídos artigos originais publicados entre 2020 e 2026, nos idiomas português, inglês e espanhol. Após aplicação dos critérios de elegibilidade, nove estudos compuseram a amostra final. Observou-se predomínio de estudos transversais quantitativos e maior frequência de pesquisas desenvolvidas no Brasil. Os estudos evidenciaram elevada prevalência de insatisfação corporal, especialmente entre mulheres, além de associação significativa entre distorção da imagem corporal, sofrimento psíquico, ansiedade e comportamentos alimentares de risco. A intensa rotina acadêmica, a pressão por desempenho e a influência de padrões estéticos disseminados pelas redes sociais também foram identificadas como fatores relevantes para o desenvolvimento da percepção corporal negativa. Além disso, observou-se relação entre insatisfação corporal e maior vulnerabilidade ao desenvolvimento de transtornos alimentares, ortorexia e vigorexia. Conclui-se que a distorção da imagem corporal entre estudantes de medicina apresenta caráter multifatorial e pode repercutir negativamente sobre a saúde mental, qualidade de vida e desempenho acadêmico dessa população, reforçando a necessidade de estratégias institucionais voltadas à promoção do autocuidado e da saúde mental no ambiente universitário.
Palavras- chaves: saúde mental; transtornos da alimentação; estresse psicológico; saúde do estudante; vulnerabilidade em saúde.
ABSTRACT
Body image distortion is an important health issue among medical students and is frequently associated with emotional, academic, and sociocultural factors. This study aimed to identify the main factors associated with body image distortion among medical students through an integrative literature review. The search was conducted in the SciELO, LILACS, and PubMed databases using descriptors related to body image, eating disorders, and medical students, combined with the Boolean operators AND and OR. Original articles published between 2020 and 2026 in Portuguese, English, and Spanish were included. After applying the eligibility criteria, nine studies comprised the final sample. Quantitative cross-sectional studies predominated, with most research conducted in Brazil. The findings revealed a high prevalence of body dissatisfaction, particularly among women, as well as a significant association between body image distortion, psychological distress, anxiety, and risky eating behaviors. Intense academic demands, performance pressure, and the influence of beauty standards disseminated through social media were also identified as relevant factors contributing to negative body perception. Furthermore, body dissatisfaction was associated with greater vulnerability to the development of eating disorders, orthorexia, and muscle dysmorphia. It can be concluded that body image distortion among medical students has a multifactorial nature and may negatively affect mental health, quality of life, and academic performance, highlighting the need for institutional strategies aimed at promoting self-care and mental health within the university environment.
Keywords: mental health; eating disorders; psychological stress; student health; health vulnerability.
INTRODUÇÃO
A imagem corporal corresponde à percepção e aos sentimentos relacionados ao próprio corpo, sendo influenciada por fatores biológicos, psicológicos e socioculturais. Alterações nessa percepção podem desencadear distorção da imagem corporal, condição associada à insatisfação corporal, sofrimento psíquico e transtornos alimentares (Alves et al, 2022). O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), publicado pela American Psychiatric Association (2014), descreve a preocupação excessiva com peso e forma corporal como característica frequente nos transtornos alimentares, especialmente anorexia nervosa e bulimia nervosa.
Nas últimas décadas, a influência das redes sociais e a disseminação de padrões estéticos idealizados intensificaram a preocupação com a aparência física, favorecendo comparações corporais e práticas inadequadas de controle de peso, principalmente entre adolescentes e adultos jovens (Oliveira, 2021). Nesse cenário, universitários, especialmente estudantes da área da saúde, constituem um grupo particularmente vulnerável devido à maior pressão estética, autocobrança e exposição constante a conhecimentos relacionados ao corpo, saúde e alimentação (Lavinhati; Barone; Grogolon, 2022).
Entre estudantes de medicina, fatores como elevada carga horária, pressão acadêmica, privação de sono e altos níveis de estresse podem contribuir para alterações na percepção corporal e no comportamento alimentar. Estudos recentes demonstram prevalência significativa de insatisfação corporal, comportamentos alimentares de risco e sintomas ansiosos nesse grupo, especialmente entre mulheres (Aidar et al., 2020; Ferreira et al., 2024).
Além disso, a associação entre pressão acadêmica, influência midiática e busca por padrões corporais socialmente valorizados pode favorecer o desenvolvimento de sofrimento emocional e distorção da autoimagem durante a formação médica (Vale; Almeida Junior; Pacheco, 2024). Apesar da relevância do tema, os achados disponíveis ainda se apresentam heterogêneos e dispersos na literatura científica, dificultando a compreensão integrada dos principais fatores associados à distorção da imagem corporal entre estudantes de medicina.
