Relações entre clínica e o fazer literário: entre fantasmas e fantasias.

Autores/as

  • Thiago Belei Silva de Lorenci Autor/a
  • Gerson Carlos Rigoni Bonfá Junior Autor/a

DOI:

https://doi.org/10.69849/cmq60c44

Palabras clave:

Melancolia, Literatura, Sublimação, Fantasia

Resumen

A gradativa falência do self até a perda total de si mesmo vem a ser um problema existencial e também humanitário quando associado às crescentes estatísticas de suicidio no mundo. O objetivo deste trabalho consistiu em explorar, nos campos da filosofia, arte e psicanálise, a prática artística-terapêutica da sublimação como manejo clínico em casos de melancolia, quando já não há sentido para a vida e ocorre uma falência dos investimentos de energia psíquica. Foram utilizadas as bases de buscas como o Google Scholar, PePSIC, e a biblioteca científica digital Scielo, usando descritores tais como “Sublimação para psicanálise”, “Luto e melancolia em Freud”, “Arte e saúde mental”, entre outros, com o critério de inclusão sendo a compatibilidade com o tema e os principais autores acerca do assunto. Relacionando os modos  composição da arte e as superfícies de sentido da clínica, o processo da sublimação é encontrado como um mecanismo de intelectualização que reaviva os fluxos desejantes do Eu. A energia psíquica escoada pela ferida identitária se reinveste no corpo ficcional, de modo que o fazer literário aliado ao fazer clínico torna possível inscrever os traumas na narrativa existencial. Conclui-se que o processo de sublimação pode ser uma ferramenta artística-clínica para cicatrizar feridas existenciais e estancar a perda libidinal, fazendo circular novamente a energia psíquica que reintegra os movimentos do Eu.

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Publicado

2026-05-14

Cómo citar

Lorenci, T. B. S. de ., & Bonfá Junior, G. C. R. . (2026). Relações entre clínica e o fazer literário: entre fantasmas e fantasias. Revista Ft, 30(158), 01-27. https://doi.org/10.69849/cmq60c44