A sociabilidade como determinante na melhoria do ambiente laboral: Uma análise das práticas de recursos humanos nas instituições públicas em Angola
DOI:
https://doi.org/10.69849/xq2qzk94Palabras clave:
Sociabilidade, Ambiente Laboral, Gestão de Recursos Humanos, Sector PúblicoResumen
Este estudo investiga o papel da sociabilidade como factor determinante na melhoria do ambiente laboral no sector público angolano, articulando conceitos sociológicos clássicos com a realidade organizacional pós-colonial africana. Partindo das perspetivas teóricas de Simmel e Agulhon e integrando o conceito de embeddedness de Granovetter e a filosofia relacional do Ubuntu, a pesquisa analisa como as interações informais entre colegas condicionam a eficácia das estruturas formais, a motivação e o bem-estar no trabalho. Metodologicamente, adotou-se uma abordagem mista (quantitativa e qualitativa) e descritiva-exploratória, com aplicação de questionário estruturado e questões abertas a colaboradores de instituições públicas. Os dados foram analisados através de estatística descritiva e análise de conteúdo temática, triangulados com o referencial teórico. Os resultados revelam um ambiente laboral marcado por um paradoxo estrutural, uma sociabilidade informal robusta e altamente valorizada coexiste com uma percepção muito negativa dos sistemas formais de Gestão de Recursos Humanos. As relações entre pares são o principal factor de um bom ambiente, funcionando como rede de apoio e capital social que compensa as deficiências institucionais. Contudo, esta sociabilidade apresenta-se mais como um fim em si mesma do que como um meio instrumental para a produtividade, confirmando a visão simmeliana. Assim, a sociabilidade não é um simples componente a gerir, mas o eixo estruturante do ambiente laboral no contexto angolano, actuando simultaneamente como recurso, sintoma e estratégia adaptativa face a um sistema formal percebido como opaco e pouco meritocrático. A melhoria do ambiente não passa pela substituição da lógica relacional por um modelo puramente formal-weberiano, mas pela sua institucionalização selectiva e inteligente. Recomenda-se, assim, uma dupla agenda: uma reforma credível dos sistemas de RH para construir justiça procedimental e confiança, combinada com a criação de mecanismos formais (ex.: fóruns de diálogo, programas de mentoria com base em tradições orais) que capturem e potencializem a energia relacional existente, canalizando-a para os fins do serviço público. O estudo evidencia que, em Angola, a construção de uma administração pública mais eficiente depende intrinsecamente do reconhecimento e da valorização estratégica da sua dimensão humana e relacional.
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