Dessa forma, esta revisão integrativa tem como objetivo identificar os fatores associados à distorção da imagem corporal em acadêmicos de medicina, contribuindo para a ampliação do conhecimento científico sobre o tema e para o desenvolvimento de estratégias de promoção da saúde mental no ambiente acadêmico.
METODOLOGIA
Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, método que permite a síntese e análise crítica do conhecimento científico disponível sobre determinado tema, possibilitando a identificação de lacunas, evidências e tendências de pesquisa (Mendes; Silveira; Galvão, 2008).
O presente estudo foi conduzido com base em critérios metodológicos rigorosos, fazendo uso de um checklist PRISMA adaptado especificamente para revisões integrativas, com recomendações propostas por Whittemore e Knafl (2005).
A construção da revisão foi conduzida em seis etapas: identificação do tema e formulação da questão norteadora; definição dos critérios de inclusão e exclusão; seleção dos estudos; categorização das informações; avaliação crítica dos achados; e síntese do conhecimento produzido (Souza; Silva; Carvalho, 2010).
A questão norteadora estabelecida para este estudo foi: “Quais são os fatores associados à distorção da imagem corporal em estudantes de medicina?”
A busca dos estudos foi realizada nas bases de dados Scientific Electronic Library Online (Scielo), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (Lilacs) e PubMed, selecionadas por sua relevância na área das ciências da saúde e ampla indexação de produções científicas nacionais e internacionais.
Foram utilizados os seguintes descritores em Ciências da Saúde (DeCS) em português e inglês, combinados por meio dos operadores booleanos AND e OR: “imagem corporal”, “estudantes de medicina”, “transtornos alimentares” e “insatisfação corporal”.
Como critérios de inclusão, foram considerados artigos originais disponíveis na íntegra, publicados nos idiomas português, inglês ou espanhol, entre os anos de 2020 e 2026, que abordassem fatores associados à distorção da imagem corporal em estudantes de medicina. Foram excluídos estudos de revisão, relatos de caso, editoriais, dissertações, teses, capítulos de livro, artigos duplicados e trabalhos que não respondessem à questão norteadora da pesquisa.
A seleção dos estudos ocorreu inicialmente por meio da leitura dos títulos e resumos. Posteriormente, os artigos potencialmente elegíveis foram submetidos à leitura na íntegra para verificação da adequação aos critérios estabelecidos. Após a seleção final, os dados foram organizados e analisados de forma descritiva, considerando informações como autores, ano de publicação, objetivo, delineamento metodológico e principais fatores associados à distorção da imagem corporal em estudantes de medicina.
RESULTADOS
A busca nas bases de dados resultou em 126 estudos potencialmente relevantes. Após a remoção de 22 artigos duplicados, permaneceram 104 estudos para a etapa de triagem.
Na leitura dos títulos, 48 estudos foram excluídos por não apresentarem relação direta com a temática proposta. Em seguida, 56 artigos foram submetidos à leitura dos resumos, dos quais 28 foram excluídos por abordarem populações distintas de estudantes de medicina, não investigarem fatores associados à distorção da imagem corporal ou não atenderem aos critérios metodológicos estabelecidos.
Posteriormente, 28 artigos foram selecionados para leitura na íntegra. Destes, 19 foram excluídos por não apresentarem abordagem específica sobre distorção da imagem corporal ou inadequação à questão norteadora da pesquisa. Assim, 9 estudos compuseram a amostra final desta revisão integrativa.
O processo de seleção dos artigos foi organizado conforme adaptação do fluxograma PRISMA demonstrado na figura 1.
Figura 1 – Fluxograma de identificação, triagem, elegibilidade e inclusão dos estudos selecionados para a revisão integrativa.
Fonte: Elaborado pelos autores, adaptado de Page et al. (2021).
Foram incluídos nove artigos publicados entre 2020 e 2026, com predomínio de delineamentos transversais quantitativos e maior frequência de pesquisas desenvolvidas no Brasil. Observou-se predominância de estudos realizados com estudantes de medicina, com maior participação do sexo feminino nas amostras analisadas, utilizando instrumentos validados para avaliação da imagem corporal, comportamento alimentar e fatores psicológicos associados.
Entre os principais instrumentos empregados destacaram-se o Body Shape Questionnaire (BSQ), o Eating Attitudes Test (EAT-26), o ORTO-15 e escalas relacionadas à ansiedade e sofrimento psíquico.
Os estudos selecionados identificaram elevada frequência de insatisfação corporal, preocupação excessiva com peso e forma física, além da associação entre distorção da imagem corporal e fatores emocionais, acadêmicos e socioculturais. Os fatores mais frequentemente investigados incluíram pressão estética, comparação social, sofrimento psíquico, ansiedade e rotina acadêmica intensa.
O Quadro 1 apresenta a caracterização dos estudos incluídos nesta revisão integrativa.
Quadro 1 - Caracterização dos estudos incluídos na revisão integrativa (n=9).
