A atuação do farmacêutico na dispensação e acompanhamento no uso da cannabis medicinal
DOI:
https://doi.org/10.69849/x2dwt890Palavras-chave:
Cannabis medicinal, Farmacêutico, Dispensação, Interações medicamentosas, RegulamentaçãoResumo
O uso terapêutico da cannabis medicinal tem se consolidado como uma área emergente na assistência à saúde, impulsionado pela crescente robustez das evidências científicas e pela evolução dos marcos regulatórios. No Brasil, a RDC nº 327/2019 da ANVISA estabeleceu diretrizes para o acesso a esses produtos, condicionando sua utilização à prescrição e ao acompanhamento profissional, o que evidencia a relevância da atuação qualificada do farmacêutico nesse cenário. Este estudo teve como objetivo analisar o papel do farmacêutico na dispensação e no acompanhamento de pacientes em uso de cannabis medicinal, à luz de aspectos regulatórios, potenciais riscos, interações medicamentosas e desafios inerentes à prática clínica. Para tanto, foi realizada uma revisão narrativa da literatura de natureza qualitativa, com abordagem exploratória e descritiva, a partir de buscas em bases de dados como PubMed e SciELO, utilizando descritores específicos relacionados ao tema. Os achados indicam que o farmacêutico ocupa posição estratégica na assistência ao paciente, assumindo responsabilidades que transcendem a dispensação, incluindo a gestão do cuidado e a orientação clínica. Destacam-se, nesse contexto, as interações medicamentosas envolvendo o canabidiol, particularmente aquelas mediadas pelo sistema enzimático CYP450, que configuram um relevante desafio terapêutico. Exposto isso, evidenciam-se lacunas na formação e na capacitação desses profissionais, o que pode impactar diretamente a qualidade da assistência prestada. Conclui-se que a atuação do farmacêutico na área da cannabis medicinal demanda a articulação entre dimensões regulatórias, clínicas e educativas, bem como contínua atualização científica, de modo a assegurar práticas seguras, eficazes e centradas no paciente.
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