Anabolismo clínico: uma estrutura conceitual para a preservação da morfologia e da função em doenças crônicas, envelhecimento e estados catabólicos
DOI:
https://doi.org/10.69849/fjw6vj86Palavras-chave:
Sarcopenia, força muscular, agentes anabólicos, esteroides anabolizantesResumo
As doenças crônicas e o envelhecimento frequentemente convergem para um fenótipo biológico comum, caracterizado pela perda de massa muscular esquelética, massa óssea, força, resistência, desempenho físico e reserva funcional. Essas alterações não são meramente consequências secundárias da doença; em muitos pacientes, tornam-se determinantes ativos de fragilidade, incapacidade, quedas, fraturas, redução da tolerância ao tratamento, hospitalização e mortalidade. Propomos o termo anabolismo clínico como uma estrutura conceitual para descrever uma abordagem médica, terapêutica, monitorada e funcionalmente orientada, destinada a preservar ou restaurar tecidos estrutural e metabolicamente relevantes, particularmente o músculo esquelético e o osso. Esse conceito exige uma distinção clara entre reposição de testosterona em deficiência androgênica documentada, estratégias anabólicas terapêuticas em condições catabólicas ou relacionadas à reabilitação selecionadas, e o uso não médico de esteroides anabolizantes androgênicos. O anabolismo clínico não deve ser compreendido como aprimoramento estético ou intervenção farmacológica indiscriminada, mas como uma estratégia multimodal que integra treinamento resistido, reabilitação, nutrição, tratamento da doença de base e, em casos selecionados, agentes anabólicos farmacológicos. Estudos futuros devem priorizar desfechos centrados no paciente, como força, velocidade da marcha, quedas, independência, hospitalização, tolerância ao tratamento e qualidade de vida, em vez de apenas massa magra.
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