Fonte: Elaborado pelos autores (2026).
DISCUSSÃO
Os estudos analisados evidenciaram elevada frequência de insatisfação corporal entre estudantes de medicina, indicando que a percepção negativa da própria imagem representa importante problema de saúde nessa população. A preocupação excessiva com peso, forma física e aparência corporal observada mesmo entre acadêmicos sem alterações significativas do estado nutricional sugere que a distorção da imagem corporal ultrapassa parâmetros objetivos de saúde, estando relacionada também a fatores emocionais, sociais e culturais (Reis et al., 2021; Loyola et al., 2023).
Além da elevada prevalência de insatisfação corporal, os estudos demonstraram maior vulnerabilidade entre estudantes do sexo feminino. Mulheres apresentaram maior preocupação com peso, aparência física e controle corporal, bem como níveis mais elevados de distorção da autoimagem quando comparadas aos homens (Loyola et al., 2023; Reis et al., 2021). Esses resultados corroboram os achados de Amorim, Vasconcelos e Medeiros (2024), que identificaram elevada frequência de insatisfação corporal e medo do ganho ponderal entre universitárias da área da saúde.
A maior vulnerabilidade feminina pode ser compreendida a partir da influência de fatores socioculturais relacionados à construção social do corpo, historicamente marcada pela valorização de padrões estéticos frequentemente inalcançáveis. Resultados semelhantes foram descritos por Silva, Lopes e Cecon (2021), ao observarem elevada prevalência de comportamentos de risco para transtornos alimentares em universitárias eutróficas. Dessa forma, a internalização de padrões corporais idealizados parece exercer influência significativa sobre a autoimagem, favorecendo sentimentos de inadequação, sofrimento emocional e insatisfação corporal.
Outro achado consistente desta revisão foi a associação entre distorção da imagem corporal e maior risco para o desenvolvimento de transtornos alimentares. A insatisfação com o próprio corpo esteve frequentemente relacionada à adoção de comportamentos alimentares inadequados, como restrição alimentar excessiva, preocupação constante com o peso e atitudes alimentares disfuncionais (Reis et al., 2021; Gomes et al., 2023). Esses resultados sugerem que a percepção corporal negativa pode atuar como importante fator predisponente para alterações no comportamento alimentar.
Os achados também corroboram a literatura que aponta a distorção da imagem corporal como fator frequentemente associado ao desenvolvimento de transtornos alimentares (Oliveira, 2021; Vale; Almeida Junior; Pacheco, 2024). De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), a preocupação excessiva com peso e forma corporal constitui característica central da anorexia nervosa e da bulimia nervosa (American Psychiatric Association, 2014). Nesse sentido, a distorção da imagem corporal pode atuar tanto como fator predisponente quanto como mecanismo perpetuador dessas condições clínicas.
Além disso, Dickow et al. (2024) identificaram elevada prevalência de comportamentos sugestivos de ortorexia e sintomas de vigorexia entre estudantes de medicina, especialmente entre mulheres e internos. Esses achados demonstram que a busca por padrões corporais idealizados pode manifestar-se não apenas pela preocupação com magreza, mas também pelo controle excessivo da alimentação e pela busca compulsiva por um corpo considerado saudável ou esteticamente adequado. Assim, a insatisfação corporal configura importante marcador de vulnerabilidade psicológica e comportamental nessa população.
Os resultados também evidenciaram que fatores emocionais e acadêmicos exercem influência significativa sobre a percepção corporal dos estudantes de medicina. A elevada carga horária, a pressão por desempenho, a competitividade acadêmica e a privação de sono foram frequentemente associadas ao aumento de ansiedade, sofrimento psíquico e prejuízos à saúde mental (Aidar et al., 2020; Losi; Knaul; Paludo, 2025). Esse cenário pode favorecer padrões de autocobrança excessiva e redução do autocuidado, contribuindo para alterações na percepção corporal e no comportamento alimentar.
De forma semelhante, Aidar et al. (2020) observaram associação entre vulnerabilidade emocional e suscetibilidade ao desenvolvimento de transtornos alimentares em internos de medicina. Losi, Knaul e Paludo (2025) identificaram elevada prevalência de ansiedade, além de associação entre sofrimento psicológico, preocupação corporal e uso de substâncias psicoativas. Esses resultados sugerem que o desgaste emocional vivenciado durante a graduação pode desencadear mecanismos compensatórios prejudiciais à saúde física e mental dos estudantes.
Adicionalmente, Ferreira et al. (2024) demonstraram que o período da pandemia de COVID-19 intensificou sintomas de ansiedade, isolamento social, insatisfação corporal e comportamentos alimentares de risco entre acadêmicos de medicina. Os autores destacam que situações de estresse e instabilidade emocional podem potencializar vulnerabilidades já existentes, reforçando o caráter multifatorial da distorção da imagem corporal.
