Saúde mental no meio rural: o fenômeno do agroburnout no contexto capixaba.
DOI:
https://doi.org/10.69849/q0mnm456Palabras clave:
Agroburnout, Saúde mental rural, Produtores rurais, Trabalhadoras rurais, Café e pimenta-do-reino, Esgotamento profissional, Linhares, Sobrecarga emocionalResumen
Este artigo tem como objetivo apresentar e discutir o conceito de Agroburnout, desenvolvido neste estudo para descrever o esgotamento físico e emocional vivido por produtores e produtoras rurais, especialmente aqueles que trabalham com café e pimenta-do-reino em Linhares e região. O termo é proposto para representar um conjunto de sintomas ligados ao excesso de trabalho, pressão por produtividade e dificuldade de equilibrar rotina profissional e vida pessoal. Além disso, busca-se entender por que as mulheres rurais demonstram maior vulnerabilidade a esse desgaste, considerando suas múltiplas funções dentro e fora das lavouras. A pesquisa foi realizada com abordagem qualitativa, por ser a mais adequada para compreender experiências subjetivas e sentimentos relacionados ao trabalho no campo. Primeiro, realizou-se uma pesquisa bibliográfica em materiais sobre saúde mental, esgotamento profissional e condições de vida dos trabalhadores rurais, que ajudou a construir a base teórica necessária. Em seguida, foi aplicado um formulário a produtores e produtoras de Linhares e região, incluindo perguntas abertas e fechadas sobre rotina, divisão de tarefas, sinais de estresse e percepção da própria saúde mental. Os resultados mostram que o Agroburnout aparece de forma recorrente no dia a dia dos trabalhadores, causando cansaço extremo, irritabilidade, sensação de pressão constante e queda no rendimento das atividades. Observou-se também que as mulheres são mais afetadas devido à sobrecarga de responsabilidades e à pouca oferta de apoio emocional. Esses achados reforçam a importância de reconhecer o Agroburnout como um problema real e urgente, estimulando mais debates e ações voltadas à saúde mental no campo.
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