Paralelamente, fatores socioculturais também desempenham papel relevante na construção da autoimagem. A valorização social de padrões corporais idealizados e a crescente influência das redes sociais favorecem mecanismos de comparação social e intensificam a preocupação com peso e aparência física (Frois; Moreira; Stengel, 2011; Passos et al., 2023). Meirelles et al. (2026) observaram que estudantes com maior exposição às redes sociais apresentaram maior frequência de insatisfação corporal, evidenciando a influência desses meios na percepção do próprio corpo.
A literatura também sugere que estudantes de medicina podem apresentar maior vulnerabilidade à pressão estética devido à constante associação entre aparência física, autocuidado e credibilidade profissional na área da saúde (Gomes et al., 2023; Loyola et al., 2023). Dessa forma, a distorção da imagem corporal não pode ser compreendida apenas sob perspectiva individual ou biológica, mas também a partir de determinantes emocionais, sociais e culturais que influenciam continuamente a construção da autoimagem.
As repercussões da distorção da imagem corporal ultrapassam a esfera da aparência física e podem comprometer a saúde mental, a qualidade de vida e o desempenho acadêmico dos estudantes. A presença de insatisfação corporal esteve frequentemente associada a sintomas ansiosos, sofrimento emocional e maior vulnerabilidade ao desenvolvimento de transtornos alimentares (Aidar et al., 2020; Ferreira et al., 2024). Além disso, comportamentos alimentares inadequados podem desencadear fadiga, alterações emocionais e prejuízos no rendimento acadêmico (Reis et al., 2021). A literatura aponta ainda que o adoecimento emocional durante a graduação pode repercutir futuramente na prática profissional, influenciando o autocuidado e a qualidade da assistência prestada aos pacientes (Vale; Almeida Junior; Pacheco, 2024).
Como limitação desta revisão, destaca-se a predominância de estudos com delineamento transversal, o que dificulta o estabelecimento de relações de causalidade entre distorção da imagem corporal, sofrimento psíquico e transtornos alimentares. Além disso, a utilização de instrumentos de autorrelato pode favorecer vieses relacionadas à subjetividade das respostas. Também foi identificada heterogeneidade metodológica entre os estudos incluídos, especialmente quanto aos instrumentos utilizados e às características das amostras analisadas. Houve predominância de pesquisas desenvolvidas no Brasil e maior participação de estudantes do sexo feminino, o que pode limitar a generalização dos resultados para outras populações.
Apesar dessas limitações, os achados permitiram reunir evidências relevantes sobre a elevada frequência de insatisfação corporal e sua associação com fatores emocionais, acadêmicos e socioculturais entre estudantes de medicina, reforçando a necessidade de estratégias institucionais voltadas à promoção da saúde mental e ao autocuidado durante a formação médica.
CONCLUSÃO
A presente revisão integrativa evidenciou elevada frequência de distorção da imagem corporal entre estudantes de medicina, associada principalmente a fatores emocionais, acadêmicos e socioculturais. Os estudos analisados demonstraram relação significativa entre insatisfação corporal, sofrimento psíquico, ansiedade e comportamentos alimentares de risco, com maior vulnerabilidade observada entre estudantes do sexo feminino.
Além disso, verificou-se que a intensa rotina acadêmica, a pressão por desempenho, a influência das redes sociais e a internalização de padrões estéticos socialmente valorizados contribuem para alterações na percepção corporal e para o comprometimento da saúde mental dos acadêmicos. A associação entre distorção da imagem corporal e transtornos alimentares reforça o caráter multifatorial desse fenômeno no contexto da formação médica.
Os achados também sugerem que a distorção da imagem corporal ultrapassa aspectos exclusivamente físicos ou nutricionais, envolvendo fatores emocionais, culturais e sociais que influenciam continuamente a construção da autoimagem dos estudantes. Nesse cenário, comportamentos relacionados à restrição alimentar, ortorexia e vigorexia demonstram a complexidade das manifestações associadas à insatisfação corporal nessa população.
Dessa forma, torna-se fundamental a implementação de estratégias institucionais voltadas à promoção da saúde mental, ao fortalecimento do autocuidado e à prevenção de transtornos alimentares no ambiente universitário. A criação de espaços de acolhimento psicológico, educação em saúde e discussão sobre imagem corporal pode contribuir para redução dos impactos negativos observados durante a formação médica.
Por fim, recomenda-se a realização de novos estudos, especialmente pesquisas longitudinais e multicêntricas, que permitam estabelecer relações de causalidade entre os fatores associados e a distorção da imagem. Além disso, a predominância de estudos realizados no Brasil e de participantes do sexo feminino pode limitar a generalização dos resultados para homens e outros contextos culturais, reforçando a necessidade de investigações em diferentes populações e cenários socioculturais.
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